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Estado racista e discriminador de mestiços – Joadel Bravo

A Ministra do Planejamento, Gabriela Mendoza, a respeito do próximo censo populacional, referente à inclusão da categoria ‘mestiço’ na votação censitária, indicou que “seria discriminação e racismo. Somos povos indígenas camponeses originais; nós temos a maioria (da população).” Em sua opinião, “não faz sentido” incluir a categoria “mestiço” na votação do censo, pois “seria um retrocesso ao pensamento retrógrado que pede a incorporação de categorias de raças humanas”.

A esse respeito, Carlos Malamud, professor de História Americana da UNED (Espanha), já publicou um artigo intitulado “A Bolívia não é um País para Mestiços”, destacando que o censo populacional de 2012 solicitou dados de etnia. Ressaltando que foi questionada a decisão de não incluir a mestiçagem entre as possíveis respostas.

A pergunta sobre a autopercepção étnica formulada no referido censo de 2012 foi: “Como boliviano, você pertence a alguma nação ou camponês indígena ou afro-boliviano?” A resposta era Sim ou Não. Em caso afirmativo, eles tinham que escolher entre uma das 36 nações “indígenas originárias” ou afro-bolivianas presentes na Constituição. Ao contrário de todas as previsões do governo, os mestiços constituíram entre 60% e 70% da população boliviana, já que o censo de 2012 estabeleceu um número de 10.027.254 bolivianos, os “nenhum”, ou seja, aqueles que não se identificavam com nenhuma das 36 nações indígenas foi de 4.032.014 e apenas 2.806.592 indígenas.

Assim como o Governo de Evo, o de hoje também repete a negação da categoria ‘mestiço’ nos formulários censitários e com a mesma discriminação criminosa, vejamos, Félix Cárdenas, ex-vice-ministro da Descolonização, na época, como péssimo malabarista de circo, afirmou que quem se considera mestiço na Bolívia não tem território, cultura, religião nem idioma. Como se vê, por não ter, não têm nada. “A questão mestiça… pertence aos mestiços, e aqueles que se consideram mestiços deveriam sustentar porque deveria haver mestiços… existe uma linguagem mestiça própria, existe uma religião mestiça própria?” Acrescentou então que a construção “colonial” do Estado boliviano pretendia ter três classes: o branco, o crioulo e o mestiço, “que assumem este último nesta gradação racista que tentaram construir para eles”.

Por sua vez, Viviana Caro, ex-ministra do Planejamento, em outro ato de contorcionismo, fundou a exclusão da questão dos mestiços em documento da Cepal (Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe): “Os censos e os povos indígenas em América Latina: uma metodologia regional”. No entanto, o referido documento não é isto, mas sim uma apresentação de Susana Schkolnik e Fabiana Del Popolo, pesquisadoras da Cepal/Celade, apresentada em um Congresso em abril de 2005.

Como se vê, tanto o Governo Evo Morales quanto o de hoje não querem ver a realidade nacional. Ainda mais quando se sabe que entre 60% e 70% da população boliviana, 4.032.014 de 10.027.254, são “nenhum”, ou seja, aqueles que não se identificam com nenhuma das 36 nações indígenas. Assim, e uma vez que o peso político programático do governo é construído sobre a premissa do imaginário predomínio qualitativo e quantitativo dos indígenas, que a maioria da população se afirma mestiça vai contra os interesses do oficialismo e o que é pior para eles, afeta diretamente a distribuição dos assentos no Parlamento e que deveria ser adaptado para tal resultado, onde a maioria da população somos nós mestiços.

Os “nenhum”, aqueles que não se identificam com nenhuma das 36 nações indígenas, são os mestiços, onde e segundo a Real Academia Espanhola, a mestiçagem é o encontro biológico e cultural ou sua ordenação entre diferentes grupos étnicos, em que estas se mesclam, dando nascimento a novas espécies de famílias e novos genótipos. Este termo é frequentemente usado para descrever o processo histórico que ocorreu na América que levou ao seu estado cultural atual. No entanto, também pode se referir a outros povos que passaram por um processo de encontro entre várias espécies de famílias, em lugares como Filipinas, África do Sul ou Estados Unidos.

Consequentemente, e uma vez que os arts. 281 – Bis (Racismo); 281 – Ter (Discriminação) e 281 – Quater (Divulgação e Incitação ao Racismo ou à Discriminação) punem as condutas que, de forma arbitrária ou ilegal, restrinjam, anulem, prejudiquem ou impeçam o exercício de direitos individuais ou coletivos por motivos de raça, origem nacional ou étnica. E, isso porque qualquer mídia difunde ideias baseadas na superioridade ou ódio racial, ou que promova e/ou justifiquem o racismo; ou, incite violência, ou perseguição, de pessoas ou grupos de pessoas, com base em motivos racistas ou discriminatórios.

Traduzido de Estado racista y discriminador de mestizos (site El Deber).

Posted in Português.


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