Skip to content


Homem é homem, mulher é mulher, mas mestiço não é mestiço? – Leão Alves

Há décadas a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) vem promovendo a “transformação” política de mestiços em índios ou negros. A Igreja Católica agora se confronta com a “ideologia de gênero”, outra faceta da mesma prática de manipulações classificatórias.
O Projeto de Lei nº 8.035/2010, que trata do Plano Nacional de Educação (PNE) para o decênio 2011-2020, foi apresentado no apagar das luzes do governo do ex-presidente Lula, mais exatamente no dia 20 de dezembro de 2010, quando as festas natalinas e o 13º salário desviavam as atenções da política e as atraíam para as lojas. O relator do projeto é o deputado Ângelo Vanhoni, do Partido dos Trabalhadores (PT) do Paraná. Ele é autor do Projeto de Lei nº 3.056/2008 que visa instituir territórios de “preservação cultural” para descendentes de imigrantes, uma espécie de “territórios brancos” assemelhados aos “territórios indígenas”, tendo entre seus princípios a preservação da “identidade racial e étnica“ daqueles.
O que há em comum entre a “ideologia de gênero” e a “ideologia de Desmestiçagem”? A ideia de que se pode passar por cima do biológico e inventar para o corpo classificações conforme a conveniência. Assim, da mesma forma que homem é homem e mulher é mulher – e não há nada que possa mudar isso -, preto é preto, branco é branco, índio é índio e mestiço é mestiço.
Para a “ideologia de gênero”, porém, pode-se passar por cima disso e criar ou eliminar classificações relacionadas à sexualidade – inclusive a existência de sexos – arbitrariamente; da mesma forma, a “ideologia de Desmestiçagem” cria ou elimina classificações relacionadas a raça conforme os interesses de seus ideólogos.
No artigo “Reflexões sobre a ‘ideologia de gênero’”, o Cardeal Dom Orani João Tempesta, de forma didática, explica:
“É ponto de partida desse sistema ideológico o seguinte postulado: nós nascemos com um sexo biológico definido (homem ou mulher), mas, além dele, existiria o sexo psicológico ou o gênero que poderia ser construído livremente pela sociedade na qual o indivíduo está inserido. Desse modo, em última análise, não existiria uma mulher ou um homem naturais. Ao contrário, o ser humano nasceria sexualmente neutro, do ponto de vista psíquico, e seria constituído socialmente homem ou mulher.”
Ou seja, para “ideologia de gênero” homem não é homem, mulher não é mulher; não a biologia, mas a sociedade é que determinaria quem é homem e quem é mulher. Nunca é demais repetir que para o comunismo são seus líderes que determinam o que a sociedade tem direito de determinar… O comunismo, diferentemente do que busca aparentar, é uma ideologia elitista. Ele não visa corrigir injustiças sociais na população da espécie humana, mas criar, inclusive pela eugenia, um novo homem.
A crítica do cardeal está certa, ocorre que este tipo de ideologia manipuladora de conceitos tem sido aplicada, com o apoio de importantes organizações católicas, à questão racial no Brasil e em outros países da América Latina. Da mesma forma que os defensores da “ideologia de gênero” tentam substituir a objetividade da palavra sexo, estes grupos têm manipulado a questão racial.
É bem simples: quando pessoas de raças distintas se reproduzem geram pessoas miscigenadas que, por uma simples questão de lógica, não são índias, não são brancas, não são pretas e não são amarelas, pois não é possível se misturado e puro ao mesmo tempo.
Por que algo tão simples incomoda? Porque pelo critério racial provavelmente não haveria mais um único índio no Brasil, pois inclusive os denominados índios isolados podem ser – e provavelmente são – descendentes de algum branco português, espanhol ou outro. Ou seja, os que se dizem ou são considerados índios, salvo alguma raríssima exceção, são na verdade miscigenados, distintos dos índios que habitavam as Américas antes da chegada dos brancos europeus.
Para os branco-indigenistas, ou seja, para aqueles indigenistas que dividem o povo brasileiro em índios e “homens brancos”, esta verdade é inaceitável.
Outro motivo dessa oposição está relacionado ao poder branco dentro da própria Igreja Católica, inclusive na esquerda que atuam nela. Há cerca de quinhentos anos religiosos brancos têm sido enviados ao Brasil para trabalhar na questão índia. A mestiçagem enfraquecia o controle destes religiosos sobre os índios e, considerando o racismo existente Europa e apesar da incompatibilidade entre Cristianismo e racismo, o crescimento da população mestiça era sentida por muitos como uma ameaça à sua própria identidade e poder.
Controlar a mestiçagem e os mestiços tem sido, assim, um esforço antigo de determinados segmentos no Brasil e que passa por evitar que o povo mestiço se organize e se defenda como grupo e por desconstruir a nacionalidade brasileira, fundamentalmente mestiça.
Racismo contra mestiços não é sinônimo de conservadorismo, direitismo e muito menos de nacionalismo; nas últimas década tem sido na esquerda que se concentram os principais políticos, religiosos, antropólogos, sociólogos, historiadores e outros intelectuais promotores da Desmestiçagem. Grande parte deles descende de imigrantes, aqueles que chegaram ao Brasil quando já não éramos mais colônia de Portugal e sim uma Nação independente. Outros são eles mesmos imigrantes.
Alguns refletem em seus escritos a antiga questão romanceada em “Canaã”, de Graça Aranha: isolar-se ou integrar-se, criar um país segregado de diversos povos ou integrar-se ao povo mestiço? A maioria dos antigos imigrantes optou pela integração. Outros, porém, optaram pelo isolamento, o que, para alguns, implicava em negar uma identidade nacional brasileira e manter controle sobre o povo mestiço.
Frei Boff, ideólogo da denominada Teologia da Libertação, no artigo “A gestação do povo brasileiro, a universidade e o saber popular” afirma que “O povo brasileiro ainda não acabou de nascer. Vindos de 60 países diferentes, aqui estão se mesclando representantes destes povos num processo aberto, todos contribuindo na gestação de um povo novo que um dia acabará de nascer”.
O povo novo não vai nascer, ele já nasceu há cerca de 500 anos, mestiço de português e índias, e é nativo. Como ocorre em Autazes, em Careiro da Várzea, em São João do Caru e diversas cidades brasileiras, vem sendo vítima dos promotores da segregação racial e da Desmestiçagem, inclusive inspirados na Teologia da Libertação.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também tem papel importante no “enegrecimento” oficial e artificioso dos mestiços, apoiando leis como o Estatuto da Igualdade Racial.
Adaptando as palavras do cardeal sobre a “ideologia de gênero”, a “ideologia da Desmestiçagem” pode ser comentada assim: “É ponto de partida desse sistema ideológico o seguinte postulado: nós nascemos com uma raça ou miscigenação biológica definida (índio, branco, preto, amarelo ou mestiço), mas, além delas, existiria a raça psicológica que poderia ser construída livremente pela sociedade na qual o indivíduo está inserido. Desse modo, em última análise, não existiria um índio, um branco, um preto, um amarelo ou mestiço naturais. Ao contrário, o ser humano nasceria racialmente neutro, do ponto de vista psíquico, e seria constituído socialmente índio, branco, preto, amarelo ou mestiço”.
No caso dos mestiços, desconstituídos.
*Leão Alves é médico e secretário-geral d

