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Racismo de jesuítas brancos contra pardos

A partir de 1662, a Camara Municipal da Bahia enviou ao rei nume-rosos requerimentos pedindo a equivalência dos graus conferidos pelo Colégio local ao de Évora, também dirigido pelos jesuítas. Chamados a dar parecer sobre a questão, os dirigentes da Universidade de Coimbra opuseram-se à extensão do privilégio.”

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Atualmente uma das mais danosas ações de organizações religiosas católicas contra pardos ocorre no apoio à limpeza étnica do povo mestiço promovida pelo Governo Federal petista para a implantação de bantustões indigenistas.

Ações deste tipo não são recentes. Durante o período colonial, a hostilidade de jesuítas brancos contra mestiços manifestou-se em diversos atos discriminatórios. Um destes, o impedimento para que estudantes pardos estudassem em escolas da Companhia de Jesus, é tratado neste artigo.

A partir de 1662, a Câmara Municipal da Bahia enviou ao rei numerosos requerimentos pedindo a equivalência dos graus conferidos pelo Colégio local ao de Évora, também dirigido pelos jesuítas. Chamados a dar parecer sobre a questão, os dirigentes da Universidade de Coimbra opuseram-se à extensão do privilégio.

A “questão dos moços pardos”, além do esforço de restrição dos privilégios de Coimbra, contribuiu fortemente para que se retardasse o re-conhecimento dos cursos (…).

O padre jesuíta Antônio de Oliveira, indo a Portugal como procura-dor do Estado do Brasil, tratou com o ministro do rei, entre outras questões, do reconhecimento dos cursos de Artes feitos conforme o direito pontifício. A negativa cio ministro baseou-se no fato de que os brancos da Bahia não queriam que seus filhos estudassem ao lado dos “pardos” que, por essa época, estavam impedidos de pertencer a todas as ordens religiosas “por estarem atreitos a rixas e vadiagem” (…). Mais tarde, tendo aquele procurador sido nomeado Provincial, em 1681, expulsou todos os “moços pardos” dos colégios jesuítas. Os prejudicados fizeram, então, uma petição ao rei, indagando a razão pela qual eram admitidos nos colégios reais da Metrópole, sendo, entretanto, impedidos de freqüentar os colégios jesuítas do Brasil.

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Iniciou-se unia disputa entre o Estado e a Companhia de Jesus. O Estado dizia que os colégios eram públicos porque sua atividade era subsidiada pelo Estado. Não podiam, portanto, impedir a admissão de candidatos de qualquer categoria social. A Companhia, por seu lado, dizia que a subvenção do Estado era destinada á conversão dos indígenas, e seus colégios (principalmente os cursos de Humanidades e os superiores) eram atividades adicionais, particulares. E, sendo particulares, podiam escolher seus destinatários como lhes aprouvesse.

Após muitas querelas e elucubrações jurídicas, chegou-se a um acor-do. Os jesuítas abandonaram sua posição inicial e, por meio do Governador-Geral do Brasil, informaram ao rei que

a exclusão dos moços pardos se justificou mais pelo número dos que entravam que pelo mau exemplo que davam aos brancos; era informado ¡o governador-geral] que muitos procuravam melhorar a fortuna da sua cor na estudiosa aplicação com que procuravam excedê-los, e seria estímulo mui honesto para o procedimento dos brancos e emulação dos pardos. (…)

O Estado, finalmente, em 1689, através de uma carta régia, deu estatuto civil aos colégios jesuítas no Brasil. Os estudantes que fossem graduados em Filosofia já não precisavam freqüentar cursos complementares nem se submeter a exames de “equivalência” se pretendessem ingressar nos cursos de Direito, Cánones, Medicina e Teologia na Universidade de Coimbra»

De A universidade temporã: o ensino superior da colônia à era Vargas, de Luiz Antônio Constant Rodrigues da Cunha, pág. 33-35.
Cópia da “Provisão de 28 de Fevereiro de 1689, que manda que os Religiosos da Companhia de Jesus do Colégio da Baía admitam a estudar nas suas escolas os moços pardos”.
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