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Rótulos que marcam – Ernesto Caruso

Às vezes negativamente, uns sintetizam comportamentos como a lembrar de uma propaganda onde o mote era que o brasileiro gosta de levar vantagem em tudo. Ficou conhecida como a “lei-do-Gerson”. O produto caiu no esquecimento.

As cotas raciais podem dar a conotação negativa que não é o espírito da lei, quem sabe com a pitada da demagogia, mas que vão rotular uma geração. Sabe-se que tais cotas impõem ingresso nas faculdades com as notas mais baixas, ou seja, o filtro do mérito pelo melhor desempenho tem uma brecha a favorecer os menos preparados, que um dia receberão os diplomas e vão enfrentar o dia-a-dia da competição e da competência. Para exemplificar, os erros médicos de hoje, pela má formação acadêmica e, estado deprimente dos hospitais, não têm uma marca a não ser do gênero humano mal preparado pelo ente público.

O Congresso aprovou e o STF decidiu que o sistema de cotas raciais em universidades é constitucional. As razões dos ministros giraram em torno de que se deve tratar de modo diferente pessoas desiguais, mesmo arranhando o Art. 5º, “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,..” e valorizando o Art. 3º que elenca os objetivos de construir uma sociedade livre, justa e solidária, de erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais e promover, o bem de todos. Sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade.

Ora, quando a CF impõe como uma das metas do Art. 3º, de “reduzir as desigualdades sociais” não está implícito que alguns sejam prejudicados e outros favorecidos, principalmente considerando o grau maior ou menor da mestiçagem intimamente ligada aos aspectos de etnia, raça, a desaguar no abominável racismo, indutor de confrontos na História da humanidade, só comparável àqueles de fundo religioso.

Estímulos e incentivos são tolerados, a despeito do texto, “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações,…” (Art. 5º/CF). O apoio ao mais fraco ou deficiente, quando agasalha o gênero, homens, mulheres, não agride. Se a legislação estabelece cota para deficientes físicos, ninguém reage, pois a natureza humana se engrandece diante daqueles com necessidades especiais e, sem considerar o amor próprio da pessoa viver como os demais, e que sob o véu da economia toda a sociedade ganha, a incorporar mais um cidadão.

Cor da pele, raça, etnia não são deficiências, nem insuficiências, ter ou não dinheiro para se instruir, sim. O Estado deve corrigir as distorções. Mas, o quê esperar desse Estado deteriorado pela corrupção, corpo com infecção generalizada nos corredores do SUS, infectos, onde morrem desassistidos brasileiros de todas as origens, de todas as cores, com a pele da pobreza e do abandono.

O processo de inclusão do pobre, naturalmente vai beneficiar a todos independente do grau de miscigenação. Pobre negro, pobre branco e pobre mestiço estão na fila da sobrevivência.

Marcados pelas cotas, uns estarão porque as usaram e, outros estarão marcados, mesmo que não as tenham aproveitado. Realidade que se espera, seja mudada.

A miscigenação é o cerne da nação brasileira que vem sendo mascarada enquadrando ou forçando o enquadramento do mestiço como negro. Negação à componente branca.

Inaceitável o que sugere a ministra petista da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), ao explicar que o programa é para os negros (Igualdade Racial?!) e condiciona beneficiar caboclos e ribeirinhos da Amazônia se se declararem negros (Vídeo na Nação Mestiça).

A intolerância racial está sendo costurada por interesses escusos e ingenuidade dos que não sentem a intenção de alguns em fomentar mais uma divisão na Unidade Nacional. Filhos são frutos do amor de pais e mães de diferentes origens e, que quando os olham, sentem orgulho de ambos sem discriminá-los, nem ordená-los.

Ernesto Caruso é Coronel reformado do EB.

De Alerta Total, 30/10/2012.

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Posted in Mestiçofobia | Desmestiçagem.

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