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Caboclos pedem descadastramento do levantamento feito pela Funasa

Cerca de 40 pessoas residentes na região de Olivença, Santo Antônio e Sapucaeira realizaram na manhã de hoje (29) seus pedidos de descadastramaneto do levantamento da Fundação Nacional de Saúde(Funasa) onde são apontados como membros da tribo Tupinambá. A decisão do descadastramento surgiu após essas pessoas avaliarem que o levantamento da Funasa é fraudulento e não corresponde com a realidade, já que muitos dos nomes inseridos nesse cadastramento não são descendentes da tribo Tupinambá. Além disso, eles informaram que muita gente foi atraída para se tornar índios de uma hora para outra, recebendo em troca vantagens como financiamentos em bancos, cestas básicas, além de atendimento médico. Funcionários da Funasa informaram que em toda a história da demarcação jamais tomaram conhecimento de descadastramento dessa natureza. Os números não são oficiais, mas os agricultores acreditam que cerca de 150 pessoas já teriam pedido para retirar seus nomes desse levantamento.

Na lista de pessoas que solicitaram o descadastramento está o do agricultor Carlos Guedes Alves que possui uma pequena propriedade rural no distrito do Santo Antônio, em Ilhéus. Ele disse que comprou essa área de seis hectares em 1992, “com muito suor”, conforme ele relata, e que nela cultiva mandioca, cacau e cupuaçu e dali tira o sustento das oito pessoas de sua família. Carlos Guedes disse que apesar de ter nascido na região, jamais tinha ouvido falar em índio Tupinambá. Ele informou que foi procurado pelos representantes de uma cacique para fazer esse cadastramento e o pessoal acabou pegando seu documento garantindo que ele receberia atendimento médico e financiamento em banco. “Mas eu não assinei nada. Eles só anotaram meu documento e pronto”.

Carlos Guedes garante que é caboclo e que sua avó contava sobre a existência de índios, mas nunca falou nada sobre a tribo Tupinambá. “A gente virou Tupinambá depois desse cadastramento”, explica. Após observar os conflitos registrados a partir da proposta da demarcação, as invasões de fazendas e até as mortes já registradas ele disse que resolveu pedir o descadastramento. “Não acho justo que as pessoas trabalhem, consigam suas terras e depois a Funai vai dar para pessoas que nunca trabalharam”, denuncia.

Outro caso interessante é o do mestre de bateria e integrante do Movimento Negro de Ilhéus, Sandro Márcio, que também estava cadastrado como sendo índio Tupinambá. Ele disse que foi induzido a se cadastrar através de amigos também ligados à tribo da cacique de Olivença. Na época chegaram a lhe oferecer várias vantagens. “Mas esse conflito vai acabar prejudicando muita gente, inclusive o povo negro”, disse ele, justificando os motivos que levaram a fazer o descadastramento.

Apesar desse ato de descadastramento coletivo, os moradores da região de Olivença garantem que várias pessoas já vêm procurando a Funasa com freqüência para pedir a retirada dos seus nomes do levantamento por também considerar o cadastro fraudulento. Na região de Una, também incluída na área proposta pela Funai para a demarcação, cerca de 50 pessoas já se descadastraram. A expectativa dos pequenos agricultores é de que a partir de agora, quando as pessoas descobrirem que foram usadas politicamente, muitos sigam o exemplo e exijam a retirada dos seus nomes desse levantamento.

Mesmo a Funai citando que na área do conflito existem cerca de três mil índios Tupinambá, o levantamento sócio-estatístico feito pela Funasa em 1998 revela uma realidade bem diferente e contraditória. No documento consta que no Distrito Sanitário de Ilhéus-Olivença existem apenas 1.200 descendentes de índios da tribo Pataxó Hã Hã Hãe. Não há indícios de índios Tupinambá. O levantamento foi feito pela enfermeira especializada em Saúde Coletiva e professora titular do Departamento da Ciência da Saúde da Uesc, Elizabeth Mary de Oliveira Santos Santos Lopes, enfermeira sanitarista da Fundação Nacional de Saúde. Os agricultores avaliaram que não há nenhuma justificativa para o fato do número de índios ter triplicado nesses 10 anos. Por esse motivo é que eles estão denunciam a possibilidade de fraude no levantamento atual, atraindo pessoas que não são descendentes de índios em troca de vantagens.

De IlhéusAmado, 30/06/2009.

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