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O mestiço brasileiro é povo nativo: registro histórico de sua origem

CAPÍTULO VIGÉSIMO
Das entradas, que neste tempo se fizeram pelo sertão
Não ficaram pouco pesarosos os moradores da Bahia, que acompanharam o governador ao rio Real, por não acharem o gentio, que buscavam, para o cativarem, e se servirem dele como aqueles a quem havia levado mais esta cobiça que o zelo da nova povoação, que el-rei pretendia se fizesse; mas ainda se ajudaram do sucesso para seu intento, dizendo ao governador que pois as guerras afugentavam os gentios, como se vira nesta, e nas que seu antecessor lhes havia feitas, com que os fez afastar do mar mais de sessenta léguas, seria melhor trazê-los por paz, e per persuasão de
mamalucos, que por eles saberem a língua, e pelo parentesco, que com eles tinham / porque mamalucos chamamos mestiços, que são filhos de brancos, e de índias/, os trariam mais facilmente que por armas.”

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O governo federal petista, apoiado por grupos também mestiçofóbicos, possui uma ideologia e política de eliminação étnica do povo mestiço e de imposição da identidade negra a estes. Isto faz parte de sua política de fragmentação étnica, racial e territorial do povo e de desnacionalização do Estado brasileiro. A ideia de que mestiços sejam negros não têm qualquer base histórica e racional. Abaixo, registros históricos sobre a origem do povo mestiço onde fica bem explícita sua origem nativa,  e como mestiços eram identificados como distintos de indígenas, brancos e negros.

Hans Staden (c.1525-c.1579), Meu Cativeiro entre os Selvagens do Brasil, p. 50, 51:

CAPÍTULO XV

Do lugar d’onde lhes vem maiores males e sua situação

A cinco milhas de S. Vicente há um lugar chamado Bertioga que esses índios inimigos occupavam antes de se dirigirem para a ilha de Santo Amaro e para o interior.

Afim de tomar o passo aos índios, cinco irmãos mamelucos, filhos de pae portuguez e mãe indígena, todos christãos e conhecedores da língua da terra e da portugueza, haviam, dois annos antes, resolvido erguer ali um forte. Eram elles João, Diogo, Domingos, Francisco e André de Braga, filhos de Diogo de Braga. A esses colonos se juntaram mais alguns portuguezes, attrahidos pela bondade da terra.

Os tupinambás souberam da erecção do fortim e prepararam uma expedição contra. Vieram uma noite com 70 canôas e, conforme seu costume, atacaram-nos de madrugada. Os mamelucos e os portugueses, bem como os alliados selvagens que tinham comsigo, entrincheiraram- se em suas casas de pau a pique e defenderam-se quanto puderam. Mas foram vencidos. Os tupinambás incendiaram a fortificação de Bertioga e apresaram os índios, que foram esquartejados e levados assim em postas para a terra dos vencedores. Quiz Deus que os mamelucos e os portuguezes se salvassem milagrossamente.

Frei Vicente do Salvador (c.1564-c.1636), História do Brasil:

CAPÍTULO VIGÉSIMO

Das entradas, que neste tempo se fizeram pelo sertão

Não ficaram pouco pesarosos os moradores da Bahia, que acompanharam o governador ao rio Real, por não acharem o gentio, que buscavam, para o cativarem, e se servirem dele como aqueles a quem havia levado mais esta cobiça que o zelo da nova povoação, que el-rei pretendia se fizesse; mas ainda se ajudaram do sucesso para seu intento, dizendo ao governador que pois as guerras afugentavam os gentios, como se vira nesta, e nas que seu antecessor lhes havia feitas, com que os fez afastar do mar mais de sessenta léguas, seria melhor trazê-los por paz, e per persuasão de mamalucos, que por eles saberem a língua, e pelo parentesco, que com eles tinham / porque mamalucos chamamos mestiços, que são filhos de brancos, e de índias/, os trariam mais facilmente que por armas.

Por estas razões, ou por comprazer aos suplicantes, deu o governador as licenças, que lhe pediram, para mandarem ao sertão descer índios por meio dos mamalucos, os quais não iam tão confiados na eloqüência, que não levassem muitos soldados brancos, e índios confederados, e amigos, com suas flechas, e armas, com as quais, quando não queriam por paz, e por vontade, os traziam por guerra, e por força: mas ordinariamente bastava a língua do parente mamaluco, que lhes representava a fartura do peixe, e mariscos do mar, de que lá careciam, a liberdade de que haviam de gozar, a qual não teriam se os trouxessem por guerra.

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