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A situação do mestiço no “neoracialismo” (ou racismo) do séc. XXI, especificamente no Brasil – Jefferson Hugo

Confesso que nunca me preocupei com questões raciais. Porém, de uns tempos para cá, tenho observado essa questão com mais detalhes. Sempre convivi com pessoas de diversas cores. Negros, brancos, mestiços etc. Tenho amigos (bem poucos, aliás) de todas essas cores. Alguns com situação financeira boa, outros nem tanto. Mas infelizmente tenho percebido uma situação muito ruim começando no Brasil: uma espécie de “neoracialismo” (ou racismo mesmo). Tentarei desenvolver esse assunto da melhor maneira possível, utilizando meus rasos conhecimentos sobre.

Atrevo-me a afirmar com toda a convicção que o Brasil é o país mais mestiço do mundo. Aqui, encontramos pessoas com características étnicas nunca vistas em outros países. Quem nunca viu no Brasil um branco de cabelo crespo? Ou um negro de cabelos lisos? Interessantíssimo isso. Desde a colonização, nosso país recebeu uma carga de pessoas de todas as áreas do globo: europeus, africanos, asiáticos e também nossos nativos indígenas, que já ocupavam o território. Essas diferentes raças miscigenaram-se ao longo de nossa história. Por aqui a eugenia não deu certo, por mais que tivesse alguns adeptos. Obviamente, não afirmo que toda a população é miscigenada, mas diria que ao menos 85 ou 90% da população é. Alguns exemplos de não miscigenados são certas comunidades europeias fixadas no interior do país e também alguns nativos. Porém, uma coisa me preocupa: os famigerados movimentos racialistas. Por conta deles, podemos chegar a uma situação semelhante aos EUA em grande parte do séc. XX. E o pior: nós, os mestiços, sofreremos ainda mais do que outras raças.

Eu me defino como mestiço. Sempre foi assim. Nunca me vi de outra maneira. Em todos os documentos, defino minha raça como “parda”. Por quê? Simplesmente pelo fato de não possuir uma característica racial (ou mesmo sanguínea) de apenas um povo. Não sou negro, tampouco branco ou indígena. Carrego em meu DNA um pouco do sangue dessas etnias. Por isso, defino-me como mestiço. Tenho certeza de que muitos pensam dessa maneira. O problema é que com a ascensão dos movimentos racialistas (especificamente o movimento negro) nossa identidade mestiça está por um fio. Tentarei explicar as razões disso.

Tal movimento reivindica uma série de supostos direitos e uma “compensação histórica” pelo sofrimento dos escravos negros aqui no Brasil. Com isso, reivindicam cotas e outros privilégios, a parte mais delicada dessa questão, ao meu ver. Primeiramente, vejo essa questão de “compensação histórica” como uma manipulação grosseira da história, típica de marxistas. Aqueles que procuram um maior conhecimento sobre o assunto verão que a escravidão não fora exclusivamente feita por questões raciais. Os próprios africanos (negros) vendiam seus inimigos como escravos para os brancos. Muitos mulatos tiveram escravos. Alguns dizem que o próprio Zumbi tivera escravos. Mesmo assim, ainda insistem em reivindicar privilégios por isso. Aí que entra o meu incômodo.

A fim de obter maior representatividade, como se fossem um movimento forte com muitos adeptos, o movimento negro deturpa números. Segundo alguns dados de pesquisas raciais no Brasil, cerca de 43% da população se declara parda (mestiça) e 7% da população se declara negra. Porém, usurpando totalmente a voz dos outros, o movimento negro diz que 50% da população é negra. Fazem isso pois imitam os movimentos negros americanos. Por lá, se alguém tiver um antepassado negro, não importando o grau de parentesco, é considerado negro também (regra da gota de sangue única). Se depender desse movimento, nossa identidade foi para o espaço.

O pior é que com certos privilégios que tais movimentos recebem, surge um novo racismo no Brasil. Brancos pobres, que também não vivem em boas condições de vida, sofrem com essa espécie de “Apartheid” e os velhos conflitos podem voltar à tona, sobrando para nós também, os mestiços, já que ficamos à margem de tudo isso, pois se não somos brancos e tampouco negros, poderemos sofrer represálias de ambas as partes.

Resumo da “ópera”: infelizmente, esses neoracialismos são altamente nocivos para uma convivência harmoniosa dos povos. Creio ser preciso erradicá-lo. Como fazer isso? Bom, não sei ao certo. Mas se continuar do jeito que está, prevejo uma situação ainda mais caótica e perigosa para o nosso país futuramente.

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Posted in Artigos, Português.


9 Responses

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  1. Leão says

    Marcia/Maria,

    Observastes como esta política está ocorrendo exatamente nesta época em que os pardos estão voltando a ser maioria, como eram no séc. XIX quando a ideologia do embranquecimento promoveu a migração de europeus para o Brasil? Veja o censo de 1872.
    Observastes como o PT está promovendo a vinda de imigrantes portugueses e espanhóis, propiciando o embranquecimento da classe alta e média do país, ou seja, dos setores com maior poder de influência política?
    Observastes que a presidente Dilma Rousseff enviou um PL com a finalidade de mudar o Estatuto do Estrangeiro para facilitar isto, inclusive privilegiando ricos?
    Já pesquisastes sobre a ECR-3?
    Já pesquisastes sobre o PL petista que cria ‘territórios brancos’?

