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Racismo e promoção da diversidade racial – Leão Alves

Expressões como “valorização da diversidade racial” e mesmo “promoção da diversidade racial” tornaram-se nos tempos atuais politicamente corretas e indicam como ideologias racistas conseguiram renovar seus métodos de influenciar a sociedade e voltaram a ser socialmente aceitas sob outra roupagem. O racismo já foi uma ideologia muito prestigiada no passado e ser apontado como racista não era entendido como algo ofensivo, pelo contrário, um racista poderia mesmo ser visto como alguém progressista e livre das “crendices” e “pieguices” que afirmavam que todos os humanos teriam uma mesma origem e seriam iguais em dignidade. Atualmente uma organização racista como a Ku Klux Klan possui uma imagem muito negativa e mesmo ridícula, mas décadas atrás era vista como uma associação respeitável para qualquer  família branca e protestante dos EUA que desejasse preservar sua diversidade racial.

Um racista para ser racista não precisa, porém, tatuar uma suástica na careca nem colocar um cone branco na cabeça, há formas mais sofisticadas e discretas de criação de espaços raciais e de evitar o pior dos pesadelos para um racista, a miscigenação.

Uma dessas formas manifesta-se atualmente na mudança de argumentação. Talvez a principal idéia dos racistas para tentar justificar suas políticas mestiçofóbicas foi a de que haveria raças superiores e inferiores e que a miscigenação seria danosa às primeiras. Adolf Hitler escreveu no Mein Kampf,

“O ariano sacrificou a pureza do sangue, perdendo assim o lugar no Paraíso, que ele mesmo tinha preparado. Sucumbiu, com a mistura racial; perdeu, aos poucos, cada vez mais, sua capacidade civilizadora, até que começou a se assemelhar mais aos indígenas subjugado do que a seus antepassados, e isso, não só intelectual como fisicamente.”

Após o fim da II Guerra Mundial, o sistema de apartheid implantado na África do Sul adotou o argumento do ‘desenvolvimento separado’: as diferentes raças seriam compostas de diferentes etnias com culturas próprias e estas diferenças raciais e étnicas deveriam ser preservadas e cada segmento deveria desenvolver-se segundo suas especificidades. Uma das primeiras medidas desse sistema de promoção da diversidade foi proibir casamentos inter-raciais, em 1949. Posteriormente foram criados os bantustões, territórios autônomos onde os nativos pretos poderiam autogovernar-se segundo sua cultura, deixando o poder central político e econômico para os racistas brancos.

A promoção da diversidade racial, porém, não ficou restrita a países sob governos assumidamente racistas. Em países latino americanos diversas organizações não-governamentais encarregaram-se de promover a diversidade racial apoiadas num discurso alegadamente anti-racista de valorização da diversidade étnica e defesa de povos e populações à margem do poder. Algumas dessas fundações formaram gerações de acadêmicos e estudiosos em países em desenvolvimento e subdesenvolvidos que atuaram como  formadores de opinião, muitas vezes ocupando a administração pública e órgãos gestores de políticas étnicas e raciais. Em vez de batustões, quilombos; em vez de apartheid, “desintrusão”; a linguagem promovida pelas fundações pode mudar, palavras podem ser criadas e ressignificadas, mas o objetivo de promover e valorizar a raça e atuar contra a mestiçagem atende perfeitamente ao pensamento de teóricos do racismo, como o fascista Julius Évola (grifos nossos):

Do ponto de vista político-social, reconheci algo de positivo no racismo enquanto expressão de uma exigência anti-igualitária e antiracionalista. Quanto ao primeiro ponto, o racismo reafirmava evidentemente o princípio da diferença: tanto a diferença entre diferentes estirpes e povos, como entre os elementos de um mesmo povo. Assim, o racismo opunha-se à ideologia iluminista-democrática que proclamava a identidade e igual dignidade de todos os seres de aparência humana e, pelo contrário, afirmava que a humanidade, o género humano, ou é uma ficção
abstracta ou um estado final, imaginável apenas como um limite e nunca completamente realizável, de um processo de involução, de dissolução, de queda. Normalmente, a natureza humana é, pelo contrário, diferenciada; diferenciação esta que se exprime, entre outras coisas, na diversidade dos sangues e das raças. Esta diferença representa o elemento primário. Não é apenas a condição natural dos seres, é também um valor, quer dizer, algo cuja existência é boa, que deve ser defendido e protegido. Ao contrário de certos racistas, para mim este reconhecimento não conduzia necessariamente a uma atomização de grupos humanos fechados sobre si próprios e ao desconhecimento de todo o princípio superior. É possível conceber-se uma unidade superior, mas no cume: unidade que reconhece e mantém no seu plano as diferenças. A unidade “na base”, a unidade niveladora própria da democracia, da “integração”, do humanitarismo, do falso universalismo, do colectivismo é, pelo contrário, regressiva. Contra orientações deste tipo já Gobineau se tinha insurgido, fazendo valer o racismo essencialmente em termos de uma exigência aristocrática.”

Gobineau, para relembrar, foi aquele embaixador francês que serviu no Brasil e que “previu” que a miscigenação iria levar o povo brasileiro a uma “irremediável decadência”. Se ainda estivesse vivo, possivelmente hoje ele daria palestras sobre a importância da preservação da diversidade racial e étnica e sobre o “problema da mestiçagem” e do “mito da democracia racial”.

Leão Alves é médico e secretário geral do Movimento Nação Mestiça.

Os textos e noticiosos assinados por seus autores e os de outros sites lincados são de inteira responsabilidade dos mesmos não representando no todo ou em parte posicionamentos do Nação Mestiça.

Posted in Artigos, Leão Alves, Português.

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One Response

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  1. Flávio says

    Tem locais do Brasil onde brasileiro não entra mas ong entra.



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