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Conservadores iniciaram a luta contra o racismo no Brasil – Leão Alves

Um artigo de autor petista traz diversas ideias e afirmações equivocadas sobre a questão racial e étnica no Brasil e nos EUA que são exemplos da debilidade da ideologia que sustenta a política mestiçofóbica do Partido dos Trabalhadores (PT), que tem avançado graças ao poder econômico e político que a ocupação da Presidência da República propicia. Em dois artigos, farei comentários pessoais sobre o mesmo.

Os equívocos do texto começam pelo próprio título, “EUA imitam Brasil ao retirar classificação negro/negra do censo”. Os EUA não imitaram o Brasil, pois o Brasil nunca adotou a palavra ‘negro’ em seus censos, sendo impossível retirar aquilo que nunca foi colocado.

Nos EUA, a introdução da palavra Negro no censo de 1930 deu-se por pressão não dos Blacks (pretos) ou dos mestiços Mulattos (mulatos), mas por grupos racistas, como a Ku Klux Klan, que viam na unificação das categorias Black e Mulatto uma forma de controlar e evitar o que o racismo mais teme: a mestiçagem. Na mesma época estavam sendo aprovadas leis proibindo casamentos inter-raciais.

Blacks e Mulattos constavam no censo dos EUA desde 1850. Para saber mais sobre isto, recomendamos o texto do site do Nação Mestiça, O mulato no censo dos EUA.  Desde 2000, os norte-americanos com mais de uma origem étnica ou racial voltaram a ser registrados pelo censo.

Poderia comentar sobre a afirmação de que “no Brasil a burguesia é inteiramente branca”, mas basta solicitar a quem afirma a prova desta declaração completamente infundada.

Também não vou comentar, pelo menos agora, sobre a confusão que há no texto entre os termos Nação e Estado, pois pretendo escrever sobre a importância dessa distinção em outro artigo.

Também o fato de que nunca constou nos censos oficiais dos EUA a palavra ‘nigger‘, mas ‘Negro‘ (que é a palavra que está sendo retirada), invalida diversas afirmações do artigo dispensando comentários sobre estas.

Observando outro equívoco do artigo, cabe informar que no censo dos EUA a palavra que consta não é Afro-American, mas African American, resumida na forma African Am., que vem após a palavra Black.

Conservadores foram os primeiros a se mobilizarem contra o racismo no Brasil

É significativa, porém, a afirmação no artigo, “No Brasil graças às lutas dos movimentos sociais antirracistas de ampla maioria de negros e de negras que surgiram a partir da década de 1970…” Por que só teriam surgido nesta época? Por que só por volta dos anos de 1970?

Porque nesta época ideólogos e líderes marxistas no Brasil concluíram que poderiam submeter a questão étnica e racial a seus objetivos políticos. A maioria, senão todos eles, poderia ser incluída na categoria “burguesia branca” como empregada no artigo (e que pode ser encontrada com facilidade na Presidência da República e em outros cargos de destaque ocupados pelo petismo).

Já bem antes dessa época, os movimentos identificados como negros foram basicamente conservadores e nacionalistas, como a monarquista Guarda Negra e a Frente Negra Brasileira.

Muitos afrodescendentes iludem-se com o marxismo e desconhecem suas origens e ideologia. O marxismo e o “racismo científico” são filhos do Iluminismo e do Humanismo. O racismo do próprio Karl Marx, de Josef Stálin, dos fidalgos Friedrich Engels e Che Guevara e de outros nomes de destaque do comunismo, e sua influência nesta postura, merece ser pesquisado e divulgado.

Enquanto o marxismo no Brasil não tinha uma política contra o racismo, nos EUA o pastor Martin Luther King Jr., conjuntamente com outros conservadores, reagiam ao racismo oficial que imperava naquele país. O pastor Martin Luther King era filiado ao Partido Republicano, fundado por de Abraham Lincoln e ao qual se contrapunha o partido preferido pela Ku Klux Klan e principal promotor das leis de segregação racial e mestiçofóbicas dos EUA, o Partido Democrata. Lembrando o comportamento da esquerda no Brasil em relação ao racismo, o Partido Democrata só tardiamente interessou-se pelos problemas sociais dos africano-americanos.

No Brasil, desde o período colonial, pardos e pretos organizaram-se em irmandades religiosas para ajudarem-se e protegerem-se.

Afirma o artigo petista, “Embora antirracialistas tanto o ‘Movimento’ quanto os intelectuais não se fazem de rogados de negarem ser antirracistas.  Tal ‘Movimento’ utiliza como slogan de seu site ‘Nação Mestiça’ frases do polímato da inteiramente branca burguesia no Brasil, Gilberto Freire (1900-1987): ‘A mestiçagem unifica os homens separados pelos mitos raciais. A mestiçagem reúne sociedades divididas pelas místicas raciais e grupos inimigos. A mestiçagem reorganiza nações comprometidas em suas unidades e em seus destinos pelas superstições sociais’.” [sic]

Sabendo do interesse tardio dos mentores do petismo pela questão racial, não fica difícil responder à questão: qual a atividade a favor dos afro-brasileiros estava sendo realizada pelos marxistas quando Gilberto Freyre realizava, em 1934, o I Congresso Afro-Brasileiro? Talvez estivessem fazendo o mesmo que o governo do Partido dos Trabalhadores faz quando afrodescendentes são expulsos pela Fundação Nacional do Índio (Funai) para a criação de terras exclusivas para indígenas.

Se Gilberto Freyre era branco ou não, não há problema nenhum – ser branco não é defeito.

Leão Alves é secretário geral do Nação Mestiça.

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