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Indígenas querem fazer “saneamento” de mestiços na Nicarágua

NICARÁGUA – Brooklyn Rivera, líder indígena presidente da Comissão de Povos Indígenas do Parlamento nicaraguense, afirmou que o presidente Daniel Ortega prepara um decreto cujo objetivo seria criar uma “comissão de saneamento” para levar até o término o processo de entrega de terras comunais a povos indígenas caribenhos e controlar o deslocamento de “colonos” mestiços.

Um bloqueio entre Rosita e Bilwi atinge 77 comunidades mestiças e outro entre Rosita e Bonanza envolve 9 comunidades mayangnas devido os conflitos por terra nesta região da Nicarágua que já deixaram cinco feridos.

Autoridades da nación mayangna pediram ao governo de esquerda nicaraguense que faça um “saneamento” na região onde habitam mestiços. Os presidente de quatro governos territoriais indígenas demandaram que mestiços – também identificados como “colonos” pelos líderes indígenas – sejam desalojados da Reserva de Biosfera de Bosawas, também habitada por indígenas.

Mestiços instalaram bloqueios em Bananita na estrada Rosita-Bilwi, na costa El Diablo e Miranda na via Rosita-Miranda e em Bananacruz, na via Rosita-Siuna, como forma de pressão para liberação de um de seus líderes, Manuel Taleno, condenado por um juizado local por uma questão de terra.

Néstor Aragón, um dos líderes do protesto na saída de Rosita a Bilwi, disse que todas as comunidades mestiças da região, que são consideradas como colonos pelos indígenas, também estão protestando para que não sejam expulsas da terra onde estão.

Os indígenas mayangnas mantêm um bloqueio na comunidade de Ispayulilna entre Bonanza e Rosita. Eles exigem a expulsão imediata dos “colonos” e apóiam o processo contra Taleno e outras 18 lideranças mestiças.

O presidente da nación mayangna, Aricio Genaro Celso, disse que seis dos territorios mayangnas têm titulada uma área de oito mil quilômetros cuadrados.

“Esgotamos todos os caminhos e decidimos que neste momento queremos que, por exemplo, que a Procuradoria Geral da República emita uma resolução que diga que essa terra é dos territórios indígenas e não se pode fazer invasões; se não o fazem as pessoas crêem que as terras estão livres”, disse Genero Celso.

Néstor Aragón, um dos líderes mestiços, disse que são umas cinco mil pessoas que habitam as 17 comunidades que estão afetadas pelos títulos que o governo nicaraguense outorgou aos indígenas.

Uma carta de uma comissão de direitos humanos dirigida ao presidente Daniel Ortega afirmou que não buscar “uma saída negociada para o problema” pode levar a derramamento de sangue.

Os manifestantes mestiços demandam uma revisão dos títulos outorgados aos indígenas, pois não confiam nas autoridades.

Com informações de La Prensa, 01/03/2013, e de Servindi, 01/03/2013.

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