    Por que será que não se encontra – ainda não encontrei – críticas a isso por parte da SEPPIR?

    A mestiçagem é um problema para os que desejam a manutenção de uma supremacia branca no país e o petismo, com o discurso da defesa de negros e índios, está implantando no Brasil o branco-indigenismo sul-africano, uma ideologia do pós-guerra criada exatamente com esta finalidade de combater a mestiçagem.

  2. Leão says

    Peter, exatamente – e com apoio de colaboradores internos.

  3. Peter de Mambla says

    Este divisao e enfraquecemento do pais eh conducido por fora!

  4. Oiticica says

    ALGUÉM JÁ VIU MOVIMENTO NEGRO DEFENDER NEGRO EXPULSO PELA FUNAI?

  5. Marcia says

    Não me surpreende em nada o seu discurso, que é consequência da ideologia do branqueamento que ocorreu no Brasil a partir do século XIX, ou seja, quanto mais distante do gradiente étnico negro eu estiver, mais me aproximarei do gradiente étnico branco, que é mais valorizado e apreciado na nossa sociedade. Reconhecer-me negro pra que, em uma sociedade que não valoriza as características fenotípicas e trata a pessoa negra como inferior né?
    Sou filha de pai negro e mãe branca, as pessoas me consideram “parda” ou “mestiça” como você se refere. No entanto, quando eu estou com a minha mãe, é perceptível o preconceito que as pessoas possuem a respeito de eu ser filha de não ter nascido parecida com a minha mãe, que é branca. As pessoas só faltam falar: que pena, não?

  6. Maria says

    Seu discurso não me surpreende, pois é totalmente baseado na ideologia do branqueamento que o Brasil passou a partir do século XIX, ou seja, quanto mais longe do gradiente de cor negra eu estiver, mais me aproximarei do gradiente de cor branca, dessa forma, manterei os privilégios e os valores positivos associados aos brancos, me afastando dos valores negativos associados aos negros e até podendo ascender socialmente por conta disso.
    Sou filha de pai negro e mãe branca, não tenho a pele escura mas tenho outros fenótipos da raça negra, se forem perguntar para a maioria das pessoas elas me denominarão ”parda” ou “mestiça” como você se enquadra, quando estou ao lado da minha mãe é perceptível a discriminação que existe por eu não parecer com ela, as pessoas só faltam falar: que pena que você não parece com ela! Quer dizer que os pardos também não sofrem discriminação por serem descendentes de negros então?
    Esse movimento só contribui para o enfraquecimento de uma identidade positivamente afirmada da pessoa negra, isso sim. Identidade mestiça? Parei por aqui!

  7. Gabriel says

    Então os negros devem fazer o que? Sentar aos sábados em frente a TV, ligar na Rede Globo e rir ao assistir comediante (mestiço por sinal) caracterizado de mulher negra, fazer chacota dos negros, tudo em nome de uma “convivência harmoniosa entre os povos”?

    No Brasil pretos e índios sempre sofrerão racismo. Como votar democraticamente a favor de qualquer medida em benefício de sua raça quando há 47,7% de brancos e 43,1% de mestiços para votarem contra?

    Ser apenas 7,6% e 0,4%, pretos e índios respectivamente, significa ser uma minoria e minoria significa ser perdedor.

    O Experimento Argentino funcionou por aqui no Brasil.

    1. Privar os pretos de direitos – deixando-os politicamente e economicamente impotentes;

    2. Eliminar sua raça da existência, criando uma massa de mestiços ou indivíduos de “pele clara” que não se identificam nem como brancos e nem como pretos, mas apenas como Brasileiros.

    No final os brancos irão continuar a ser uma minoria racial porém economicamente poderosa – como eles sempre foram por aqui. Eles vão ficar separados das necessidades e desejos dos outros grupos étnicos por um grande grupo de indivíduos mestiços que não tem nenhuma aliança com algum grupo racial em particular mas apenas com sua nacionalidade.

    Se o debate sobre racismo, graças ao movimento negro, não tivesse ressurgido nos últimos tempos, ninguém iria parar e se perguntar o motivo pelo qual, entre tantos mendigos pretos e mestiços que existem, porque o Mendigo Gato tinha que ser branco!!!

    Tomara que a MIss Bahia 2013, preta, seja coroada Miss Brasil. Seria ela a SEGUNDA Miss Brasil não-branca da história de um país majoritariamente mestiço?

    .

  8. Leão says

    Helio, concordo com o que disse em gênero, número e grau.
    É fundamental nós, mestiços, não aceitarmos esta situação e agirmos, inclusive por meio de artigos como este, do Jefferson.

  9. Helio says

    Parabéns, Jefferson! Vamos acordar, no mínimo, esses 45% de mestiços da população brasileira, que não perceberam que sua identidade foi eliminada pelo Estatuto da Igualdade Racial. A adulteração, efetivada pelo PT e pelo movimento negro, da realidade racial brasileira é imoral e inaceitável.



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