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O tráfico islâmico de escravos africanos e europeus

Crianças africanas resgatadas de traficantes muçulmanos árabes pelo navio da marinha britânica HMS Daphne, em 1868, no Oceano Índico. Fonte: Arquivos Nacionais Britânicos.

O número de pessoas escravizadas por muçulmanos tem sido um tema muito debatido, em particular o número de africanos escravizados, marcado pela participação árabe e o tráfico em direção ao Oriente Médio. Embora originado milênios depois do Judaísmo e mais de quinhentos anos depois do Cristianismo, o tráfico transcontinental islâmico de africanos precedeu em séculos e permaneceu muito depois do fim tráfico transatlântico promovido por negreiros judeus e cristãos. Também por séculos, brancos europeus e do Norte africano foram capturados e comercializados por negreiros muçulmanos.

O Período de Tempo

O tráfico de escravos árabes foi o mais longo, ainda que menos discutido, destes dois principais tráficos de escravos. Começou no sétimo século como árabes e outros asiáticos espalhando-se no Norte e Leste da África sob a bandeira do Islã. O comércio árabe de negros no Sudeste da África precede o comércio transatlântico europeu de escravos em 700 anos. Alguns estudiosos dizem que o tráfico árabe de escravos continuou de uma forma ou de outra até a década de 1960. A escravidão na Mauritânia só foi criminalizada em agosto de 2007 e movimentos jihadistas ainda no séc. XXI praticam e professam o direito a ter escravos e de escravizar cristãos e outros não muçulmanos.

Números

Alguns historiadores estimam que entre os anos 650 e 1900, de 10 a 20 milhões de pessoas foram escravizadas por negreiros muçulmanos árabes. Outros acreditam que mais de 20 milhões de africanos foram entregues como escravos, através da rota trans-sahara, apenas para o mundo islâmico. Para fins comparativos, P. D. Curtin, citado em História Geral da África, v. VI, calcula em cerca de 10 milhões o número de africanos que chegaram às Américas como escravos.

Dr. John Alembellah Azumah em seu livro de 2001, The Legacy of Arab-Islam in Africa estima que mais de 80 milhões de pretos morreram no caminho.

Negreiros árabes praticaram controle racial

Dois eunucos africanos e seis concubinas de um sultão otomano (cerca de 1929). Fonte: Secular African Society.

O tráfico de escravos árabes normalmente tratava da venda de escravos do sexo masculino castrados. Os meninos pretos, entre a idade de 8 e 12, tinham seus escrotos e pênis completamente amputados para impedi-los de se reproduzirem. Cerca de seis de cada dez meninos sangraram até a morte durante o procedimento, de acordo com algumas fontes, mas o alto preço trazido por eunucos no mercado tornou a prática lucrativa.

Alguns homens foram castrados para serem eunucos no serviço doméstico e a prática de esterilizar os escravos do sexo masculino não se limitava apenas aos homens pretos. “O calipha em Bagdá, no início do século X, tinha 7.000 eunucos pretos e 4.000 eunucos brancos em seu palácio”, escreve o autor Ronald Segal em seu livro de 2002, Islam’s Black Slaves: The Other Black Diaspora.

Comércio árabe de escravos inspirou o racismo árabe contra pretos

À medida que nos territórios submetidos pelo Islã a demanda por negros crescia, o mesmo acontecia com o racismo em relação aos pretos africanos.

Como a associação casual entre ter pele preta e ser negro começou a ser estabelecida, as atitudes racistas em relação aos pretos começaram a se manifestar na língua e na literatura árabe. A palavra para escravo – Abid – tornou-se um coloquialismo para africano. Outras palavras como Haratin afirmam inferioridade social dos africanos.

Negreiros árabes buscavam mulheres para serem estupradas

O comércio oriental árabe de escravos lidava principalmente de mulheres africanas, mantendo uma proporção de duas mulheres para cada homem. Essas mulheres e meninas eram usadas por árabes e outros asiáticos como concubinas e servos.

Um negreiro muçulmano tinha direito por lei ao gozo sexual de suas mulheres escravas. Enchendo os harems de árabes ricos, as mulheres africanas geraram uma série de crianças.