Há décadas a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) vem promovendo a “transformação” política de mestiços em índios ou negros. A Igreja Católica agora se confronta com a “ideologia de gênero”, outra faceta da mesma prática de manipulações classificatórias.

O Projeto de Lei nº 8.035/2010, que trata do Plano Nacional de Educação (PNE) para o decênio 2011-2020, foi apresentado no apagar das luzes do governo do ex-presidente Lula, mais exatamente no dia 20 de dezembro de 2010, quando as festas natalinas e o 13º salário desviavam as atenções da política e as atraíam para as lojas. O relator do projeto é o deputado Ângelo Vanhoni, do Partido dos Trabalhadores (PT) do Paraná. Ele é autor do Projeto de Lei nº 3.056/2008 que visa instituir territórios de “preservação cultural” para descendentes de imigrantes, uma espécie de “territórios brancos” assemelhados aos “territórios indígenas”, tendo entre seus princípios a preservação da “identidade racial e étnica“ daqueles.

O que há em comum entre a “ideologia de gênero” e a “ideologia de Desmestiçagem”? A ideia de que se pode passar por cima do biológico e inventar para o corpo classificações conforme a conveniência. Assim, da mesma forma que homem é homem e mulher é mulher – e não há nada que possa mudar isso -, preto é preto, branco é branco, índio é índio e mestiço é mestiço.

Para a “ideologia de gênero”, porém, pode-se passar por cima disso e criar ou eliminar classificações relacionadas à sexualidade – inclusive a existência de sexos – arbitrariamente; da mesma forma, a “ideologia de Desmestiçagem” cria ou elimina classificações relacionadas a raça conforme os interesses de seus ideólogos.

No artigo “Reflexões sobre a ‘ideologia de gênero’”, o Cardeal Dom Orani João Tempesta, de forma didática, explica:

“É ponto de partida desse sistema ideológico o seguinte postulado: nós nascemos com um sexo biológico definido (homem ou mulher), mas, além dele, existiria o sexo psicológico ou o gênero que poderia ser construído livremente pela sociedade na qual o indivíduo está inserido. Desse modo, em última análise, não existiria uma mulher ou um homem naturais. Ao contrário, o ser humano nasceria sexualmente neutro, do ponto de vista psíquico, e seria constituído socialmente homem ou mulher.”

Ou seja, para “ideologia de gênero” homem não é homem, mulher não é mulher; não a biologia, mas a sociedade é que determinaria quem é homem e quem é mulher. Nunca é demais repetir que para o comunismo são seus líderes que determinam o que a sociedade tem direito de determinar… O comunismo, diferentemente do que busca aparentar, é uma ideologia elitista. Ele não visa corrigir injustiças sociais na população da espécie humana, mas criar, inclusive pela eugenia, um novo homem.

