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Merkel sai em defesa de uma Alemanha exigente com os imigrantes

BERLIM — A chanceler Angela Merkel exigiu neste final de semana dos imigrantes que aceitem os valores da Alemanha, intervindo no debate sobre a integração que vem dividindo o país há semanas.

Ela enterrou o modelo de uma Alemanha multicultural onde coabitariam harmoniosamente culturas diferentes: “a visão de Multikulti” – “de vivermos lado a lado e nos alegrarmos com isso” – “fracassou, fracassou totalmente”, disse Merkel durante pronunciamento para as Juventudes Conservadoras.

Segundo Merkel, os imigrantes devem se integrar e adotar a cultura e os valores alemães: “sentimo-nos ligados a valores cristãos. O que não aceitar isto não tem lugar aqui”.

“Subvencionar os imigrantes” não basta, a Alemanha tem o direito “de fazer exigências” em relação a eles, prosseguiu, citando como exemplo o domínio do idioma e a não existência de casamentos forçados.

Para favorecer a integração, o governo acaba de decidir financiar a formação completa de líderes religiosos, os imãs, nas universidades alemãs. A maior parte vem hoje da Turquia, com um parco conhecimento do alemão.

O próprio presidente turco Abdullah Gül exortou seus compatriotas, que formam a maior comunidade estrangeira na Alemanha, a aprender a “falar fluentemente, sem sotaque” a língua de Goethe.

Merkel afirmou, no entanto, que a imigração era necessária devido à falta de mão de obra qualificada (400.000 pessoas, segundo a Câmara de Comércio e Indústria), ao mesmo tempo em que alguns conservadores gostariam de fechar essa válvula.

Ela acrescentou que “o Islã faz parte da Alemanha”, retomando uma fórmula recente do presidente Christian Wulff (do partido CDU) que causou indignação em uma parte dos cristãos-democratas (CDU-CSU).

Merkel, cuja coalizão conservadora-liberal está em queda livre nas pesquisas, com a aproximação das seis eleições regionais em 2011, tenta reunir tendências divergentes de seu partido e voltar a mobilizar os eleitores, comentava a mídia alemã.

“Merkel integra as opiniões dos líderes Seehofer e Wulff”, considerava a revista Focus. Horst Seehofer, líder da CSU bávara que corteja os votos mais à direita, vinha dizendo desde sexta-feira que “a Multikulti morreu”.

A Alemanha não “tem mais necessidade de imigrantes de países de culturas diferentes como os turcos e os árabes” para os quais é “mais difícil” a integração, havia dito.

A chanceler decidiu, então, intervir num debate que inflama o país, estimam analistas.

A Alemanha está em ebulição desde a publicação neste verão por um funcionário de alto escalão do Banco Central, Thilo Sarrazin, de um panfleto segundo o qual o país “embrutece” sob o peso dos imigrantes muçulmanos.

Seu livro, “a Alemanha se desfaz” (numa tradução livre), tornou-se um sucesso. Uma avalanche de pesquisas mostram que a maioria dos alemães aprova as teses de Sarrazin.

Um estudo mostra mais de 50% dos alemães tolerando mal os muçulmanos que, com 4 milhões de pessoas, representam cerca de 5% da população. Mais de 35% estimam que a Alemanha “submerge” em relação aos estrangeiros e 10% acham que deveria ser dirigida “com mão firme” por um “Führer”.

O secretário-geral do Conselho central de judeus da Alemanha, Stephan Kramer, preocupa-se com o que chamou de um debate “desmesurado, hipócrita e histérico” numa sociedade alemã que, segundo ele se radicaliza.

“Oito semanas transcorreram apenas desde a publicação, por Sarrazin, de sua tese de declínio, e mais o debate prossegue, mais o nível baixa”, comentava domingo a revista Der Spiegel.

De Audrey KAUFFMANN (AFP).

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