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O “arquiteto do apartheid” e seus alunos no Brasil – Leão Alves

“Observem a semelhança entre o discurso do principal idealizador do apartheid sul-africano, Hendrik Verwoerd, e a argumentação multiculturalista e mestiçofóbica dos que defendem cotas raciais e territórios exclusivos para indígenas no Brasil. O holandês Hendrik Verwoerd foi primeiro-ministro da África do Sul (1958-1966)”.

H.Verwoerd: “Nossa política é uma, que é chamada por uma palavra africâner, ‘apartheid’, e eu temo que tenha sido mal entendida muito frequentemente. Ela poderia ser tão facilmente, e talvez muito melhor descrita como uma política de boa vizinhança, aceitando que há diferenças entre as pessoas. Mas, enquanto essas diferenças existem, e você tem que as conhecer, ao mesmo tempo, você pode viver junto, ajudar um ao outro, mas isto é feito de forma melhor quando você age como bons vizinhos sempre fazem”.*

O Partido dos Trabalhadores possui uma agenda multiculturalista, que é uma ideologia incentivada pelo globalismo. Em países onde uma identidade étnica ou racial esteja associada à identidade nacional, os multiculturalistas incentivam a miscigenação; nos países onde a identidade mestiça é que esteja associada à identidade nacional (como ocorre na América Latina), os multiculturalistas combatem a miscigenação e a etnia mestiça. Enfraquecendo a nacionalidade, enfraquecem o Estado e a soberania e facilitam a criação dos grandes blocos, como a União Européia. No tratado da Unasul, p. ex., consta a criação de uma cidadania sul-americana no futuro:

“AFIRMANDO sua determinação de construir uma identidade e cidadania sul-americanas e desenvolver um espaço regional integrado no âmbito político, econômico, social, cultural, ambiental, energético e de infra-estrutura, para contribuir para o fortalecimento da unidade da América Latina e Caribe”.

Certamente que não sou contra a miscigenação nem no Brasil nem em qualquer país do mundo. A miscigenação isoladamente é um fenômeno biológico, genealógico. O fenômeno objetivo miscigenação  pode ser acompanhado de conteúdos ideológicos bem distintos e até opostos. No Brasil – o que Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro observaram – e em diversos países da América Latina e em outros continentes, a miscigenação levou à mestiçagem, à formação de nova etnia e de nacionalidade mestiça. A miscigenação neste caso criou identidade nova, mestiça, distinta das que lhe deram origem e com nacionalidade. Para o multiculturalismo isto é um problema, pois ele visa enfraquecer as nacionalidades. Para ele interessa que a miscigenação elimine a identidade nacional. Assim, se num país cuja identidade nacional tenha sido formada por pretos ou por brancos (como ocorre em regra nas nações sub-saarianas e europeias, respectivamente) houvesse uma política oficial de valorização da miscigenação, facilitando a mestiçagem da população, mas de modo que os mestiços fossem educados para preservar e valorizar a história de sua nação, o idioma e outros elementos da identidade de seus ancestrais pretos ou brancos a fim de preservar a unidade e a soberania nacional, esta medida não interessaria ao multiculturalismo. Interessaria, no máximo, se fosse criado um “território mestiço” no meio do país, como há no Canadá e houve na Namíbia durante o domínio sul-africano. O ideal, porém, para o multiculturalismo é que o mestiço seja alguém sem identidade étnica ou nacional, um “cidadão do mundo”. Uma miscigenação que elimine identidades e nacionalidade e não gere nenhuma outra.

A diversidade não é um bem superior à mestiçagem. Do contrário, duas crianças, uma branca e uma preta, seriam essencialmente superiores a duas crianças mestiças – e a ideologia do apartheid estaria correta. Da mesma forma, a diversidade entre as nações não é um bem inferior à diversidade entre as etnias – inclusive porque algumas etnias são inseparáveis da nacionalidade.

A homogeneidade em si não é superior nem inferior à diversidade, mas o multiculturalismo hierarquiza a heterogeneidade acima da homogeneidade nacional, inclusive atuando para que esta não ocorra de forma espontânea.

