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Antropólogo nega existência de indígenas boraris

edward_luz1A despeito do que dizem os antropólogos e os laudos da FUNAI, não existem dados e evidencias socioculturais que confirmem a existência na região do baixo Tapajós, nem na calha do Arapiuns, nenhuma sociedade ou mesmo comunidade indígena Borarí ou Arapiuns ou qualquer outra que tenha recentemente se identificada como indígena.

SANTARÉM – Em carta enviada à redação desta GAZETA, o antropólogo Edward M. Luz criticou e negou a existência de qualquer sociedade ou mesmo comunidade indígena borari ou Arapiuns.

“Manipulação identitária é um dos fenômenos mais comuns, documentados e frequentes em toda história da humanidade. Ocorreu e ocorrerá toda vez que um determinado Estado órgão dotado de algum tipo de poder, estabelece critérios identitários para punir ou beneficiar uma determinada população. Sempre que há promessas reais ou fictícias de quaisquer benefícios para um determinado grupo com tais e tais características, a tendência humana lógica é reagir positivamente a este estímulo, no sentido de amoldar-se para encaixar dentro daqueles parâmetros estabelecidos de modo a se tornar merecedor destes benefícios.

Assim, a manipulação da identidade étnica vem se tornando, apesar de perverso, um fenômeno cada vez mais frequente em todo território nacional. O caso das comunidades que só recentemente passaram a se identificar como Boraris é um exemplo paradigmático a revelar de uma só vez, todas as perversas inversões e corrupções deste esquema corrupto e corruptor de se obter benefícios estatais de forma indevida.

Eu testemunhei, documentei e registrei esses fatos em detalhes extraindo daí a mais lógica e inequívoca interpretação antropológica que deles se pode ter: A despeito do que dizem os antropólogos e os laudos da FUNAI, não existem dados e evidencias socioculturais que confirmem a existência na região do baixo Tapajós, nem na calha do Arapiuns, nenhuma sociedade ou mesmo comunidade indígena Borarí ou Arapiuns ou qualquer outra que tenha recentemente se identificada como indígena.

Em maio de 2010 fui contratado pela ACUTARM ((Associação das Comunidades Unidas e Trabalhadoras na Agricultura Rural do rio Maró) que solicitou meus serviços de assessoria antropológica face aos novos desafios de um processo de manipulação identitária que eclodira recentemente.

Num período de dois anos realizei cinco pesquisas de campo na região, intercaladas com períodos de pesquisa bibliográfica e histórica. Fui a campo nos meses de junho e setembro de 2010; fevereiro, setembro e novembro de 2011, em todas estas ocasiões permaneci por períodos de 7 a 8 dias, totalizando 38 a 39 dias de estudos na região, nas quais visitei mais de 28 comunidades da bacia do Arapiuns, Aruã, Maró e Tapajós, além de Alter do Chão  onde coletei relatos, entrevistas e impressionantes depoimentos que me revelaram em detalhes o lado perverso e injusto do sistema de manipulação identitária, acobertado, legitimado e celebrado pelo título enganoso de Etnogênese.

O que ví e encontrei no baixo Tapajós e na calha do Arapiuns foi um poderoso esquema corrompido e corruptor arquitetado por um engenheiro social, Frei Franciscano Florêncio A. Vaz, e implementado por seus seguidores e asseclas que decididos a obterem do estado brasileiro o reconhecimento do status de minoria étnica, fizeram tudo o que poderiam fazer, e conforme me foi relatado em campo, lançaram mão de uma série de expedientes escusos para alcançar este fim e alguns deles ilegais, como coletar assinaturas em folhas sem cabeçalho, que depois se revelaram solicitações para Terras Indígenas.

Enquanto o líder espiritual apregoava sua mensagem de aversão e ódio à identidade cabocla e mestiça, que considera uma “excrecência histórica” e a superioridade do porte e da nobreza espiritual indígena transbordante de orgulho etnocêntrico, suas duas filhas gêmeas empenhavam-se em providenciar o milagre da consubstanciação ou ressurreição étnica, ou a mais próxima imitação que conseguiam chegar disto.

Municiados de falsas promessas de um glorioso futuro, o Grupo de Consciência Indígena (GCI) e o Conselho Indígena do Tapajós e Arapiuns (CITA), mercantilizavam os benefícios estatais em troca de adesão ao seu projeto político etnicizante, prometendo à aqueles que se identificassem como indígenas, um paraíso bem mais materialista, aqui na terra mesmo, com direito à Bolsa Família, bolsa maternidade, aposentadoria facilitada, além é claro empregos nas escolas especiais indígenas e nos distritos de  saúde especial indígena (DSEIs) e é claro, o objetivo maior de toda mobilização, alcançar a tão sonhada terra prometida, onde as forças do maligno sistema capitalista não vigoram e o paraíso comunista terral predomina.

Para comprovar os elementos supostamente diacríticos que deveriam ser apresentados como prova de suposta indianidade, o Messias redentor etnicizante teve uma ideia perversa: apropriar-se de todos os elementos da história e da cultura cabocla mestiça do Oeste do Pará pretendendo apresenta-los como prova de indianidade, depois de já ter deturpado a história mestiça da cabanagem e da Pajelança Cabocla, como se indígenas fossem, chegou ao cúmulo de tentar se apropriar da mais elevada manifestação cultural sincrética e miscigenada do Pará: a própria festa profano-religiosa do Sairé. Um verdadeiro atentado ao maior patrimônio cultural mestiço paraense e amazônico. Um verdadeiro roubo da história e da cultura.

Evidentemente, todos esses argumentos ruem e não se sustentam quando analisadas à luz da comparação com todos os traços identitários de toda população amazônica. Ao final de minha pesquisa, fui obrigado a reconhecer que não existem quaisquer fatores socioculturais diacríticos que justifiquem e autorizem uma inequívoca identificação dos solicitantes como comunidade, sociedade e muito menos povo indígena Borari, Arapiuns ou Jaraqui. No oeste do Pará, o único elemento que, diferencia aqueles que passaram a se identificar como indígenas, do resto da população cabocla mestiça da região, é o fato de, por meio de longo e incessante período de intenso trabalho de proselitismo étnico, terem aderido a um projeto de criação, manutenção e expansão de um novo agrupamento ou facção política, cuja liderança apela para o reconhecimento étnico enquanto estratégia de luta, enquanto a massa mal informada do movimento espera apenas a solução mais curta para sanar seus problemas socioeconômicos decorrentes do abandono do Estado.

É então, baseado a autoridade etnográfica, que o volume, a consistência dos dados históricos, etnográficos, linguísticos e socioculturais me conferem, que apresentei e sustento esta conclusão às autoridades responsáveis e continuarei apresentando onde quer que seja e em qualquer instancia de qualquer um dos três poderes do Estado Brasileiro. A melhor interpretação dos fatos aponta para uma identificação de tais indivíduos e comunidades como pertencentes a uma única macro-sociedade do Oeste do Pará, igualmente herdeira da mesma carga biológica mestiça e da mesma herança sociocultural cabocla amazônica da região. Agindo sob orientação política de viés multiculturalista, estes grupos que agora demandam reconhecimento do Estado, tentam indevidamente obter os benefícios estatais assegurados pela Constituição que não lhe cabem, pelo menos, não por esta via étnica, posto que seria injusto com todos os demais membros da mesma sociedade a que pertencem. Este é o meu parecer.

Edward M. Luz. Antropólogo Consultor

De Gazeta de Santarém, 25/02/2013.

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