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Organização mestiça protesta contra discriminação pelo governo da África do Sul

A organização sul-africana Gatvol Capetonian realizou neste domingo (8) uma manifestação de protesto contra discriminação aos Coloureds, os mestiços da África do Sul, e com críticas aos dois maiores partidos do país, o Congresso Nacional Africano (ANC), de maioria preta e no poder, e a Aliança Democrática (DA).

O Gatvol Capetonian (o nome é parte africâner e parte inglês e significa “capetoniano irado”, em tradução livre) afirma em seu site oficial que haveria discriminação contra a população de Cabo Ocidental, província de maioria mestiça:

“Há uma escassez de moradias a preços acessíveis na Cidade do Cabo e em todo o Cabo Ocidental e do Norte. As famílias estão nas listas de espera há décadas, enquanto os recém-chegados ao Cabo Ocidental são aprovados.

Também afirma que “os alunos estão freqüentando escolas financiadas sem recursos para educá-los adequadamente” e que haveria discriminação contra Coloureds na política de ação afirmativa voltada para o emprego:

“Aos descendentes do povo Khoi e San” – nativos da África do Sul – “estão sendo negadas oportunidades de emprego e estão experimentando alto desemprego devido às políticas de ação afirmativa do governo nacional que não se aplicam no Cabo Ocidental e do Norte”.

Prometem reagir: “De acordo com a decisão do Tribunal Constitucional, vamos responsabilizar o governo do Cabo Ocidental para cumprir a decisão e dar preferência aos ‘Coloureds’ – o grupo étnico maioritário”.

Também afirmam que “devido ao racismo sistemático, institucional, experimentado sob o Apartheid, o governo do ANC e o governo da DA, o crime tem aumentado exponencialmente em todas as comunidades do Cabo Ocidental e do Norte”. Para enfrentar o problema, propõem trabalhar com parceiros da comunidade e governo.

Defesa dos Coloureds

O Gatvol Capetonian foi formado em abril de 2018 e é liderado por Ebrahim Davids, Fadiel Adams e Oscar Lyons, residentes na Cidade do Cabo.  

Segundo o site da organização, esta tem como principal missão “defender e fazer lobby pelos direitos humanos dos descendentes de Khoi, San e de outras tribos nativas (Coloureds e Malaios) no Cabo Ocidental e do Norte.

Afirma também que “as tribos nativas do Cabo sofreram e foram marginalizadas desde 1652 pelos colonos europeus, depois pelo governo do apartheid, seguido pelo governo do Congresso Nacional Africano (ANC) e agora pelo governo da Aliança Democrática (DA)”.

“Gatvol Capetonian organizará e mobilizará os descendentes dos povos indígenas do Cabo para assegurar acesso equitativo à moradia, emprego e educação. Nosso objetivo é trabalhar em direção a uma nação independente no Cabo e devolver a terra aos descendentes do povo Khoi e San”, complementa.

Os Khoi e San eram os povos que habitavam originalmente a atual África do Sul antes da chegada de pretos bantos vindos do Norte, por volta dos séc. IV e V, e de brancos holandeses vindos do Sul do país, no séc. XVII. Os portugueses foram os primeiros europeus a chegarem à África do Sul, em 1487, mas não a colonizaram.

Os Khoi e San eram denominados, respectivamente, hotentotes e bosquímanos pelos europeus. Bantos, destacadamente zulus e xhosas, constituem atualmente a maioria da população e do governo sul-africanos.

Governo que impor idioma preto e eliminar idioma nativo dos Coloureds

O porta-voz do grupo, Fadiel Adams, destacou, segundo matéria do jornal News24, que não há racismo no movimento.

“Dê uma volta pela Cidade do Cabo. Mostre-me o traço de nós” – os Coloureds. “Nós sempre estivemos aqui. Você vê Sobukwe, Mandela, Kgosana, todo mundo. Onde estão os Ashley Kriel e Pedro Page Boulevards? O Aeroporto de Krotoa? Eles agem como se nunca estivéssemos aqui. Eles querem enegrecer toda a Cidade do Cabo.”

Segundo o porta-voz não seria sobre “nós e eles, por si só”. Em vez disso, Fadiel Adams alegou que as políticas do governo estavam ameaçando “matar todos nós”. Ele alegou que o governo queria “forçar-nos a falar xhosa, mas eles declaram guerra ao africâner, nossa língua nativa”.

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