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Enegrecimento estatístico – Leão Alves

Está bem registrado e já é conhecido por muitos que há anos ativistas de movimentos negros têm pressionado para incluir a palavra ‘negro’ e excluir as palavras ‘pardo’ e ‘preto’ das pesquisas e estatísticas populacionais oficiais do país. Isso não se dá por acaso: o objetivo é apagar oficialmente a identidade mestiça brasileira e ideologicamente qualquer expressão que faça referência direta ou indireta à mestiçagem.

Uma pesquisa de título “Características Étnico-Raciais da População: Um Estudo das Categorias de Classificação de Cor ou Raça”, com dados coletados em 2008, foi divulgada pelo pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) agora em 2011, próximo ao julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 186 que trata da constitucionalidade ou não do sistema de cotas raciais da Universidade de Brasília (UnB).

O IBGE afirma que o estudo visa contribuir para o aprimoramento do “atual sistema de classificação de cor ou raça nas pesquisas domiciliares realizadas pela Instituição”. Na Introdução do trabalho reconhece outro objetivo:  “o atual debate no Brasil sobre as políticas de ação afirmativa e de promoção da igualdade no acesso das populações negra e indígena às universidades e aos concursos públicos tornou premente, no contexto institucional, a necessidade de aprofundar a reflexão sobre o sistema de classificação de cor ou raça utilizado nas pesquisas domiciliares do IBGE”. O uso da palavra ‘negro’ pelo órgão oficial revela que no relatório ocorreu algo mais do que simplesmente o registro da opinião dos entrevistados sobre como identificam sua identidade étnica, racial ou de cor.

Fazendo uso de uma citação, em suas “Notas técnicas” os autores do trabalho associam a adoção dos termos ‘caboclo’ e ‘mestiço’ no censo de 1890 ao branqueamento da população negra: “Note-se que a mestiçagem foi promovida aqui à condição de categoria, assumindo claramente o sentido atribuído pelo branqueamento, qual seja o de diluição do sangue negro no cruzamento com os contingentes migratórios, que levaria ao gradual desaparecimento desta população”. Se tivesse havido a intenção à época de branqueamento estatístico bastaria terem classificado mestiços caboclos e mulatos como brancos, similar à atual política governamental petista que os classifica como negros.

Os resultados da pesquisa, porém, desmentem o discurso oficial e confirmam que a mestiçagem não é uma ideologia de gabinete. Grande parte da população identifica-se (e é identificada, inclusive pelos entrevistadores do IBGE) como pardas,  mestiças, mulatas e – meta-racialmente – como morenas.

Por que este esforço para acabar com a mestiçagem? Poderiam ser citados vários motivos, um deles o de levar adiante a atual política de substituição da supremacia da cidadania nacional, que iguala a todos dentro da Nação e diante do Estado, por um conjunto de estatutos legais que diferenciem e dividam os brasileiros em direitos e espaços territoriais segundo etnias, raças, origens nacionais, idiomas e o que mais for útil a este objetivo. Criar direitos diferenciados tem o adicional de propiciar conflitos entre os segmentos beneficiados e os não beneficiados. Para este fim, é fundamental eliminar a identidade mestiça e a mestiçagem pois a mestiçagem une e os inimigos da mestiçagem desejam dividir e ocupar os espaços pertencentes à Nação e seu Estado, minando a soberania e a democracia.

Leão Alves é secretário geral do Movimento Nação Mestiça.

Os textos e noticiosos assinados por seus autores e os de outros sites lincados são de inteira responsabilidade dos mesmos não representando no todo ou em parte posicionamentos do Nação Mestiça.

Posted in Leão Alves, Português.

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4 Responses

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  1. Expedia says

    È a essência do “Divide to rule” (Dividir para reinar). Em tempo: minha certidão de nascimento diz que sou parda. Meus avós maternos eram negros, os paternos, brancos. Então, meu sangue negro diluiu-se com os sangues mulato e branco de meus pais? Qual sangue se diluiu em qual primeiro? Ah! Tem dó!…esse povinho quer poder e para isso é preciso dividir, jogar uns contra os outros, negar, fazer proselitismo maniqueísta e falacioso…Somos uma naç]ão de mestiços e não podemos, em hipótese alguma, deixar o governo, ou algum movimento anacrônico decidir quem somos, quem sou! Isso é absurdo!

  2. Jair says

    Se fosse contra índios, negros e gays os dons da grande mídia já teriam tocado o trombone.

  3. Ary Txay says

    Excelente artigo. Abraço aos membros do movimento.

  4. Paulista says

    Os mestiços tem que processar os negros por racismo.
    Ta mais do que na hora.
    É um desrespeito o que vem acontecendo.



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