Toda etnia possui características que a identifica, que são o seu elemento de homogeneidade – ou não é etnia. Esta é a grande contradição do multiculturalismo: ele se manifesta contra a preservação ou promoção da homogeneidade quando esta ocorre de forma nacional, mas defende a homogeneidade quando esta se dá em ilhas, em guetos, em tribos. Ou seja, a nação não pode ter identidade e não pode haver diversidade entre nações. A finalidade disso é realmente enfraquecer a coesão nacional e fortalecer a coesão tribal – até quando estas tribos independem-se e passam a defender suas soberanias e identidade nacional.

A homogeneização do nazismo é a de substituição de uma raça ou etnia por outra, algo parecido à homogeneização territorial nos EUA pelos imigrantes brancos e das “desintrusões” no Brasil atual. Ela ocorre sempre de forma violenta; a homogeneização pela mestiçagem é algo bem distinto e ela em regra ocorre de forma espontânea.

Os nazistas pregam contra a homogeneização se esta levar ao desaparecimento da “raça ariana”. Assim, pregar a heterogeneização também pode ser do interesse de nazistas.

Há nações que são baseadas numa única etnia, como a nação japonesa, e há nações que são baseadas em mais de uma etnia, como a belga. Mesmo nestes países em que há mais de uma etnia, há uma prioridade para estas etnias em relação a outras, ou seja, a heterogeneidade não exclui a existência de um padrão nacional. Por isso, p. ex., no Canadá o inglês e o francês são idiomas oficiais, mas não o português ou o russo. Aceitar que os belgas podem ter sua nação baseada em diversas etnias (que é sua característica), mas os japoneses não podem ter sua nação baseada somente na etnia japonesa (que é sua característica) seria colocar a Bélgica acima do Japão.

Oficializou-se a mestiçofobia no Brasii. Esta legalização começou em 1988 e vai ainda além das cotas. Esta discriminação vai fazer com que mais mestiços comecem a perceber que são mestiços e a defender sua etnia e a identidade mestiça da Nação brasileira. Como a discriminação a mestiços não vai passar desapercebida para sempre para a maioria da população, esta política conduzirá num futuro não muito distante a um efeito contrário ao que pretende: ao fortalecimento da etnia mestiça, à afirmação da brasilidade como inseparável da mestiçagem e à criminalização de toda e qualquer ideologia mestiçofóbica junto a outras formas de racismo. Cabe a nós mestiços isto, pois nós só sucumbiremos ao multiculturalismo e ao petismo se desistirmos de nossa identidade mestiça e não nos organizarmos – para isso é que existe o Nação Mestiça e por isto que ele incomoda tanto os racistas.

Observem a semelhança entre o discurso do principal idealizador do apartheid sul-africano, Hendrik Verwoerd, e a argumentação multiculturalista e mestiçofóbica dos que defendem cotas raciais e territórios exclusivos para indígenas no Brasil. O holandês Hendrik Verwoerd foi primeiro-ministro da África do Sul (1958-1966). Os trechos abaixo são de uma carta sua, datada em 5 de dezembro de 1950, quando era ministro de Assuntos Nativos (que corresponderia ao cargo de presidente da Fundação Nacional do Índio no Brasil), ao Conselho de Representação Nativa (destacamos alguns aspectos):

Mestiçofobia:

“Por razões de simplicidade, não me vou estender aqui no fato de que, em simultâneo com o desenvolvimento desta demanda, ele [o banto] desejará o mesmo nas esferas social, econômica e em outras esferas da vida, envolvendo, no devido tempo, residência misturada, trabalho misturado, convivência misturada, e, eventualmente, uma população miscigenada – apesar do orgulho bem conhecido de ambos, bantos e europeus, de suas respectivas pureza de descendência.”

Desintrusão dos brancos dos ‘territórios indígenas’:

“Na verdade, o centro da política de apartheid está em que, como o banto não precisa mais do Europeu, este tem de ser totalmente removido dos territórios nativos.”

“Além da remoção de focos negros  (e igualmente a desintrusão de focos brancos nas áreas nativas), a política de apartheid é…”

Criação de territórios étnicos e raciais inclusive nas áreas urbanas:

“A exigência principal desta política é bem conhecida, a saber, que não só deve haver separação entre áreas residenciais europeias e não-europeias, mas também que os diferentes grupos não-europeus, como o banto, o mestiço e o indiano, viverão em suas próprias áreas residenciais. “

Autonomia étnica:

“Ele acredita na supremacia (baasskap) do europeu em sua esfera, mas, então, ele também acredita igualmente na supremacia (baasskap) do banto em sua própria esfera”.