Estes estupros e outras violências contra mulheres africanas continuaria por quase 1200 anos.

Comércio árabe de escravos inaugurou o comércio negreiro europeu

Mapa do comércio africano de escravos. Árabes muçulmanos eram os principais traficantes fornecedores para o Oriente Médio e outras regiões dominadas pelo Islã.

O comércio árabe de escravos no século XIX estava economicamente ligado ao comércio europeu de africanos. O comércio transatlântico de escravos proporcionava novas oportunidades de exploração, o que fazia com que os negreiros árabes fossem ultrapassados.

Os portugueses (na costa swahili) beneficiaram-se diretamente e foram responsáveis ​​por um boom no comércio árabe. Enquanto isso, na costa da África Ocidental, os portugueses encontraram comerciantes muçulmanos entrincheirados ao longo da costa africana até a baía de Benin. Estes negreiros europeus descobriram que podiam fazer quantidades consideráveis ​​de ouro transportando africanos escravos de um posto de comércio a outro, ao longo da costa atlântica.

O comércio de escravos árabes provocou uma das maiores rebeliões de escravos da História

A Rebelião Zanj ocorreu perto da cidade de Basra, localizada no atual sul do Iraque, durante um período de quinze anos (869-883 dC). Acredita-se que a insurreição envolveu africanos escravizados (Zanj) que haviam sido originalmente capturados da região dos Grandes Lagos Africanos e áreas mais ao sul na África Oriental.

Os proprietários de terra de Basran trouxeram diversos milhares de povos zanjs do leste africano para o sul do Iraque para drenar os pântanos de sal no leste. Os proprietários de terra submeteram os zanjs, que em geral não falavam árabe, a trabalho extremamente pesado e proporcionavam mantimentos mínimos. O tratamento severo provocou uma revolta que cresceu até envolver mais de 500.000 homens escravos e livres que haviam sido trazidos de todo o império muçulmano.

Negros brancos: o comércio de escravos por muçulmanos árabes não se limitava à África ou a cor de pele

Mulheres brancas escravizadas.

Os negreiros muçulmanos árabes atraíram escravos de todos os grupos raciais. Durante o oitavo e o nono século do califado fatimida, a maioria dos negros (palavra que significava escravo) eram brancos europeus (chamados Saqaliba), capturados ao longo das costas européias e durante as guerras.

Além daqueles de origem africana, pessoas de uma grande variedade de regiões foram forçadas à escravidão árabe, incluindo o povos mediterrânicos; persas; pessoas das regiões montanhosas do Cáucaso, como a Geórgia, a Armênia e a Circassia – a palavra escravo deriva de ‘eslavo’ em razão disto – e de partes da Ásia Central e Escandinávia; ingleses, holandeses e irlandeses; além de berberes do Norte da África.

Com informações de Atlanta Black Star, 02/06/2014.

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11 Responses

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  1. Fernando Monteiro says

    comprar peça (de qualquer cor) para serviços diversos era investimento muito caro em qualquer parte onde fossem transacionados. No caso de africanos para o Brasil eram bem cuidados e alimentados como força motriz. É falso que eram mutilados, surrados, embora submetidas algumas mulheres ao prazer sexual dos proprietários, quando se acomodavam à sua condição de escravos. Havia também os que compravam e revendiam as ‘peças’. Serviam de penhor: arroladas em inventário,:sequestradas pela justiça por dívidas do proprietário etc. etc. Ao longo do tempo permitiam-se alforrias a título gratuito ou oneroso. O alforriado, por ironia, obtinha escravo….
    Fonte: CASA GRANDE E SENZALA – Gilberto Freire

  2. God's Teacher says

    Quer dizer que a conta da escravidão fica toda nas costas dos árabes muçulmanos? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Vamos aos fatos:
    1. Escravidão existia entre europeus, africanos e asiáticos, mas diferente da escravidão que recebeu o Selo Católico de Tratamento a Escravos, a escravidão não tinha cunho racial, nenhum escravo era diminuído em razão da cor da pele, como aconteceu na escravidão imunda que os católicos criaram.

    2. Brancos escravizaram brancos também. Romanos escravizaram germânicos, britânicos, gauleses e também africanos, logo, o fato de um árabe escravizar um branco não o torna mais cruel que um europeu escravizando outro europeu.

