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Chicotada indigenista: todo mundo é mestiço, exceto quem é – Leão Alves

A mestiçagem força ao limite as prestidigitações indigenistas: como promover segregação racial e étnica sem que a intolerância à mestiçagem se revele?
Um mágico de fraque tira um coelho da cartola, depois tira outro e mais outro. Como, se ninguém viu os coelhos entrarem? Para a maioria das pessoas exige um bom tempo descobrir o segredo. Poucas pessoas, porém, estão interessadas neste esforço, que pode até fazer com que se perca a graça que vem da ilusão.
A Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), de 2014, contou com palestras dos antropólogos Viveiros de Castro e Beto Ricardo na mesa “Tristes Trópicos”, uma referencia ao título do livro do antropólogo marxista francês Lévi-Strauss, que esteve em nosso país na primeira metade do século passado pesquisando povos índios e se entristecendo com a mestiçagem brasileira.
Não foi falado nada diferente do que costuma ser dito em palestras e em textos indigenistas: antropólogos afirmando seu engajamento, “cedendo” aos índios o monopólio do caráter nativo, reafirmando com discrição o espaço político branco através de suposta autocrítica que inclui associar, quase sempre de forma generalizada, a origem dos mestiços a violência dos brancos contra as índias.
Segundo o antropólogo Viveiros de Castro, “do jeito que as coisas vão é possível que nós os brancos, nós os ocidentais, nós os europeus acabemos por ser extintos antes dos índios”.
Ele deve saber do que está falando, pois pouco tempo depois, comentando sobre uma pergunta apresentada aos palestrantes, ele já afirmava: “Nós somos todos índios, 33% do genoma vem de índios.” Pode ser que os brancos não venham a ser extintos antes dos índios, mas parece que ao final da palestra havia um branco a menos na mesa.
Apenas parece, pois o indigenismo é assim mesmo, cheio de aparências e contradições. Índio é índio, branco é branco e mestiço é mestiço, mas para o indigenismo não é bem assim.
Para o antropólogo “no Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é” – uma obviedade. Também para ele, “os que não são são os que não querem ser. Nós sabemos quem eles são; seguram o chicote na ponta do cabo”. Palavras escorregadias: brancos-índios honoríficos. Por este raciocínio, mestiço não seria índio não por não ser, mas por não querer ser.
O outro antropólogo à mesa, Beto Ricardo, pouco antes afirmara que identidade é algo “manipulável”.
Para o antropólogo Viveiros de Castro, como uma versão indigenista do também antropólogo Kabengele Munanga, que considera todos os mulatos como sendo negros, “o povo brasileiro, o povo mestiço, como se gosta de falar, é na verdade aquele povo que foi obrigado a deixar de ser o que era sob a promessa de que ele iria se transformar em outra coisa e naturalmente o processo sempre para no meio do caminho”. Ou seja, a mestiçagem não ocorreria de forma espontânea nem geraria mestiços enquanto identidade e etnia própria.
O povo brasileiro também não é “aquele povo que foi obrigado a deixar de ser o que era” pelo simples fato de não derivar de um povo, mas de vários – ou não seria mestiço.
É passada a ideia, porém, de que mestiços não desejariam ser mestiços, mas índios ou brancos.
Isto está no nível de afirmar que os portugueses nunca existiram, ou os bretões, ou qualquer outra identidade étnica distinta originada da fusão de outras. Está no nível de dizer que no Brasil todo mundo seria mestiço, exceto quem é.
O Brasil foi um país governado por brancos por séculos, que incluem todo o período colonial, o Império, e possivelmente a maior parte do período republicano. Este domínio foi acentuado pelo “racismo científico” que pregava a supremacia branca. Arthur de Gobineau, um francês admirado pelo citado antropólogo Lévi-Strauss, defendia que a mestiçagem levaria à decadência da Humanidade, particularmente pela miscigenação da denominada “raça ariana” com outras.
Lévi-Strauss tinha uma teoria também mestiçofóbica: a homogeneização de uma sociedade conduziria a sua decadência. A diversidade seria por essência superior à homogeneidade. Obviamente essa teoria, que alimenta o indigenismo no Brasil, inclusive via órgãos internacionais, é útil aos que desejam preservar raça e espaços raciais e fazer guerra aos mestiços e à mestiçagem. Isto inclui a negação da etnicidade do povo mestiço e apoio às violentas limpezas étnicas que têm sido lançadas pelo indigenismo, convertido em lei, contra os nativos mestiços.
Quem está segurando o chicote na ponta do cabo? Para descobrir basta observar quem chicoteia e quem é chicoteado nas limpezas étnicas indigenistas.
Leão Alves é médico e ex-presidente do Movimento Nação Mestiça.

chicote

A mestiçagem força ao limite as prestidigitações indigenistas: como promover segregação racial e étnica sem que a intolerância à mestiçagem se revele?