Promoção da diversidade ao máximo:

“Assim, não há política de opressão aqui, mas de criar uma situação que nunca existiu para os bantos, isto é, que, levando em consideração as suas línguas, tradições, história e diferentes comunidades nacionais, eles possam passar por um desenvolvimento deles próprios. Essa oportunidade surge para eles logo que tal divisão é posta entre eles e os europeus dos quais não necessitam ser os imitadores nem capangas destes.”

O apartheid é do pós-guerra; começou a ser implantado em 1948. Políticas de segregação racial ocorreram em diversos país; o apartheid, porém, inovou na argumentação (que é similar à argumentação do multiculturalismo): em vez de defender segregação por argumentos como preservação de raça superior, a ideologia do apartheid se apresenta como defensora da preservação das diferentes etnias da mesma forma que alguém defende a preservação das diferentes espécies de seres vivos. Na carta de onde foram tiradas as passagens acima, Verwoerd evita usar branco e negro, ele prefere usar europeu e banto e usa a palavra ‘black’ apenas uma vez.
ONGs e partidos multiculturalistas no Brasil defendem “desintrusão”, ou seja, segregação. Se o multiculturalismo defende a diversidade acima da homogeneidade, então é racista, pois está hierarquizando a heterogeneidade acima da homogeneidade, ou seja, a pureza étnica ou racial em relação à mestiçagem.
O multiculturalismo é só mais uma tentativa do racismo de se justificar moralmente.
Comparar esta carta do Verwoerd com o decreto 6.040 e Anexo do Lula é elucidativo. Só uma passagem:
“As ações e atividades voltadas para o alcance dos objetivos da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais deverão ocorrer de forma intersetorial, integrada, coordenada, sistemática e observar os seguintes princípios:
(…)
XIV – a preservação dos direitos culturais, o exercício de práticas comunitárias, a memória cultural e a identidade racial e étnica.”
Há mais lá. Imagino que o “arquiteto” Verwoerd assinaria o texto de seu cliente.
Coisas como esta é que nos fazem afirmar que estamos sob o governo de um partido ideologicamente racista.

O apartheid é do pós-guerra; começou a ser implantado em 1948. Políticas de segregação racial ocorreram em diversos país; o apartheid, porém, inovou no foco da argumentação (que é similar à argumentação do multiculturalismo): em vez de defender segregação usando centralmente argumentos como preservação de raça superior, a ideologia do apartheid preferiu se apresentar como defensora da preservação das diferentes etnias da mesma forma que alguém defende a preservação das diferentes espécies de seres vivos.

ONGs e partidos multiculturalistas no Brasil têm defendido “desintrusão”, ou seja, segregação. Se o multiculturalismo defende a diversidade acima da homogeneidade, então é racista, pois está hierarquizando a heterogeneidade acima da homogeneidade, ou seja, a pureza étnica ou racial em relação à mestiçagem.

O multiculturalismo é mais uma tentativa do racismo de se justificar moralmente.

Comparar esta carta do ex-primeiro-ministro Hendrik Verwoerd com o decreto 6.040 e Anexo do ex-presidente Lula é elucidativo. Uma passagem:

“As ações e atividades voltadas para o alcance dos objetivos da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais deverão ocorrer de forma intersetorial, integrada, coordenada, sistemática e observar os seguintes princípios:

(…)

XIV – a preservação dos direitos culturais, o exercício de práticas comunitárias, a memória cultural e a identidade racial e étnica.”

Há mais lá. Possivelmente o “arquiteto” Verwoerd assinaria o texto do decreto.

Coisas como esta é que nos fazem afirmar que estamos sob o governo de um partido ideologicamente racista.

Leão Alves é médico e secretário geral do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro.

* “Our policy is one, which is called by an Afrikaans word, ‘Apartheid’, and I’m afraid that has been misunderstood so often. It could just as easily, and perhaps much better be described as a policy of good-neighborliness. Accepting that there are differences between people. But, while these differences exist, and you have to acknowledge them, at the same time, you can live together, aid one another, but that it can best be done when you act as good neighbors always do”.

Os vídeos e os textos postados assinados por seus autores e os noticiosos e de outros sites lincados são de inteira responsabilidade dos mesmos não representando no todo ou em parte posicionamentos do Nação Mestiça.

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One Response

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  1. Almir says

    Muito esclarecedor, pena que o povo não vê…



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