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Mestizo message

Que Karl Marx não simpatizava com mestiçagem já é bem sabido. Que o marxismo esteja promovendo Desmestiçagem na América Latina não tanto. Não faltam provas, falta divulgá-las mais.
Fazendo a nossa parte: a revista O Viés publicou uma entrevista com o blogueiro Bruno Cava que exemplifica bem a que estamos nos referindo. Perguntado sobre o conceito de mestiçagem, o entrevistado afirma que a “mestiçagem era vista como uma tentativa de você diluir a potência, a raça negra, a raça índia, porque sempre mestiçagem termina no branco” – ele acerta ao considerar que ‘índio’ é raça, tanto quanto ‘branco’ ou ‘negro’.
Vamos lá: mestiçagem sempre termina em branco? Deixa ver se eu entendi: se um preto e uma índia tiverem um filho, o cafuzo será branco? É isso? Vou tentar ajudar: talvez ele esteja apenas se referindo a mestiçagem com branco; então, vejamos: se um índio tiver um filho com uma branca o filho não vai nascer caboco, vai nascer branco… Parece que não é por aí.
Voltemos ao entrevistado para ver se, por desatenção, deixamos de perceber alguma ideia: “O negro vai se misturando com o branco e vai virando branco. O índio vai se misturando com branco e vai ficando branco. Branco tá sempre ganhando.” Como é? Então “o branco” (imagino que ele se refere a uma população) quando se ‘mistura’ com um preto (termo que prefiro, ou negro, como ele prefere) não fica mais “empretecido” (ou “enegrecido”) ou quando se mistura com índios não fica mais “indianizado”: o mestiço de branco sempre virará branco… Branco ganhador? Que é isso? Uma copa racial?
Ele explica: “Mestiçagem é inverter isso. O índio mistura com o branco e o caboclo é mais índio do que branco. É o mulato assumir, realmente, que é negro.” Ah, mestiçagem é considerar a origem negra e índia mais importantes do que a branca. É isso? Não? É mais? Entendi agora: é repudiar completamente a origem branca – o mulato se “assume” negro e o caboclo se “assume” índio. É isso? O mestiço assume o que não é para que ‘o branco’ não seja o ‘ganhador’, mas ‘o negro’ e ‘o índio’.
Isto não é assumir-se, isto é imaginar-se o que não se é. Alienar-se, porém, é um direito de cada um. O problema é quando tentam impor a alienação aos que não desejam “assumir” o que não são, como o petismo tenta fazer aos mestiços até através de leis, como o Estatuto da Igualdade Racial.
Afirmar que mulato é negro está no mesmo nível de afirmar que mulato seja branco ou que verde seja azul ou amarelo.
Este discurso de radical negação da identidade mestiça (e de sua etnia, por consequencia) vai só até quando outros interesses aparecem, como se observa nas exclusões dos pardos mulatos pelos tribunais raciais.
O caso dos cabocos não é menos evidente. Caboco é mais índio do que branco? Se caboco fosse índio, então nós cabocos seríamos a mais numerosa etnia índia do país. Mas não somos índios, somos nativos mestiços.
As limpezas étnicas sofridas pelos mestiços nas criações dos territórios raciais para índios – raciais, já que índio é raça – confirmam isso: não poupam os mestiços cabocos nem os cafuzos. Os mestiços são até rotulados como “homens brancos” – e não aparece nesta hora nenhum indigenista comunista reclamando desse “embranquecimento”.
Nesta copa das raças, a presidente Dilma doa casas para famílias índias que ocupavam o Museu do Índio, no Rio de Janeiro, enquanto derruba casas de mestiços através do Brasil.
O entrevistado afirma que na mestiçagem que ocorreu uma apropriação da cultura branca. Ora, quando um caboco se diz índio ele, obviamente, está renunciando à sua origem branca, da mesma forma um mulato que se diz negro. Ao renunciar a suas origens, renuncia aos direitos derivados dessas origens, diferentemente dos mestiços, os quais não renunciam a nenhuma de suas ancestralidades.
Assim, um caboco e um mulato não se apropriaram da “cultura branca”, esta cultura pertence a eles por direito originário, pois ela foi criada por seus ancestrais. “Cultura branca”, a propósito, é uma expressão incorreta, pois raça não tem cultura, quem tem cultura é etnia. A ideia de que determinadas culturas só poderiam ter sido geradas por determinadas raças é uma crença de origem bem conhecida.
“É a inversão daquela mestiçagem conservadora”, afirma o entrevistado. O inverso da mestiçagem é a Desmestiçagem. Ponto para os conservadores.
Leão Alves é médico e secretário geral do Movimento Nação Mestiça.
*Leão Alves é médico e secretário-geral do Movimento Nação Mestiça.
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26/04/2015
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