Um mágico de fraque tira um coelho da cartola, depois tira outro e mais outro. Como, se ninguém viu os coelhos entrarem? Para a maioria das pessoas exige um bom tempo descobrir o segredo. Poucas pessoas, porém, estão interessadas neste esforço, que pode até fazer com que se perca a graça que vem da ilusão.

A Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), de 2014, contou com palestras dos antropólogos Viveiros de Castro e Beto Ricardo na mesa “Tristes Trópicos”, uma referencia ao título do livro do antropólogo marxista francês Lévi-Strauss, que esteve em nosso país na primeira metade do século passado pesquisando povos índios e se entristecendo com a mestiçagem brasileira.

Não foi falado nada diferente do que costuma ser dito em palestras e em textos indigenistas: antropólogos afirmando seu engajamento, “cedendo” aos índios o monopólio do caráter nativo, reafirmando com discrição o espaço político branco através de suposta autocrítica que inclui associar, quase sempre de forma generalizada, a origem dos mestiços a violência dos brancos contra as índias.

Segundo o antropólogo Viveiros de Castro, “do jeito que as coisas vão é possível que nós os brancos, nós os ocidentais, nós os europeus acabemos por ser extintos antes dos índios”.

Ele deve saber do que está falando, pois pouco tempo depois, comentando sobre uma pergunta apresentada aos palestrantes, ele já afirmava: “Nós somos todos índios, 33% do genoma vem de índios.” Pode ser que os brancos não venham a ser extintos antes dos índios, mas parece que ao final da palestra havia um branco a menos na mesa.

Apenas parece, pois o indigenismo é assim mesmo, cheio de aparências e contradições. Índio é índio, branco é branco e mestiço é mestiço, mas para o indigenismo não é bem assim.

Para o antropólogo “no Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é” – uma obviedade. Também para ele, “os que não são são os que não querem ser. Nós sabemos quem eles são; seguram o chicote na ponta do cabo”. Palavras escorregadias: brancos-índios honoríficos. Por este raciocínio, mestiço não seria índio não por não ser, mas por não querer ser.

O outro antropólogo à mesa, Beto Ricardo, pouco antes afirmara que identidade é algo “manipulável”.

Para o antropólogo Viveiros de Castro, como uma versão indigenista do também antropólogo Kabengele Munanga, que considera todos os mulatos como sendo negros, “o povo brasileiro, o povo mestiço, como se gosta de falar, é na verdade aquele povo que foi obrigado a deixar de ser o que era sob a promessa de que ele iria se transformar em outra coisa e naturalmente o processo sempre para no meio do caminho”. Ou seja, a mestiçagem não ocorreria de forma espontânea nem geraria mestiços enquanto identidade e etnia própria.

O povo brasileiro também não é “aquele povo que foi obrigado a deixar de ser o que era” pelo simples fato de não derivar de um povo, mas de vários – ou não seria mestiço.

É passada a ideia, porém, de que mestiços não desejariam ser mestiços, mas índios ou brancos.

Isto está no nível de afirmar que os portugueses nunca existiram, ou os bretões, ou qualquer outra identidade étnica distinta originada da fusão de outras. Está no nível de dizer que no Brasil todo mundo seria mestiço, exceto quem é.

O Brasil foi um país governado por brancos por séculos, que incluem todo o período colonial, o Império, e possivelmente a maior parte do período republicano. Este domínio foi acentuado pelo “racismo científico” que pregava a supremacia branca. Arthur de Gobineau, um francês admirado pelo citado antropólogo Lévi-Strauss, defendia que a mestiçagem levaria à decadência da Humanidade, particularmente pela miscigenação da denominada “raça ariana” com outras.

Lévi-Strauss tinha uma teoria também mestiçofóbica: a homogeneização de uma sociedade conduziria à sua decadência. A diversidade seria por essência superior à homogeneidade. Obviamente essa teoria, que alimenta o indigenismo no Brasil, inclusive via órgãos internacionais, é útil aos que desejam preservar raça e espaços raciais e fazer guerra aos mestiços e à mestiçagem. Isto inclui a negação da etnicidade do povo mestiço e apoio às violentas limpezas étnicas que têm sido lançadas pelo indigenismo, convertido em lei, contra os nativos mestiços.

Quem está segurando o chicote na ponta do cabo? Para descobrir basta observar quem chicoteia e quem é chicoteado nas limpezas étnicas indigenistas.

Leão Alves é médico e ex-presidente do Movimento Nação Mestiça.

De Portal do Zacarias, 11/08/2014.

Posted in Artigos, Leão Alves.


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