    3. Os árabes muçulmanos não tratavam escravos como animais, tanto que muitos escravizados alcançaram notoriedade por seus feitos junto à administração dos califados e como soldados. Um escravo podia conquistar sua liberdade, podia exercer cargos públicos, podia aprender a ler e escrever caso fosse analfabeto e podia se casar com pessoas livres, diferente da escravidão regida pelos cristãos católicos, que relegavam os escravos à condição de sub-humanos, acima dos animais, mas abaixo dos seres humanos (os brancos).

    Me diverti com o seu post porque ele é racista, mentiroso e mal intencionado.
    Quanto às minhas fontes, as revelaria se tivesse revelado as suas, que com certeza partiu de alguma página que prega o ódio e a intolerância.

    • Edu says

      Você foi muito equivocado. Você não leu o tema do texto? E pelo contrário, geralmente a escravidão cai toda na conta dos europeus, mas como você mesmo disse, a escravidão existiu entre africanos, europeus e asiáticos, de fato. O texto conta um pouco de como se deu essa escravidão muçulmana (que como sequência teve a européia cristã). Não vi nada de racista ou intolerante nisso. Larga de ser hipócrita.

      • Michell Máximo says

        Bastante equivocado, viu?! O texto não tratou em nenhum momento da conta da “escravidão fica toda nas costas dos árabes muçulmanos”. Você deveria ao menos ler todo o texto para compreender, ou será que seu analfabetismo funcional não deixa? Pqp! Esse aí é um esquerdista de carteirinha. uahsuash

    • BedFord says

      Você é burro? Basta ver onde existem negros hoje, nas Américas ou na Arábia? Isso já refuta seu argumento falacioso que o negro era bem tratado pelo muçulmano até podendo casar-se com pessoas livres e na América era desumanizado. Onde que decepavam os órgãos genitais pra eles não se reproduzirem? Como tem jumento palpiteiro, pqp! “Os cristãos mimimi…”
      Cala a boca burro!!!

    • Rodrigo says

      Deboche, raiva, acusações, arrogância …interessante a reação quase pirracenta contra quem ousou mostrar algo diferente do que ele acredita. Seria um fundamentalismo ateísta?

  3. Simon Fernando Vascco says

    Les Négriers En Terres D’Islam, de Jacques Heers;
    White Slaves, African Masters, de Paul Baepler;
    “Traites Négrières, de Olivier Pétré Grenouilleau;
    Quand Les Noirs Avaient Des Esclaves Blancs, de Serge Bilé;
    Afrique, L’Histoire Á L’Endroit e L’Histoire De L’Afrique”, de Bernard Lugan;
    Islam’s Black Slaves, de Ronald Segal;
    Le génocide voilé, de Tidiane N’Diaye;
    Slave, de Mende Nazer;
    White Gold, de Giles Milton

  4. Alexandre Sousa says

    Não entendo porque esta praga muçulmana anda com tanta moral. Parece que foram eles os oprimidos, quando na verdade eles escravizavam brancos, negros e ainda vendiam negros aos europeu da America. Hoje esses mesmo muçulmanos estão na Europa e gangues de criminosos prostituem mulheres europeias quando tem chance. Terroristas tem escravos nos territorios que dominam. Temos uma divida historica com negros, judeus, ciganos e muitos povos nativos, mas quem nos vem cobrar coisas são os muçulmanos. Muçulmanos eram nossos opressores ou parceiros conforme a circuntancia, e hoje posam como antigas viitimas dos europeus usando o curto periodo das cruzadas para nos jogar as coisas na cara. Eles atacaram a Europa desde o seculo 8 até o seculo 18. Quem não lê historia cai na conversa de vitima deles.

  5. Cláudio Oliveira says

    Parabéns por resgatar à história de nossos ancestrais e não jogar à responsabilidade da escravatura do continente africano em 100% na conta dos europeus. Obrigado por divulgar à História.

  6. Lúcio says

    Esclarecedor. Não sabia dessas informações. Você poderia indicar livros que falem mais sobre o assunto? Obrigado.

  7. Roberto says

    Muito boa a matéria. Excelente.



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