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A volta dos “caboclos de palanque”

Toda eleição lá estão eles nos palanques, nas ruas, na TV, nas rádios, na Internet, na tua casa, correndo atrás de votos, estufando o peito ou com cara de coitadinho, jurando que são caboclos. Mas afinal quem são, o que pensam, o que desejam, como se reproduzem os tais “caboclos de palanque”?

Caboclos, ou cabocos, são os nativos mestiços de índios e brancos. Já habitam o Brasil desde cerca de 1530, originados de índias e brancos portugueses. São encontrados de Norte a Sul do país. Existem os pobres, os de classe média, os ricos, os diplomados, os “doutores da vida” e os analfabetos. Há os caipiras, os perrechés e outros tipos regionais – e há ela:

“Cabloca” para o eleitor, branca para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Os “caboclos de palanque” não se enquadram em nenhuma categoria “dos vera”; se muito fazem uma interseção que separa os que são objetivamente caboclos, mas somente assumidos para fins eleitorais, dos que sequer têm uma gota de sangue índio ou branco.

O que faz, porém, um “caboclo de palanque” ser “caboclo de palanque” mesmo é a súbita amnésia de sua caboquitude no exato momento em que as urnas param de engolir votos, muitas vezes seguida por um incontrolável desejo de apoiar negrismo, indigenismo e tudo o que vá contra os caboclos. Este fenômeno pode ser o transbordar de um sentimento reprimido durante o pleito ou a manifestação de um, digamos, confortável pacto de governabilidade.

Deixando de introduções, passemos a alguns exemplos.

Arthur Virgílio Neto

O ex-senador e prefeito tucano de Manaus afirmava, em 2012, que tinha “sangue caboclo”; na sua campanha eleitoral seguinte, em 2016, contava que era um “índio branco” e para o TSE que era branco. Durante seu mandato como prefeito, a representação mestiça foi excluída do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Manaus e defendeu na Justiça a anulação de artigos da Lei Orgânica do Município de Manaus que garantiam representação aos mestiços no Conselho Municipal de Cultura de Manaus.

Hissa Abrahão

Mais um declarado branco que se passa por “índio caboclo” quando chegam as eleições. Hissa Nagib Abrahão Filho é do PDT, partido da Internacional Socialista e do Foro de São Paulo, fundado pelo negrista, indigenista branco e atual morador de uma cela da Polícia Federal em Curitiba, Lula da Silva. O PDT fez parte dos governos petistas. Hissa Abrahão foi eleito vice-prefeito de Manaus em chapa com Arthur Virgílio Filho. Não tem qualquer política a favor de caboclos, mas seu partido tem para expulsar mestiços e criar territórios exclusivos para índios.

 

Marcelo Ramos 

Passou a se declarar caboclo na sua campanha para deputado federal nestas eleições de 2018 e pardo para o TSE. Atualmente no Partido da República, foi membro do PCdoB, partido que defende que pardos são negros, de 2.000 a 2.010, e do PSB, de 2.010 a 2.016. Durante sua passagem pelo PSB, fez parte da base parlamentar do prefeito branco Serafim Corrêa, sendo candidato a vice-prefeito na chapa do mesmo em 2012. Quando prefeito (2005-2008), Serafim que vetou artigos do projeto de lei do Dia do Caboclo afirmando que

Não existe pertinência em assegurar a participação de representantes dos caboclos em Conselhos municipais, pois tal categoria não possui o reconhecimento público necessário.” 

Em 2014, Marcelo Ramos apoiou a então candidata negrista do PSB, Marina Silva, à presidência da República.

 

Plínio Valério

O tucano, que diz que é caboclo para o povo e diz que é branco para o TSE, é vereador em Manaus e concorre a uma vaga de senador. Exerceu o cargo de deputado federal 2013 por oito meses. O partido do candidato, o PSDB, é negrista e indigenista e durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso fez limpeza étnica de milhares de mestiços caboclos.

 

“Caboclos de palanque” não vão acabar se nós, cabocos de verdade, não elegermos políticos realmente compromissados com nosso Povo Mestiço, que não fiquem exibindo seus lindos dentes em vídeos para depois votarem contra nós, levando suas boas vidas, enquanto brancos indigenistas e negristas do MP, do Governo Federal, e seus amigos, nos preparam um mandado para arrumarmos nossas trouxas e irmos embora.

“Caboclos de palanque” se reproduzem seduzidos por boa fé, desatenção ou descompromisso de eleitores e, principalmente, por sucesso nas urnas. Olho vivo!

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