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Os racistas e seu ódio ao Integralismo – Sérgio de Vasconcellos

No Brasil, o racismo tem características “sui generis”. Os racistas, com raras exceções, não se confessam como tal. Vergonha? Medo da Lei Caó (antiga Afonso Arinos)? Vivem a dizer: “eu não sou racista”, mas, não param de falar mal, principalmente, dos mestiços, pelos quais votam um desprezo total. Os racistas nutrem um profundo, visceral e concentrado ódio ao Integralismo. O motivo é simples: O Integralismo não adota ou compartilha descabidas idéias segregacionistas, assumindo uma posição nitidamente antiracista desde a sua Fundação, em 1932.

Os racistas tupiniquins têm desenvolvido toda uma teoria racial surrealista:
1 – A pureza racial.
Que o Brasil foi composto por três “raças”: Amarela, branca e negra – com as suas respectivas culturas próprias -, que só se miscigenaram aqui em nosso País, e que, portanto, é imperioso resgatar tais raízes raciais e culturais, obrigando-se que cada Brasileiro assuma a “raça” e a “cultura” de que proveio…

2 – A miscigenação racial é obra dos comunistas.
Para enfraquecer o Povo Brasileiro, os comunistas fazem a apologia da mistura racial.

3 – O Integralismo é nocivo ao Brasil, pois defende a fusibilidade das raças, os mestiços, e, particularmente, por seu culto ao “caboclo”.

Examinemos cada um desses pontos:
1 – A tese da pureza racial é insustentável. É possível que alguém em sã consciência ache que as diversas raças que vieram para o Brasil, antes de aqui chegarem, nunca houvessem se misturado? Que a miscigenação, que os racistas tanto odeiam, só ocorreu no Brasil? “Milhares de anos” de pureza racial? Ficção científica de má qualidade. Nem um nazista fanático afirmaria uma bobagem semelhante. A Antropologia, a Etnologia, a História, a Geografia, a Biologia, a Geopolítica ou qualquer outra ciência, não corroboram um tamanho disparate. UMA a cultura da raça amarela? Então, um japonês, um tibetano e um borôrô, têm a mesma cultura? Só um indivíduo que jamais compulsou um livro de Antropologia poderia afirmar tamanha tolice.

Desde o Século XVI, todas as raças que aportaram ao Brasil têm se miscigenado, e esse processo contínuo só fez intensificar-se ao longo destes quatro séculos. Querer negar um tal fato, é tapar o sol com a peneira. Querer que um mestiço – a grande maioria do Povo Brasileiro – opte obrigatoriamente por uma das raças de que é descendente, é um absurdo! É uma bobagem!

Certamente, foi pensando nesse tipo de imbecil que o Chefe Nacional escreveu no Manifesto de Outubro: “Criaram preconceitos étnicos originários de países que nos querem dominar”. Não vale a pena insistir mais no exame desse ponto. O Integralismo luta pelo Povo Brasileiro, orgulhosamente mestiço, apesar do horror que isso provoca em todos os racistas.

2 – Afirmar que a miscigenação é discurso e obra da esquerda, é um absurdo, pois a mistura racial é fato constatável por qualquer um que saia de casa e veja o mundo ao seu redor como ele é e não com óculos ideológico nazista. O caldeamento das raças, no Brasil, vem ocorrendo desde o seu Descobrimento, muito antes de Marx e Engels sonharem em nascer, logo, não pode ser obra da esquerda. É preciso ser um completo tapado para defender uma idéia dessas. Diante de tais energúmenos, teimosamente racistas, não posso deixar de lembrar daquelas palavras do Chefe, em “Despertemos a Nação!” (1935): “O nosso grande mal é o semi-analfabetismo, essas massas de homens INCAPAZES DE RACIOCINAR, AVESSOS À LEITURA, REPISADORES DE DUAS OU TRÊS IDÉIAS QUE SE LHES METERAM NA CABEÇA, OPINADORES SUPERFICIAIS EM TODAS AS OPORTUNIDADES, VAIDOSOS, ÔCOS, de gravata e colarinho, enxameando as cidades, parasitariamente.”

