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Conflito entre pretos e mestiços na África do Sul

Lynn Shaw

As emoções estavam altas em uma reunião em áreas do norte ontem, com os moradores irritados reivindicando que suas necessidades estão sendo ignoradas, enquanto a maioria das pessoas beneficiadas por projetos habitacionais eram negros.

Sentimentos como “os mestiços estão cansados de serem deixadas de lado” e “se tivermos de fazer um levante, então vamos fazer um levante” ecoou na reunião no Centro Comunitário do Parque Booysen.

A reunião, que contou com cerca de 200 pessoas, foi convocada pelo vereador Trevor Louw (AD – Aliança Democrática) depois que os moradores protestaram em frente ao seu gabinete na terça-feira.

Louw disse que apenas 1% dos beneficiários do projeto habitacional Chatty, em que mais de 6.000 casas seriam construídas, eram mestiças. “No projeto habitacional Chatty, pode-se contar os beneficiários das áreas do norte com os dedos. Eles estão sendo esquecidos e isso parte meu coração.”

Manifestantes disseram que estavam fartos, porque durante o apartheid foram considerados “demasiado pretos para serem brancos e agora são considerados muito brancos para serem pretos”.

Os analistas políticos advertiram que tais sentimentos tinham o potencial de causar agitação entre as principais comunidades mestiças. “Nós mestiços podemos tolerar muito e é preciso muito para ficarmos frustrados. Nós estamos frustrados agora. Quando chegar o dia que nós tivemos de dizer ‘basta’, vai ser um problema”, disse o morador de Jacksonville, Johan January, recebendo aplausos.

Denise Petersen disse que os mestiços não tiveran benefícios no antigo regime e que certamente não se beneficiam agora.

Lien Commens disse que os mestiços não iriam sentar e esperar nas listas de beneficiários de habitação por 30 anos apenas para nada acontecer. “Se tivermos de invadir a terra ilegalmente, então vamos fazê-lo”, disse ela.

Outros moradores expressaram sua consternação por algumas pessoas mestiças estarem na lista de espera de habitação por mais de 20 anos, enquanto outras pessoas pularam a fila porque tinham a filiação política correta ou porque usaram arma, indo ilegalmente para áreas designadas para empreendimentos habitacionais.

O vereador Johnny Lawack (AD) disse que a magnitude do problema da habitação nas áreas do norte era enorme. “Na área Gelvandale sozinho há cerca de 3000 pessoas à espera de ser alojados”.

A analista política Prof. Susan Booysen disse que o sentimento de ser marginalizado havia sido expresso pelas comunidades mestiças desde as eleições em 1994. Ela disse que, por terem desempenhado um grande papel no movimento de libertação e feito parte da resistência interna, os mestiços tinham expectativas semelhantes a dos pretos sul-africanos.

“A percepção real existente entre as comunidades é que elas não são brancas o suficiente para serem pretas e vice-versa. Tais sentimentos podem provocar distúrbios maiores.”

Booysen disse que uma das razões da AD ter conseguido um bom desempenho na província do Cabo Ocidental foi porque a classe média mestiça que no passado votava no CNA (Congresso Nacional Africano) ter passado a apoiar a AD.

Na reunião, a diretora de desenvolvimento do Departamento de Habitação, Thembakazi Hlela, disse que uma vez que a prefeitura identifique terra para habitação, determinados processos necessitam ser seguidos. Ela negou que o problema tinha algo a ver com raça, acrescentando que todo o povo da cidade tinha questões relativas à habitação. “Pessoas de todos os grupos raciais são transferidos depois de terem sido identificados como beneficiários da habitação.”

De WeekendPost.

Os textos postados assinados por seus autores e os noticiosos e de outros sites lincados são de inteira responsabilidade dos mesmos não representando no todo ou em parte posicionamentos do Nação Mestiça.

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One Response

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  1. Kiara says

    Ficar mais de 20 anos numa fila de espera é algo assim, surreal!

    Isso porque vai se pagar pela casa, ou tou errada? Imagina se fosse de graça! 40 anos, no mínimo!



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