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O Novo Mapa do Brasil – Zeno Soares Crocetti

Irton Marx, Isto é/Senhor, nº 1159.

separatismo 

“Se você não especificar e confrontar suas finalidades reais, o que disser certamente tornará estas finalidades obscuras. Se você não alertar moralmente as pessoas, você mesmo estará moralmente adormecido. Se você não incorporar a controvérsia o que disser será a aceitação da vinda do inferno humano.”

C. Wright Mill, The Power Elite

A emergência de movimentos separatistas no mundo ganhou força, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, desencadeando a independência de muitos países da África e da Ásia. No final do século XX, eles adquiriram novas formas, passando a proliferarem em diversas regiões resgatando, criando ou reforçando identidades nacionais, regionais ou até mesmo locais.

Alguns pesquisadores acreditam que esses movimentos são uma reação à implantação do neoliberalismo, mas também acentuam as particularidades territoriais. A globalização conduzida pelos grandes bancos e corporações transnacionais retira o poder do Estado sobre o processo produtivo e afeta sua integridade territorial nacional e sua autonomia. Os movimentos nacionalistas de cunho separatista, bem como movimentos sociais apoiados na afirmação da identidade e na tradição do lugar eclodem (BECKER,1995: p. 271-307).

Esses processos podem ser exemplificados pelas manifestações separatistas no Canadá, Itália, Espanha e Brasil (ANDRADE, 1998: p.15). A soberania é afetada tanto em sua face externa, ao ser questionado pelo poder econômico e financeiro, quanto em sua face interna. Ela apresentará uma tendência a fragmentação, produzida por enclaves econômicos e territorialidades políticas, diretamente articulados ao espaço transnacional, contribuindo enquanto agentes destruidores das forças centrípetas que mantém a união dos Estados (BECKER, 1995: p. 271-307).

Muitos desses movimentos reivindicam dos governos federais uma maior autonomia no interior da federação ou confederação. Eles almejam uma melhor distribuição dos recursos fiscais repassados pela União. Por vezes os recursos se apresentam mais concentrados numa determinada região, normalmente a mais rica, ou aglutinados na esfera da capital federal, prejudicando os interesses das demais províncias, estados ou regiões (MARTINS 1997; ANDRADE 1998).

Entre as inúmeras manifestações separatistas destacam-se as do Sul do Brasil. As diversidades culturais representadas pelo regionalismo que conferem caráter único, a cada uma das grandes regiões ou estados (o nordestino, o gaúcho, o mineiro, o amazônico, entre outros).

A região Sul do Brasil desde a década de 80 do século XX, vem surgindo um sentimento separatista, que tem sido observado através da organização de grupos (em 2006 foi contabilizados mais de 50 grupos separatistas no Sul do Brasil) como; O Movimento de Independência do Pampa Gaúcho, liderado por Irton Marx (organizado em Santa Cruz do Sul, Novo Hamburgo e São Leopoldo); o Movimento o Sul é o Meu País (surgido em Curitiba, e organizado hoje (2006) nos estados do sul inteiro); o Partido Republicano Farroupilha (Porto Alegre); e, a Frente de Autodeterminação do Sul (Santa Maria) todos de caráter seccionista.

Apesar de fazerem parte de federações, os estados da região Sul do Brasil, reclamam maior autonomia cultural, econômica, política, e social. Nestas colocações se encontrariam o direito de separação.

Os movimentos separatistas/nacionalistas, a partir das últimas décadas do século XX, caracterizam-se por um enraizamento num racionalismo econômico, ou seja, numa estreita lógica contábil de custos/benefícios, a autodeterminação mercantil. Ela busca livrar-se do colonialismo interno dos Estados nacionais. Assim, para alguns estudiosos, essas regiões (no caso o Sul do Brasil) reclamam uma maturidade econômica e política para a secessão.

A crise econômica dos anos 80 e a recessão dos anos 90 fortaleceram as manifestações: no Sul levando a proclamação da República do Pampa Gaúcho (unilateral e não-reconhecida), uma maior organização do Grupo de Estudos do Sul Livre a emergência do Estado do Iguaçu, na Assembléia Constituinte 1988 e na reforma do  Congresso Nacional em 1991.

Leia a íntegra em Crocetti.

Os textos postados assinados por seus autores e os noticiosos e de outros sites lincados são de inteira responsabilidade dos mesmos não representando no todo ou em parte posicionamentos do Nação Mestiça.