3 – O Integralismo não impõe nenhuma mistura racial, ela vem se processando naturalmente ao longo de cinco séculos de história. Quer os racistas gostem ou não, nós somos mestiços, um Povo Mestiço, em pleno processo de caldeamento racial. Protestem o quanto quiser, contra fatos não existem argumentos. Mesmo que alguém se julgue um “ariano” racialmente falando, já é um mestiço culturalmente, goste ou não… A maior parte de nossa população é de mestiços. O discurso racista, além de ser grossa bobagem, é de nítida inspiração nazista. O Integralismo é pela harmonia de todas as raças e pela Cultura Brasileira.

De fato, no Integralismo não há lugar para racismo, isso está estabelecido desde o Manifesto de Outubro, com o qual Plínio Salgado fundou o Integralismo Brasileiro em 1932, e onde já denunciava: “Os brasileiros das cidades não conhecem os pensadores, os escritores, os poetas nacionais. Envergonham-se também do caboclo e do negro da nossa terra”.

Nenhum Integralista é racista. Se existe alguém que se diga Integralista e é racista, então, ele, de fato, NÃO É INTEGRALISTA, é um pseudo-Integralista ou um neo-Integralista, pois, não há lugar para um racista no Integralismo. Foi assim no passado e é assim no presente, como posso testemunhar, pois, estou há trinta anos no Movimento Integralista, tendo participado de Reuniões Integralistas em variados pontos do território nacional, e posso garantir que sempre tivemos e TEMOS pessoas de todas as “cores” nas nossas fileiras. Certa feita seguindo instruções do saudoso Companheiro Dr. Sebastião Cavalcante de Almeida, Chefe Nacional da nova Ação Integralista Brasileira, remeti ao então segundo maior jornal diário do Rio de Janeiro, uma Declaração Oficial na qual afirmava que o Integralismo não era e nunca fora anti-semita. O periódico publicou a Nota na Seção de Cartas dos Leitores, e com isso ganhei duas réplicas: Uma, no próprio jornal, em que um badalado escritor comunista, em artigo de meia página, após dizer as bobagens de sempre, me definiu como um “mentiroso e cara-de-pau”… (imediatamente, escrevi uma carta ao dito jornal em que esmagava o canalha e demonstrava que ele era apenas um asno pomposo, mas, obviamente aquela missiva jamais foi publicada; hoje, aquele outrora prestigioso e independente órgão da imprensa brasileira é uma sombra de si mesmo, sobrevivendo graças a capitais estadunidenses). A outra réplica veio através de um Manifesto do Partido Nazista Brasileiro, onde o Integralismo foi acusado de ter sempre estado a serviço dos judeus, e também onde fui particularmente atacado e denunciado como amigo e lacaio dos judeus… Acredito que seja o único Integralista com o título de filo-judeu passado pelo Partido Nazista…

Sendo o Chefe Nacional Plínio Salgado, oriundo do interior do Estado de São Paulo, onde o caboclo (mestiço de branco com índio) é predominante, naturalmente a figura do caboclo assumiu um relevante papel na sua produção literária. Assim, Juvêncio, Edmundo Milhomens, Maranduba e Martinho, todos caboclos, são personagens marcantes nos seguintes romances do Fundador do Integralismo: “O Estrangeiro” (1926), “O Esperado” (1931), “O Cavaleiro de Itararé” (1933) e “A Voz do Oeste” (1934). Com muita propriedade protestava o Chefe em “Despertemos a Nação!” (1935): “O semi-analfabeto é o cidadão que sabe ler e escrever e que, por isso, se julga superior ao pobre caboclo que lavra a terra e ao operário que produz nas fábricas”. É perfeitamente compreensível que essa inclinação de Plínio Salgado para o caboclo influenciasse todos os Integralistas. Ainda em 1991, o Companheiro Ubiratan Pimentel, para chocar e horrorizar a sensibilidade pequeno-burguesa dos racistas, escreveu no Manifesto da Juventude Integralista: “Proclamamos os direitos inalienáveis da Raça Cabocla, em face da imposição de uma excrescência cultural alienígena, perpetrada por ideologias étnico-políticas e pseudo-religiosas que se comportam como fatores de desagregação, abalando sub-repticiamente a Cultura Brasiliana, através de quistos sócio-culturais”.

