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O indigenismo ruralista – Leão Alves

O indigenismo ruralista
O ruralismo não tem impedido o avanço do indigenismo e isto não causa surpresa. Não se deve enfrentar o indigenismo mobilizando-se somente quando e porque o Governo Federal manda a FUNAI bater à porta. Para uma oposição ao indigenismo é essencial um contínuo enfrentamento moral, ideológico e político a um dos mais implacáveis movimentos raciais que se estabeleceram no Brasil. É indispensável rejeitar o indigenismo em seus fundamentos e não somente em sua ação sobre propriedades particulares. Neste sentido, importa destacar alguns pontos.
1. Indigenismo não é índio.
O indigenismo não tem origem nas culturas dos nossos ancestrais índios. O indigenismo é um braço do multiculturalismo. Tem o interesse de implantar separação racial e étnica. Os índios em regra apoiavam e promoviam mestiçagem com brancos e pretos, algo muito diferente do isolacionismo indigenista.
Esta confusão entre ‘índio’ e ‘indigenismo’ ajuda este a passar a idéia de que seria um movimento de resistência ao “homem branco” quando, na verdade, é um movimento originado e sustentado basicamente por “homens brancos”. Observando o apoio ao indigenismo meio a antropólogos, ativistas, gestores, ONGs brasileiras e estrangeiras, a presença de brancos é majoritária e destacada e, aparentemente, não inferior à dos brancos que se opõem ao apartheid racial no Brasil.
2. O conflito não é contra índios, mas contra o indigenismo.
Jornais indigenistas publicam manchetes como “Governo vai mediar conflito entre índios e fazendeiros em Mato Grosso do Sul” e “Mesmo após acordo, fazendeiros voltam a atacar guaranis-kaiowá no MS”.
As manchetes de publicações ruralistas não costumam se diferenciar ideologicamente daquelas: “Ministro da Justiça viaja a Mato Grosso do Sul para conter conflito entre índios e produtores”; “Para estabelecer diálogo e mediar conflito, governador recebe ministro, produtores e indígenas”.
Há um consenso entre as duas mídias acerca dos polos do conflito. O conflito, porém, não é somente entre fazendeiros e índios, mas antes de tudo entre indigenismo e apartheid, entre segregação de direitos e cidadania, entre supremacia racial e povo mestiço.
3. O conflito é racial e étnico e não somente agrário
Para o jacaré interessa enfrentar a onça no rio, mas para a onça é melhor enfrentar o jacaré na terra. Para o indigenismo interessa colocar o conflito como sendo essencialmente fundiário, entre índios e produtores – ou fazendeiros, como prefere – escondendo o aspecto racial e étnico do conflito.
Expulsar produtores pode ser muita coisa errada, mas não é limpeza étnica. Expulsar mestiços e outros não índios – por não serem índios – é racismo e limpeza étnica, um crime contra a Humanidade, condenado por abundante legislação nacional e internacional.
Interessa ao indigenismo, assim, que os moradores a serem expulsos se apresentem somente como produtores ou proprietários de terra, pois neste caso a resposta da FUNAI já está pronta: “Indenizamos pelas benfeitorias, se tiverem direito” – e ponto final na questão. Este também tem sido o discurso ruralista. O desentendimento entre ruralistas e indigenistas tem sido principalmente se as terras também serão pagas ou não e o valor do pagamento.
O problema para o indigenismo surge quando o morador afirma: “Não estou interessado em indenização; não sou invasor, sou mestiço, descendente dos índios originais, e o povo mestiço tem direito originário sobre esta terra”.
É isto que a máquina do indigenismo não deseja, pois a ação dela deixa de ser de desocupação de invasores para ação de limpeza étnica contra um povo nativo com os mesmos direitos originários dos índios, porque gerado por estes – inclusive dentro dos territórios de onde o Governo Federal pretende expulsá-los.
O racismo da ideologia indigenista, então, fica desmascarado e tão destacado quanto a suástica na bandeira nazista.
Um episódio ocorrido recentemente em Mato Grosso do Sul, no município de Antônio João, onde está ocorrendo mais um conflito indigenista, ilustra a debilidade do discurso ruralista.
No dia 2 de setembro, incomodado com as queixas de uma senhora que assistia à sua falação, o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, no típico estilo petista, retrucou: “Não aceito qualquer tipo de ameaças de indígenas ou de produtores”.
Em um vídeo-resposta, a senhora que o ministro tentou silenciar identifica-se como produtora rural e comenta: “Nossa propriedade tem 150 anos de história; somos a quinta geração dessa família a cuidar da terra”.
Este é um comentário recorrente entre moradores ameaçados de expulsão, para destacar seu direito e a injustiça da expulsão. Ocorre que o indigenismo tem uma resposta fulminante: “Os índios habitavam esta terra há mais de 500 anos!”
A esse argumento somente o direito originário do povo mestiço responde, pois tem a mesma origem do direito originário dos povos índios.
Leão Alves é médico e ex-presidente do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro (Nação Mestiça).
katia

Senadora licenciada Kátia Abreu, líder ruralista e ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do governo do Partido dos Trabalhadores.