A crítica do cardeal está certa, ocorre que este tipo de ideologia manipuladora de conceitos tem sido aplicada, com o apoio de importantes organizações católicas, à questão racial no Brasil e em outros países da América Latina. Da mesma forma que os defensores da “ideologia de gênero” tentam substituir a objetividade da palavra sexo, estes grupos têm manipulado a questão racial.

É bem simples: quando pessoas de raças distintas se reproduzem geram pessoas miscigenadas que, por uma simples questão de lógica, não são índias, não são brancas, não são pretas e não são amarelas, pois não é possível se misturado e puro ao mesmo tempo.

Por que algo tão simples incomoda? Porque pelo critério racial provavelmente não haveria mais um único índio no Brasil, pois inclusive os denominados índios isolados podem ser – e provavelmente são – descendentes de algum branco português, espanhol ou outro. Ou seja, os que se dizem ou são considerados índios, salvo alguma raríssima exceção, são na verdade miscigenados, distintos dos índios que habitavam as Américas antes da chegada dos brancos europeus.

Para os branco-indigenistas, ou seja, para aqueles indigenistas que dividem o povo brasileiro em índios e “homens brancos”, esta verdade é inaceitável.

Outro motivo dessa oposição está relacionado ao poder branco dentro da própria Igreja Católica, inclusive na esquerda que atuam nela. Há cerca de quinhentos anos religiosos brancos têm sido enviados ao Brasil para trabalhar na questão índia. A mestiçagem enfraquecia o controle destes religiosos sobre os índios e, considerando o racismo existente Europa e apesar da incompatibilidade entre Cristianismo e racismo, o crescimento da população mestiça era sentida por muitos como uma ameaça à sua própria identidade e poder.

Controlar a mestiçagem e os mestiços tem sido, assim, um esforço antigo de determinados segmentos no Brasil e que passa por evitar que o povo mestiço se organize e se defenda como grupo e por desconstruir a nacionalidade brasileira, fundamentalmente mestiça.

Racismo contra mestiços não é sinônimo de conservadorismo, direitismo e muito menos de nacionalismo; nas últimas década tem sido na esquerda que se concentram os principais políticos, religiosos, antropólogos, sociólogos, historiadores e outros intelectuais promotores da Desmestiçagem. Grande parte deles descende de imigrantes, aqueles que chegaram ao Brasil quando já não éramos mais colônia de Portugal e sim uma Nação independente. Outros são eles mesmos imigrantes.

Alguns refletem em seus escritos a antiga questão romanceada em “Canaã”, de Graça Aranha: isolar-se ou integrar-se, criar um país segregado de diversos povos ou integrar-se ao povo mestiço? A maioria dos antigos imigrantes optou pela integração. Outros, porém, optaram pelo isolamento, o que, para alguns, implicava em negar uma identidade nacional brasileira e manter controle sobre o povo mestiço.

Frei Boff, ideólogo da denominada Teologia da Libertação, no artigo “A gestação do povo brasileiro, a universidade e o saber popular” afirma que “O povo brasileiro ainda não acabou de nascer. Vindos de 60 países diferentes, aqui estão se mesclando representantes destes povos num processo aberto, todos contribuindo na gestação de um povo novo que um dia acabará de nascer”.

O povo novo não vai nascer, ele já nasceu há cerca de 500 anos, mestiço de português e índias, e é nativo. Como ocorre em Autazes, em Careiro da Várzea, em São João do Caru e diversas cidades brasileiras, vem sendo vítima dos promotores da segregação racial e da Desmestiçagem, inclusive inspirados na Teologia da Libertação.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também tem papel importante no “enegrecimento” oficial e artificioso dos mestiços, apoiando leis como o Estatuto da Igualdade Racial.

Adaptando as palavras do cardeal sobre a “ideologia de gênero”, a “ideologia da Desmestiçagem” pode ser comentada assim: “É ponto de partida desse sistema ideológico o seguinte postulado: nós nascemos com uma raça ou miscigenação biológica definida (índio, branco, preto, amarelo ou mestiço), mas, além delas, existiria a raça psicológica que poderia ser construída livremente pela sociedade na qual o indivíduo está inserido. Desse modo, em última análise, não existiria um índio, um branco, um preto, um amarelo ou mestiço naturais. Ao contrário, o ser humano nasceria racialmente neutro, do ponto de vista psíquico, e seria constituído socialmente índio, branco, preto, amarelo ou mestiço”.

No caso dos mestiços, desconstituídos.

Leão Alves é médico e secretário-geral do Movimento Nação Mestiça.

De Portal do Zacarias, 13/04/2014.

Posted in Artigos, Leão Alves.


0 Responses

Stay in touch with the conversation, subscribe to the RSS feed for comments on this post.



Some HTML is OK

or, reply to this post via trackback.

Comments Protected by WP-SpamShield Anti-Spam