O que é o racismo? É a negação do Brasil como um País pluri-étnico e a recusa de uma Cultura Brasileira. O Integralismo, desde o seu surgimento pugna pela criação de uma cultura, a Cultura Brasileira: “Nós, brasileiros unidos, de todas as Províncias, propomo-nos criar UMA cultura, UMA civilização, UM modo de vida genuinamente brasileiros” (Manifesto de Outubro).

Justamente na questão racial, o Integralismo acredita que um grande papel está reservado ao Brasil. Eis o que diz Plínio Salgado no seu livro “A Quarta Humanidade” (1934):
“Que missão estará reservada a esta grande Pátria? Que contribuição trará ela à Humanidade do futuro? Tudo nos indica que se desafogarão em nós, E AQUI DESAPARECERÃO, TODOS OS ÓDIOS DE RAÇAS e de religiões,(…)”.
“É preciso, entretanto, para que um dia tenhamos o dom da palavra, QUE NÃO DEIXEMOS AQUI PREDOMINAR NENHUMA DAS FEIÇÕES JÁ DEFINIDAS DA VELHA CIVILIZAÇÃO QUE AGONIZA, depois da Grande Guerra, porque o seu ciclo está definitivamente encerrado…”
“Nós somos UM POVO QUE COMEÇOU A EXISTIR DESDE A MORTE DE TODOS OS PRECONCEITOS, quando as três raças se fundiram, (…)”.
“Nossa Pátria nasceu da confraternização das raças, DAS GRANDES NÚPCIAS HISTÓRICAS (…)”.
“(…) A FUSÃO das três raças iniciais ensinou-nos o amor da humanidade, e de tal modo ampliou a nossa possibilidade de amar, que diante desse sentimento, RUÍRAM TODOS OS PRECONCEITOS, todas as prerrogativas, como deixaram de existir todos os ódios. (…)”.
“AS CORRENTES IMIGRATÓRIAS, QUE NOS PROCURAM, TERÃO DE RENUNCIAR O PASSADO, CONDIÇÃO QUE FOI IMPOSTA AOS NOSSOS AVÓS, QUANDO PASSARAM A TERRA AMERICANA. E nós devemos acolhê-los, SEM NOS SUJEITARMOS A QUAISQUER IMPOSIÇÕES que tragam o cunho de velhos prejuízos europeus, ou QUE TENHAM EM MIRA PERPETUAR, DENTRO DE NOSSA PÁTRIA, FEIÇÕES NACIONAIS ESTRANGEIRAS”.
“A América do Sul vai erguer-se, pelo milagre do Brasil. O BRASIL CABOCLO, o Brasil forte, o Brasil do sertão, o Brasil bárbaro e honesto, num ímpeto selvagem, vestiu uma farda da cor das nossas matas e desfraldou uma bandeira da cor do céu”.

O racismo é um pensamento unilateral e fruto da ignorância, portanto, inteiramente incompatível com o Integralismo. É inimaginável um Integralista dirigir-se a um outro Brasileiro, chamando-o de mulato, branco, cafuzo, carcamano ou qualquer expressão preconceituosa semelhante. O Camisa-Verde não julga ninguém pela cor da epiderme. “O homem vale pelo trabalho, pelo sacrifício em favor da Família, da Pátria e da Sociedade. Vale pelo estudo, pela inteligência, pela honestidade, pelo progresso nas ciências, nas artes, na capacidade técnica, tendo por fim o bem-estar da Nação e o elevamento moral das pessoas”. É o Valorímetro Integralista exposto por Plínio Salgado, no Manifesto de Outubro.

O Integralismo não tem bandeiras raciais de qualquer tipo: “Veja, pois, que o nosso ponto de vista é superior a respeito deste problema. NÃO COMBATEMOS NEM RAÇAS nem classes: insurgimo-nos contra uma civilização”. “O problema do mundo é Ético e NÃO ÉTNICO”.(Plínio Salgado, “Trechos de uma Carta”, Panorama – Nº 4 e 5 – Abril e Maio de 1936).

Sérgio de Vasconcellos é autor de Integralismo: Um novo paradigma.

De Integralismo: História e Doutrina, 13/08/2010.

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