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O racismo de Lévi-Strauss

Claude Lévi-Strauss (1908-2009) foi um antropólogo francês de etnia judaica que esteve no Brasil em 1934 onde lecionou na Universidade de São Paulo (USP). Nesta época, realizou estudos entre índios brasileiros de diversas etnias. Destes estudos, resultou o livro Tristes Trópicos, publicado em 1955. Para Lévi-Strauss, a importância de preservar a diversidade não se devia ao seu conteúdo em si, mas à necessidade de evitar a estagnação da humanidade que ocorreria, segundo ele, caso esta se tornasse homogênea, como ocorre na mestiçagem.

Há cerca de sessenta anos, o pintor Cuido Boggiani, que viajava no sul brasileiro, resolveu visitar uma pequena capital indígena situada em meio a pântanos, do lado esquerdo do Rio Paraguai. Precisou viajar, por muito tempo, em piroga através de pradarias inundadas pelas chuvas, mas quando chegou a Nalike, centro da civilização kadiwéu, um estranho espetáculo o aguardava. Encontrou uma das últimas tribos descendentes da grande nação guerreira Guaicuru, que os missionários do século XVII haviam descrito. Em vastas casas coletivas sem paredes, viu moças de cabelos pretos cortados curtos, belas como ídolos da Ásia, cujos pescoços, punhos e tornozelos eram cobertos de jóias de metal recortado. Viviam nuas e passando os dias a se cobrir mutuamente o corpo inteiro e o rosto com uma rede de arabescos pintados, de uma finura e de uma elegância inesquecíveis, que lembravam aos antigos jesuítas os mais raros tapetes da Pérsia. (…) Pouca coisa subsiste ao antigo esplendor, e os poucos objetos de estilo autêntico que se verá nessas vitrines são os últimos de uma cultura já mona. (…) Nalike não passa de uma aldeia de mestiços, na qual unicamente algumas velhas mulheres conservam as antigas tradições.”

Lévi-Strauss e Lévi-Strauss, 1937, p. 7, citado em Lévi-Strauss, antropologia e arte: minúsculo, incomensurável, de Dorothea Voegeli Passetti, p. 64.

Posted in Levistraussismo, Mestiçofobia | Desmestiçagem.


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