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Prefeitura de Manaus implanta prontuário eletrônico que custa – por mês – o salário de um médico e atrasa consultas

Prontuário eletrônico implantado pelo prefeito Arthur Neto na Unidade Básica de Saúde Dr. Gilson Moreira tornou atendimento tão lento que que não cabe mais no expediente. Foto Marcio James/SEMCOM.

De olho em verbas de Brasília, o prefeito Arthur Neto (PSDB) está implantando em Manaus o sistema e-SUS Atenção Básica (e-SUS AB), o vulgo Big Brother do SUS. Sua implantação pelo Governo Federal abocanhou – só para abrir o apetite –  R$ 1,5 bilhão dos impostos dos contribuintes para o pagamento dos contratos de 5 anos com empresas terceirizadas. Os valores por UBS chegam a R$ 7 mil – aproximadamente o que ganha um médico para atender numa delas. É a empresa colocar o programa e depois dar uma passadinha… se for chamada.

Através do prontuário eletrônico, o Governo poderá conhecer melhor como – e onde – estão passando os brasileiros. Políticos la de Brasília ou daqui mesmo potencialmente serão capazes de saber se você tem um câncer, se usa drogas, como vai sua vida familiar ou sexual. Eles, hackers curiosos e sabe-se lá quem mais.

Lentidão

Implantado há uns quinzes dias na Unidade Básica de Saúde (UBS) Dr. Gilson Moreira, da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (SEMSA), no bairro Zumbi, Zona Leste da capital do Estado do Amazonas, o sistema mostrou-se capaz de fazer em seis horas o que o prontuário físico permite fazer em quatro ou menos.

Para atender 16 pacientes pelo computador, um médico que trabalha na unidade há mais de vinte anos chegou a ter que permanecer das treze às dezenove horas ininterruptamente no consultório. No dia seguinte ficou “só” cinco horas porque alguns pacientes desistiram de esperar e até fechou a UBS pois a diretora também já havia se retirado.

Dentre as dificuldade do e-SUS AB estão a descontínua internet brasileira, as falhas na rede elétrica, os custos da reposição de material e má instalação.

Mas mesmo “a todo vapor”, o prontuário eletrônico é lento em receber dados. Enquanto, p. ex., numa receita comum um médico escreve “uso oral” uma única vez em cada página da receita, no sistema a cada medicação prescrita ele terá que clicar num espaço e procurar a opção dentre diversas outras, além de fazer o mesmo para fornecer informações que não interessam ao paciente mas aos burocratas do governo que elaboraram o sistema, como se o uso do medicamento é indeterminado, diário, semanal, etc.

Quando a energia acaba, o sistema fecha e um atendimento pode constar como encerrado sem poder ser reaberto. Mesmo quando uma consulta é encerrada antes do sistema “cair” ou a energia  ir embora, para ter acesso às informações sobre a consulta anterior o próprio médico ou o paciente terão que preencher formulário, o que num sistema físico é resolvido em simples mudança de página.

Falta de confiabilidade

Mas tudo o que é ruim pode ficar pior. Quando depois de digitar todos os resultados de exames trazidos pelo paciente – sim, o Big Brother do SUS não envia ainda os resultados dos exames dos laboratórios e clínicas diretamente para o prontuário – e registrar o mais rápido possível outras informações, o profissional entender já poder redigir a receita, corre o risco de, abrindo mais uma das centenas de janelinhas, encontrar algo como a opção secnidazol 1 mg, apresentação inexistente no mercado e na indústria farmacêutica voltada à Medicina.

Sem extras

Obviamente com este tempo exíguo, torna-se, dentro das quatro horas do turno de uma UBS, praticamente impossível acrescentar um paciente a mais, como uma criança com suspeita de sarampo que não esteja agendada.

Esta lentidão em Manaus não é um caso isolado. O mesmo tem se dado em outros municípios onde foi implantado.

Perda de histórico

Outro problema que o sistema tem causado é o abandono dos conteúdos dos prontuários de papel, o que implica na perda de informações de anos de atendimento. Na sanha do governo de implantar o sistema e moldar os médicos, pacientes antigos chegam a consultório como se estivessem na primeira consulta.

Hackers

Outro risco do sistema são os hackers que potencialmente podem acessar informações íntimas dos pacientes, divulgá-las ou usar para chantagem ou simplesmente  deixar milhões de pacientes sem prontuário

Chantagem

Obviamente se há algo que não preocupa governo de esquerda são pessoas na fila e se há algo o vicia é mandar em tudo: para “incentivar” a adoção do sistema, o governo Dilma cortava verbas da saúde aos Estados e municípios que não o implantassem e no governo de seu ex-vice Michel Temer não é diferente.

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