Skip to content


PF investiga existência de milícia indígena no Alto Solimões

brasao_piasol

MANAUS – A Polícia Federal (PF/AM) investiga possíveis abusos de violência, invasão à residências, prisões ilegais, tortura e até homicídios praticados pela milícia indígena autointitulada ‘Polícia Indígena do Alto Solimões (Piasol)’. Os crimes estariam sendo praticados nas aldeias de Umariaçu e Filadélfia da etnia Ticuna, na fronteira entre Brasil e Peru. A PF também investiga uma suposta ligação dos indígenas com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

De acordo com o superintendente da PF, delegado Sérgio Fontes, a Piasol rejeita o rótulo de “milícia”, mas segundo ele, não há outra denominação para eles. O delegado explica ainda que Piasol é uma organização paramilitar formada por ex-integrantes do Exército Brasileiro. Os reservistas indígenas estariam usando o treinamento adquirido nos quartéis para se impor como autoridade policial.

“A Policia Federal não aceita essa organização que no nosso ponto de vista é paramilitar. Eles criaram o Estatuto Único da Polícia Indígena do Alto Solimões que é basicamente a cópia de um estatuto militar. Esse documento descreve as denominações das patentes, promoções e crimes dos indígenas militares. Eles têm coronel, soldado, sargento, deserção e tropa, todos itens e nomenclaturas do Exército. Como dizer que essa organização não é paramilitar?” questionou o delegado.

Uniformizados e com armas não letais

O superintendente informou que os indígenas da Piasol andam uniformizados com calças do Exército e camisas da cor preta. O uniforme possui o símbolo da organização. Fontes acrescenta que ao invés de armas de fogo, os indígenas usam facão e tonfa (tipo de bastão semelhante ao cacetete usado pela Polícia). Com alguns, segundo Fontes, foram identificadas armas de choque.

Material que seria utilizado pela Piasol. Foto: Polícia Federal

Funai não aprova milícia

A Fundação Nacional do Índio (FUNAI) também considera a Piasol uma organização ilegal. Segundo o coordenador regional do órgão no Amazonas, Odinei Rodrigues Haldin, a Funai não concorda com existência da milícia, bem como, qualquer postura violenta adotada pela organização.

Segundo Odinei, os indígenas criaram a milícia em 2008 e até hoje a Funai não foi comunicada formalmente sobre a organização. Ele explicou que órgão tomou conhecimento da existência da Piasol por meio da imprensa, que destacou a suspeita de abuso da organização. Segundo o coordenador, a Funai não tem como controlar a ação da Piasol apesar de defender os interesses das terras, costumes e culturas indígenas.

Apreensão e prisões

Segundo o delegado da Polícia Federal, os índios alegam que a Piasol foi criada para combater o consumo de álcool e o tráfico de drogas nas aldeias, mas o material apreendido, assim como as pessoas presas pela milícia, nunca foram apresentados à PF.

Perigo e descontrole

Fontes teme que a organização tente se opor contra o Estado, caso não seja fiscalizada com mais rigor. “A Piasol é uma organização sem controle. Só quem faz o uso legítimo da força em uma democracia é o Estado. Como vamos permitir que uma entidade sem nenhum amparo legal possa também fazer uso da força e forma de descontrolada?”. Ele acrescenta que o Estado não tem como saber quantos dias os indígenas deixam as pessoas presas sem julgamento ou quantos lares eles invadem sem autorização.

Florêncio Mesquita

De Portal Amazônia, 22/07/2010.

Os textos postados assinados por seus autores e os noticiosos e de outros sites lincados são de inteira responsabilidade dos mesmos não representando no todo ou em parte posicionamentos do Nação Mestiça.

Demarcação de “territórios indígenas” ameaça terras dos caboclos do AM

Mestiços e direitos humanos – Leão Alves

Posted in Português.

Tagged with .


0 Responses

Stay in touch with the conversation, subscribe to the RSS feed for comments on this post.



Some HTML is OK

or, reply to this post via trackback.

Comments Protected by WP-SpamShield Anti-Spam