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5 Responses

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  1. Paulo says

    Por fim, não pense que os racistas estão no Sul, porque é no Rio e em São Paulo que os Pardos e Negros vivem majoritariamente nas favelas, excluidos das melhores oportunidades. E concordo com a frase no cabeçalho, onde escreveste ser contrário as cotas, e a exigência que o Pardo deva identificar-se como Negro. Enquanto vivermos sob a mesma bandeira (e talvez, seja para sempre) eu espero que todos tenham os mesmo direitos e oportunidades, sem favorecimentos para este ou aquele em função de cor ou origem étnica. É seu direito ser contrário ao Separatismo, mas também é meu direito ser SIMPÁTICO ao movimento. Nada é para sempre. Que diferença fará para vc quando estiver com seus netos se o Sul se separou ou não? Se o Uruguay voltou ou não a viver sob a bandeira do Brasil? Pessoas se separam, por que não países? Em 1940 o divórcio era proibido, em 1800 existiam uns 60 países no Mundo. Como as coisas são hoje? A Escócia já se separou duas vezes da Inglaterra e voltou a se unir. Ninguém sabe como será o dia de amanhã. Não sejamos radicais. O Sul reclama independência por motivos econômicos. O Sul não é racista.

  2. Paulo says

    O Sul não é composto só de Alemães como muitas vezes é retratado. Esses representam uns 15% da população. No RS mais da metade da população descende de Ibéricos. O mestiço, provavelmente será o grupo mais numeroso no Brasil até o final do século, mas geneticamente, o mestiço varia muito de região para região, mesmo no Sul o sangue indígena ou negro nos Pardos/Mestiços tem uma proporção pequena. Em média fica em torno dos 15%, ou seja, os pardos do Sul tem 85% de sangue europeu em média. De novo, isso não os torna nem melhores nem piores que ninguém, mas prova as enormes diferenças entre as regiões. Se não existisse separatismo, o Brasil ainda seria parte de Portugal.

  3. Paulo says

    Concordo que pelo menos metade da população brasileira é mestiça (entre brancos, negros e indíos), mas já foi geneticamente provado, que nos três Estados do Sul, 80% da população é de origem europeia, não que isso seja melhor ou pior, mas gerou uma cultura diferenciada do restante do Brasil. Ademais não acho que o mestiço deva ser classificado como negro ou branco, pois não é nem um, nem outro. Quanto a Região Sul ser brasileira, é contestável, pois o Uruguay, o RS, e grande parte de SC e Paraná originalmente faziam parte do Império Espanhol, devido ao Tratado de Tordesilhas, tratado que nunca foi respeitado por Portugal. Após a independência, o Brasil continuou com essa política expansionista (caso do Acre, Oeste de SC, e parte do Mato Grosso do Sul), então alegar que “faz parte” do Brasil é meio radical. O Uruguay, foi invadido pelo Império Brasileiro, e depois conquistou sua independência, então a Cisplatina nunca foi “perdida”, porque ela nunca fez parte do Brasil. Eu sou descendente de Ibéricos, que vivem no Sul há mais de 250 anos.

  4. Leão says

    Em parte você está certo: sermos mestiços é um problema para os racistas que querem acabar com o movimento mestiço. Alguns até tentaram nos acusar de racismo contra negros – mas a mentira deles não deu o fruto que eles buscavam, pois nós afirmamos nossa ancestralidade preta. O problema para eles é que não aceitamos sermos identificados como negros e sim como mestiços que somos.

    Quanto aos brancos do Brasil, os colonizadores portugueses e seus descendentes brancos já se miscigenaram, inclusive com os indígenas do Sul, e esta região é um dos legados deles e de nossos ancestrais indígenas, mestiços e pretos para Brasil. Os brancos atuais do Brasil – que também estão miscigenando-se – são descendentes de imigrantes que chegaram ao Brasil depois de 1822, quando todo o território do Sul (com exceção da Província Cisplatina, que foi perdida após a Independência) e de quase todo o Brasil atual já havia sido conquistado e estabelecido.

    Se alguém valoriza tanto suas origens não nacionais que quer se separar dos demais brasileiros e do Brasil, que deixe o Brasil e vá para o país de suas origens.

    Direito originário sobre o território do Brasil só quem possui são os indígenas (salvo alguma raríssima exceção, são já todos miscigenados) e os mestiços, pois descendem dos indígenas originais sendo, assim, também nativos.

  5. Paulo says

    Sou simpático ao movimento Sul é meu País, e entendo que a cultura dos Três Estados é diferenciada e discriminada no restante do Brasil. Veja o caso deste site, que fala em Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro, e não foi tirado do ar por racismo, mas se falasse em Movimento Branco ou algo parecido, já teria sido acusado de racismo e tirado do ar. Enfim, no Brasil acontece um racismo inverso, onde o branco lentamente está sendo “banido” da cultura e da nação brasileira. Se é assim então por que não separar?



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