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“OS PARDOS BRASILEIROS SÃO TODOS MAU-CARÁTER”, afirma secretário de Turismo de Santos

Áudio é mais uma demonstração do racismo específico contra pardos e de que apenas quando o agente é branco costuma ter repercussão na grande mídia.

O conselheiro do Santos e secretário adjunto de Turismo da cidade, no litoral de São Paulo, Adilson Durante Filho (PSD) fez declarações racistas contra pardos em áudio gravado para amigos de Whatsapp:

“Ô Caco, falar uma coisa pra você. Aqui a gente está entre amigos, tá? Sempre que tiver um pardo… O pardo o que que é? Não é aquele negão, também não é o branquinho. É o moreninho da cor dele. Esses caras, tu tem [sic] que desconfiar de todos, todos que tu conhecer [sic]. Essa cor é uma mistura duma raça que não tem caráter. É verdade, isso é estudo. Todo pardo, todo mulato tu tem que tomar cuidado. Não mulato tipo o Pedro; Pedro é tipo pra índio, tipo chileno, essas porra. Estou dizendo o mulato brasileiro, entendeu? Os pardos brasileiros são todos mau-caráter, não tem um que não seja.”

Manifestações de racismo contra pardos são frequentes, mas apenas as de brancos costumam ter repercussão.

Durante a Marcha da Consciência Negra, realizada em São Paulo (SP), em 20 de novembro de 2017, manifestantes negros desfilaram segurando uma faixa com a frase “MISCIGENAÇÃO TAMBÉM É GENOCÍDIO!” O Nação Mestiça denunciou ao Ministério Público Federal (MPF), mas ninguém foi punido e não houve sequer resposta do órgão à organização.

No dia 5 de agosto de 2015, em plena Secretária de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (SEJUSC) do Amazonas, uma mulher que se identificava como índia cocama afirmou que: 

“Índio de vergonha na cara jamais será mestiço, porque mestiço não é raça. Mestiço não existe”.

O Nação Mestiça também denunciou o fato à Polícia Civil do Amazonas e ao MP, mas também ninguém foi punido e não houve sequer resposta do órgão à organização.

Em 26 de novembro de 2007, o deputado Vicentinho (PT-SP) declarou da tribuna da Câmara dos Deputados:

“Eu não sou mulato porque não sou filho de mula, não sou pardal porque não sou pardo”.

Não houve repercussão na grande mídia nem quelquer protestos ou críticas por parlamentares.

Após afirmar ser mulato durante uma palestra no Senado Federal, em 18 de dezembro de 2008, o secretário geral do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro, Leão Alves, foi chamado de filho de mula por militantes de movimentos negros. O então senador Marco Maciel que presidia a audiência manteve-se calado, apesar do então senador Demóstenes Torres destacar o caráter racista da manifestação:

“Ele se declarou mulato e alguém lá do fundo gritou: ‘É filho de mula!’ Isto é o quê? É racismo. Isto é algo deplorável.”

Racismo específico contra mestiços existem desde o período colonial. Em Black and Mulatto Brotherhoods in Colonial Brazil: A Study in Collective Behavior, de A. J. R. RUSSELL-WOOD, é registrado que “Enquanto os brancos eram considerados honestos, trabalhadores e tementes a Deus, os mulatos – e não os negros – eram vistos, em geral, como portadores de atributos como preguiça, desonestidade, astúcia, arrogância, falta de confiabilidade”. 

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