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Evo Morales promove racismo “sem raça” contra mestiços – Leão Alves

evoO primeiro objetivo de todo racismo é evitar a mestiçagem, por isto o mestiço será sempre o seu maior inimigo. O que, então, nestes tempos em que o racismo não é tão bem visto como no passado, um racista precisaria fazer para discriminar mestiços sem aparentar seu racismo – e até posar de paladino da luta contra o mesmo? O governo do presidente da Bolívia, Evo Morales, está testando esta fórmula: negar que raças existam. Para o governo de Evo Morales, do partido Movimento ao Socialismo (MAS), um primo do Partido dos Trabalhadores (PT), a palavra ‘mestiço’ refere-se a raça e isto seria motivo suficiente para negar aos mestiços o direito de identificarem-se como tais no censo.

Ou seja, para o governo não há problema nenhum no racismo e na discriminação contra mestiços, haveria na crença em raças.

Contraditoriamente, o governo de Evo Morales, que é índio aimará, não vê (?) racialidade nem problema algum na inclusão no censo da palavra “afro-colombiano” nem, em publicações oficiais, da palavra “indígena”, com como ocorre no site do Instituto Nacional de Estatística (INE), o órgão responsável pelo censo daquele país.

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Substituir leis que privilegiam explicitamente determinada raça por leis que privilegiam determinadas etnias é uma manobra usada para camuflar racismo. Em vez de propor leis privilegiando explicitamente as raças indígena, branca ou negra, o legislador sutil e moderno, após realçar que raça é coisa de cachorro e que só existe a raça humana, pode apresentar seu projeto de lei destinado a proteger e preservar “etnias indígenas”, “povos tradicionais”, etc.

A negação do mestiço é parte essencial da política do presidente Evo Morales, que instituiu um Vice-ministério da Descolonização que, como o nome já indica, tem o objetivo de apagar da Bolívia o legado dos colonizadores brancos europeus (ou, melhor, o que o governo entende como tal), o que inclui a mestiçagem destes como os indígenas originais. O censo boliviano não trás também a opção branco e sobre os mestiços o titular da pasta, o também aimará Félix Cárdenas, comentou, “Se compararmos com os aimarás, há um território mestiço próprio? Há uma cultura mestiça própria? Há um idioma mestiço próprio? Há uma religião mestiça própria?” E conclui com esta manobra diversionista: “Se há, discutamos“.

A Bolívia é um dos países que assinaram a Declaração de Durban, documento de 2001 da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o racismo, que reconhece a negação da existência dos mestiços como uma forma sutil de discriminação.

O debate sobre a exclusão do mestiço do censo tem sido grande na Bolívia, com manifestações de populares, políticos, escritores, jornalistas e outros; estranhamente na mídia brasileira e em língua inglesa, onde até joelhada do presidente Evo Morales nas partes baixas de um adversário numa pelada ganha destaque em telejornal,  há quase um completo silêncio sobre o assunto, o que passa a impressão de que não é só no governo boliviano que se encontram pessoas que acreditam que discriminar mestiço não seja racismo, ou aprovam isto.

O site da presidência da Bolívia afirma que o censo que será realizado no dia 21 de novembro terá um custo de U$ 50.000.000 financiados pelo Banco Mundial.

Leão Alves é secretário geral do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro (Nação Mestiça).

Os vídeos e os textos postados assinados por seus autores e os noticiosos e de outros sites lincados são de inteira responsabilidade dos mesmos não representando no todo ou em parte posicionamentos do Nação Mestiça. Divulgue este site.

Posted in Artigos, Leão Alves, Masismo, Mestiçofobia | Desmestiçagem, Multiculturalismo, Português.

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