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Os partidos que querem dividir o Brasil – Leão Alves

No artigo “Ataque do DEM aos direitos dos negros e dos índios”, o coordenador geral da Unegro, Edson França, afirma que determinados opositores das cotas racias “vaticinam que a implantação de cota criará divisão e conflitos entre negros e brancos pobres”. Isto me trouxe à memória a primeira conferência da igualdade racial do Amazonas, em 2005. Edson França não faz referência aos conflitos entre mestiços e negros que ele assistiu pessoalmente quando esteve nesta conferência acompanhando a comitiva da SEPPIR que veio a Manaus.

Cita ele em seu artigo o Plano de Ação de Durban; não cita a Declaração de Durban na qual aquele está baseado e que condena uma prática oficial do atual governo, a  discriminação contra mestiços por meio da negação de sua existência. Esta ideologia racista tem sido a base da política defendida no PL do Estatuto “da Igualdade” Racial e a inspiração para as discriminações contra pardos no sistema de cotas “raciais” da UnB e de outras universidades.

Nunca é suficiente lembrar que este discurso visando à imposição da identidade negra a pardos e pretos adotado pela SEPPIR, pelo sistema de cotas da UnB e por determinados partidos, foi também o discurso de instituições como a Ku Klux Klan, uma organização racista de filhos e de ex-senhores de escravos dos EUA. No Brasil, as atuais ideologias contra a identidade mestiça têm fonte em pensadores como Florestan Fernandes e o antropólogo Kabengele Munanga.

O artigo também refere-se à “promoção do pluralismo e da superação de estereótipos negativos sobre os negros”, mas não faz referência à exclusão dos caboclos, mulatos e outros mestiços deste “pluralismo” e à construção de estereótipos negativos contra os mesmos por ideólogos hostis à mestiçagem.

Refere-se à “compensação (…) dos crimes da escravidão, do genocídio indígena e da marginalização do negro nas décadas iniciais da República”, mas silencia que milhões de pobres de cor branca são mestiços descendentes destes indígenas e de pretos africanos e que o sistema de cotas “raciais” que vem sendo adotado também os exclui desta compensação.

Nenhuma referência também faz a medidas como tornar as escolas públicas a porta de entrada das universidades públicas e a obrigatoriedade do ensino fundamental em período integral. Estas medidas beneficiariam um número muitíssimo maior de pretos e pardos do que ofertar cotas “raciais” visando ao enegrecimento ideológico dos mulatos e caboclos. Não sei se o silêncio se deve ao fato da PEC 94/03, visando à última proposta, ser de autoria do senador Demóstenes Torres, do DEM. A submissão de movimentos étnicos a interesses partidários é um problema.

Não é raro ouvirmos parlamentares fazendo elogiosas referências a mestiços e caboclos em seus discursos públicos – uns até se “assumem” como tais -, mas em seus partidos e no poder assinam decretos e apóiam leis a favor da “desintrusão” de caboclos, do “enegrecimento” oficial dos pardos e mulatos, do “pluralismo” sem mestiçagem.

Tirar a vaga de um branco pobre e passá-la a um preto pobre não custa um centavo ao governo. A melhoria das escolas públicas, porém, exigiria investimento, inclusive para atender a uma possível migração proveniente das particulares. Por que todo este esforço e energia empregado na defesa de cotas “raciais” não é empregado para cobrar dos parlamentares e do governo que instituam leis que levem a maiores investimentos nas escolas onde já estão os pretos e pardos? Um movimento realmente compromissado com a etnia com a qual afirma estar identificado não hesitaria em fazê-lo, mas não um movimento-satélite de sigla partidária.

Leão Alves é médico e secretário geral do movimento Nação Mestiça. E-mail: leao_alves@yahoo.com.br

Artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam no todo ou em parte opiniões ou posicionamentos do Nação Mestiça.

Posted in Apartheid no Brasil, Comunismo, Klanismo, Leão Alves, Multiculturalismo, Português, Verwoerdismo | Indigenismo.

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