O ruralismo não tem impedido o avanço do indigenismo e isto não causa surpresa. Não se deve enfrentar o indigenismo mobilizando-se somente quando e porque o Governo Federal manda a FUNAI bater à porta. Para uma oposição ao indigenismo é essencial um contínuo enfrentamento moral, ideológico e político a um dos mais implacáveis movimentos raciais que se estabeleceram no Brasil. É indispensável rejeitar o indigenismo em seus fundamentos e não somente em sua ação sobre propriedades particulares. Neste sentido, importa destacar alguns pontos.

1. Indigenismo não é índio.

O indigenismo não tem origem nas culturas dos nossos ancestrais índios. O indigenismo é um braço do multiculturalismo. Tem o interesse de implantar separação racial e étnica. Os índios em regra apoiavam e promoviam mestiçagem com brancos e pretos, algo muito diferente do isolacionismo indigenista.

Esta confusão entre ‘índio’ e ‘indigenismo’ ajuda este a passar a idéia de que seria um movimento de resistência ao “homem branco” quando, na verdade, é um movimento originado e sustentado basicamente por “homens brancos”. Observando o apoio ao indigenismo meio a antropólogos, ativistas, gestores, ONGs brasileiras e estrangeiras, a presença de brancos é majoritária e destacada e, aparentemente, não inferior à dos brancos que se opõem ao apartheid racial no Brasil.

2. O conflito não é contra índios, mas contra o indigenismo.

Jornais indigenistas publicam manchetes como “Governo vai mediar conflito entre índios e fazendeiros em Mato Grosso do Sul” e “Mesmo após acordo, fazendeiros voltam a atacar guaranis-kaiowá no MS”.

As manchetes de publicações ruralistas não costumam se diferenciar ideologicamente daquelas: “Ministro da Justiça viaja a Mato Grosso do Sul para conter conflito entre índios e produtores”; “Para estabelecer diálogo e mediar conflito, governador recebe ministro, produtores e indígenas”.

Há um consenso entre as duas mídias acerca dos polos do conflito. O conflito, porém, não é somente entre fazendeiros e índios, mas antes de tudo entre indigenismo e anti-apartheid, entre segregação de direitos e cidadania, entre supremacia racial e povo mestiço.

3. O conflito é racial e étnico e não somente agrário.

Para o jacaré interessa enfrentar a onça no rio, mas para a onça é melhor enfrentar o jacaré na terra. Para o indigenismo interessa colocar o conflito como sendo essencialmente fundiário, entre índios e produtores – ou fazendeiros, como prefere – escondendo o aspecto racial e étnico do conflito.

Expulsar produtores pode ser muita coisa errada, mas não é limpeza étnica. Expulsar mestiços e outros não índios – por não serem índios – é racismo e limpeza étnica, um crime contra a Humanidade, condenado por abundante legislação nacional e internacional.

Interessa ao indigenismo, assim, que os moradores a serem expulsos se apresentem somente como produtores ou proprietários de terra, pois neste caso a resposta da FUNAI já está pronta: “Indenizamos pelas benfeitorias, se tiverem direito” – e ponto final na questão. Este também tem sido o discurso ruralista. O desentendimento entre ruralistas e indigenistas tem sido principalmente se as terras também serão pagas ou não e o valor do pagamento.

O problema para o indigenismo surge quando o morador afirma: “Não estou interessado em indenização; não sou invasor, sou mestiço, descendente dos índios originais, e o povo mestiço tem direito originário sobre esta terra”.

É isto que a máquina do indigenismo não deseja, pois a ação dela deixa de ser de desocupação de invasores para ação de limpeza étnica contra um povo nativo com os mesmos direitos originários dos índios, porque gerado por estes – inclusive dentro dos territórios de onde o Governo Federal pretende expulsá-los.

O racismo da ideologia indigenista, então, fica desmascarado e tão destacado quanto a suástica na bandeira nazista.

Um episódio ocorrido recentemente em Mato Grosso do Sul, no município de Antônio João, onde está ocorrendo mais um conflito indigenista, ilustra a debilidade do discurso ruralista.

No dia 2 de setembro, incomodado com as queixas de uma senhora que assistia à sua falação, o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, no típico estilo petista, retrucou: “Não aceito qualquer tipo de ameaças de indígenas ou de produtores”.

Em um vídeo-resposta, a senhora que o ministro tentou silenciar identifica-se como produtora rural e comenta: “Nossa propriedade tem 150 anos de história; somos a quinta geração dessa família a cuidar da terra”.

Este é um comentário recorrente entre moradores ameaçados de expulsão, para destacar seu direito e a injustiça da expulsão. Ocorre que o indigenismo tem uma resposta fulminante: “Os índios habitavam esta terra há mais de 500 anos!”

A esse argumento somente o direito originário do povo mestiço responde, pois tem a mesma origem do direito originário dos povos índios.

Leão Alves é médico e ex-presidente do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro (Nação Mestiça).

Este e outros artigos no Portal do Zacarias, 19/09/2015.

Posted in Artigos, Leão Alves, Português.


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