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O único racismo permitido no Brasil – Leão Alves

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Diferentemente do que temos por hábito imaginar, no Brasil o racismo não é proibido, ou melhor, o racismo não é proibido contra todos. As leis contra racismo e injúrias raciais no Brasil aplicam-se a xingamentos, difamações, ridicularizações, insinuações maldosas, preconceitos, depreciações, discriminações, etc., contra negros, índios, amarelos e brancos de diversas origens étnicas. Tais regras não se aplicam, porém, se o alvo for mestiço. Em suma, mestiçofobia é o único racismo permitido no Brasil – permitido e, nos últimos anos, incentivado. Não é difícil verificar isto. Você conhece alguém condenado por ridicularizar pardos, mulatos ou caboclos? Se procurar, inclusive em páginas com o domínio .gov.br, irá encontrar material ofensivo a mestiços, porém não encontrará ninguém condenado ou muito menos punido por isto.

Estes materiais não chamam quase nenhuma atenção da mídia, não são repudiados por órgãos governamentais e não geram iniciativas do Ministério Público Federal. Pode pesquisar sem medo. Nem pense em ir atrás de sites nazistas; há material abundante fora deles. Encontrará páginas e páginas de pessoas postando ofensas racistas contra mestiços com toda a convicção e certeza de não estarem cometendo nenhum delito; alguns até aparentando sentimento de dever cumprido ao afirmar sua raça diante daqueles que ousam dizer-se mestiços.

É um racismo que não só não é proibido como até recebe verbas públicas para ser implementado. A Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) é orientada por ideologia que objetiva estimular pardos e mulatos a terem a pior visão possível destas palavras.

Um intelectual que escreva ou se pronuncie contra outras identidades corre o risco não só de enfrentar um processo na justiça, como também perder sua respeitabilidade acadêmica e até a própria cátedra. Isto independe de seu prestígio. Escrever contra mestiços e a mestiçagem, porém, é permitido. É permitido dizer que mestiços seriam uma aberração ideológica, que seriam um símbolo do imperialismo europeu, que seriam em regra produtos de violência sexual, que seriam um resquício do colonialismo, que sentir atração por pessoas de cor ou raça diferente seria um desvio da sexualidade, etc. Sobre estas últimas que citei, “cromo-inversão” e “etno-inversão” não constam no Código Internacional de Doenças (CID), mas estão incluídas na lista dos “distúrbios da sexualidade” em livros de cursos de medicina e direito do país – são inclusive matéria de concurso público, como ocorreu na prova redigida em 2003 pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (CESPE) da Universidade de Brasília (UnB) para o governo do Estado de Roraima da época. Crime? Deveria ser.

Não é uma ironia do destino que num país nacional e internacionalmente identificado com a mestiçagem e a tolerância racial, com a absoluta maioria de sua população mestiça, esta enorme tolerância da maioria do povo brasileiro e dos mestiços em particular com a convivência com as diferenças venha sendo usada contra estes e a mestiçofobia, que parecia algo do passado, ganhou força a ponto de tornar o brasileiro mestiço um brasileiro a ser ideologicamente eliminado. Não é uma ironia, nem é um destino, é uma temeridade.

Leão Alves é médico e secretário geral do Nação Mestiça.

Os vídeos e os textos postados assinados por seus autores e os noticiosos e de outros sites lincados são de inteira responsabilidade dos mesmos não representando no todo ou em parte posicionamentos do Nação Mestiça.

Posted in Leão Alves, Português.

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4 Responses

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  1. Leão says

    Há diversos interesses de diversos grupos. A mestiçagem na América Latina fortalece a identidade e a unidade nacional. O multiculturalismo aqui se mostra segregacionista, buscando evitar a mestiçagem promovendo apartheid e limpeza étnica (“desintrusões”) e a destruição ideológica da identidade mestiça.

    Na Europa e nos EUA, onde a identidade nacional não está associada à mestiçagem, o multiculturalismo é visto pelos racistas como promotor da miscigenação, porque favoreceria a aproximação entre raças e etnias.

    O multiculturalismo não visa apoiar a mestiçagem. Ele pode favorecer a miscigenação se isto favorecer o enfraquecimento da nacionalidade e não der origem a uma identidade mestiça própria e a nacionalidades, como ocorreu na América Latina.

    O multiculturalismo é globalista. A finalidade dele não é defender um mundo multicultural, mas sim enfraquecer a soberania dos Estados nacionais a fim de facilitar a globalização, o poder de um país sobre outros ou o poder da própria ONG e de quem a domine.

    Nos EUA, a Fundação Ford financia o La Raza, http://www.fordfoundation.org/grants/grantdetails?grantid=4904 e no Brasil é parceira do ISA http://www.socioambiental.org/inst/par.shtm .

  2. Peter says

    Esta divisao racial do pais, este eh fundado por paises estrangeiros? A Fundacao Forde esta atras de muito disso? Si isso eh o caso, entao por que? Cual eh sua motivacao? Por que gastar tanta dinheiro para promover este besteira?

    Tem que comencar pensando em termos de geopolitica e geostrategia. Por que um pais emergente como Brasil esta sofrendos tais tentacoes de dividir (para enfraquecer) seu populacao? Este tipo de coisa, este tipo de jogo, acontece no cenario global?

  3. Raul says

    Que vergonha!
    Infelizmente é isso mesmo.

  4. Gustavo says

    O Brasil está uma tristeza. As leis deveriam ser iguais para todos.



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