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Histórias da Desmestiçagem – Leão Alves

smestiçagem
Uma exposição titulada “Histórias Mestiças” ocorre em São Paulo. Não se trata de um evento do povo mestiço nem para comemorar a mestiçagem entre nossos ancestrais.
“Segundo os curadores, o objetivo dessa exposição é provocar e trazer à tona um tema que, de alguma maneira, tem existência ainda discreta entre nós brasileiros. Quem mestiçou quem? Como se mistura inclusão com exclusão social? Como se combinam prazer e dominação? Quais são as diferentes histórias escondidas nesses processos de mestiçagem?”, registra a instituição que acolhe a mostra.
As perguntas indicam o viés ideológico da propaganda mestiçofóbica que vem sendo promovida no Brasil. Quando um branco e uma índia têm um filho mestiço foi o branco que embranqueceu a índia ou a índia que indianizou o branco? O branco continua branco e a índia continua índia. Ninguém é mestiçado; um mestiço nasce mestiço. Impotentes diante disso, os incomodados podem, no entanto, bancar – inclusive com verba pública – a Desmestiçagem.
A formação do povo mestiço brasileiro foi algo sensacional: povos índios e pretos africanos de diversas etnias mestiçaram-se com colonizadores brancos portugueses e descendentes. Este processo se ampliou com a mestiçagem com povos imigrantes, parte deles amarelos de origem asiática.
Nem todos, porém, consideram isso algo a ser comemorado, mas algo a ser lamentado e dificultado. Difamação e, atualmente, o segregacionismo indigenista convertido em norma constitucional têm sido meios empregados com este fim.
Isto não é de agora; desde o período colonial ocorre; só um exemplo: o aumento da população de mestiços em Cabo Verde foi visto como uma ameaça ao poder branco na ilha. O rei de Portugal, então, o espanhol D. Filipe II, determinou, em 1620, que fosse reduzido o envio de mulheres brancas para o Brasil e passassem a enviá-las àquela ilha, hoje um país de maioria mestiça. O envio de mulheres brancas para o Brasil também visava reduzir as uniões com mulheres índias.
Não soaria bem nos tempos atuais, porém, defender abertamente a preservação de uma raça governante no Brasil, destinada a dirigir a população de maioria mestiça, como faziam determinados acadêmicos como Nina Rodrigues, determinados promotores da imigração europeia, determinados imigrantes hostis aos nativos mestiços e ainda atualmente é feito de forma mais sofisticada pelo petismo, pelo verwoerdismo indigenista e por outras ideologias que colocam a tutela acima da cidadania.
Neste sentido, a propaganda é fundamental.
“A porta da exposição mostra que nossas histórias mestiças são violentas, marcadas antes pela discriminação do que pela harmonia”, afirma uma antropóloga.
Violências de índios contra índias, de brancos contra brancas, de pretos contra pretas, não se sabe se ocorridas de forma mais ou menos frequente e intensa do que nas relações mistas, são menos lembradas.
Não se está aqui tratando de galerosos “arianos” tatuados com suásticas e com poucos anos de estudo no sistema de ensino brasileiro, mas de grupos formados em sua maioria por brancos com significativa formação intelectual, influência política e poder econômico. Não é por acaso que esta propaganda antimestiça tem ocupado tanto espaço e recebido tanta promoção, e de forma impune, no Brasil.
Mas não basta estigmatizar a origem do povo mestiço, interessa também a esta propaganda rotular o próprio mestiço como racista.
“Existe mestiçagem como mistura, mas ela também é separação. Esses discursos mestiços vêm da discriminação e do racismo violento”, afirma uma eminente antropóloga.
“Discursos mestiços”?! Para a Desmestiçagem é um problema quando um mestiço enaltece seus diversos ancestrais e se recusa a “optar” por uma das raças ou etnias onde, inclusive por meio de leis, vêm sendo segregados.
A Desmestiçagem deseja caboclos maldizendo índios, mulatos ofendendo brancos, cafuzos depreciando pretos e de preferência desejando isolar-se ao máximo. O mestiço deve ser rotulado como o mau e o segregacionista deve ser apresentado como o tolerante defensor da diversidade ameaçada pela mestiçagem.
Recentemente um famoso ideólogo indigenista até defendeu uma guerra contra os “neonazistas mestiços”.
O que eles não desejam é que nós mestiços honremos nossos ancestrais índios, pretos e brancos como grandes pessoas que lutaram bravamente para defender seus valores e que pela mestiçagem, incentivada também por nossos antepassados índios e pretos, o povo conquistador branco português foi unificado com os povos que conquistou, desaparecendo à medida que ia dando origem ao povo mestiço e à Nação brasileira.
Isto é muito nacionalista e harmonioso para o estômago comunista e segregacionista de alguns.
Segundo o site do Ministério da Cultura, a exposição contou com o apoio da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). Também afirma que a ministra petista Marta Suplicy esteve na pré-abertura da exposição, em São Paulo, quando teria declarado: “A concepção desta exposição ajudará muito no planejamento do Museu Afro em Brasília. Esta exposição capta que a nossa diversidade é a mestiçagem e é nesse sentido que nós queremos conceber o museu”.
O que harmoniza com a máxima da Desmestiçagem que diz que no Brasil todo mundo é mestiço, exceto quem é.
(Leão Alves é médico e ex-presidente do Movimento

Uma exposição titulada “Histórias Mestiças” ocorre em São Paulo. Não se trata de um evento do povo mestiço nem para comemorar a mestiçagem entre nossos ancestrais.

“Segundo os curadores, o objetivo dessa exposição é provocar e trazer à tona um tema que, de alguma maneira, tem existência ainda discreta entre nós brasileiros. Quem mestiçou quem? Como se mistura inclusão com exclusão social? Como se combinam prazer e dominação? Quais são as diferentes histórias escondidas nesses processos de mestiçagem?”, registra a instituição que acolhe a mostra.

As perguntas indicam o viés ideológico da propaganda mestiçofóbica que vem sendo promovida no Brasil. Quando um branco e uma índia têm um filho mestiço foi o branco que embranqueceu a índia ou a índia que indianizou o branco? O branco continua branco e a índia continua índia. Ninguém é mestiçado; um mestiço nasce mestiço. Impotentes diante disso, os incomodados podem, no entanto, bancar – inclusive com verba pública – a Desmestiçagem.

A formação do povo mestiço brasileiro foi algo sensacional: povos índios e pretos africanos de diversas etnias mestiçaram-se com colonizadores brancos portugueses e descendentes. Este processo se ampliou com a mestiçagem com povos imigrantes, parte deles amarelos de origem asiática.

Nem todos, porém, consideram isso algo a ser comemorado, mas algo a ser lamentado e dificultado. Difamação e, atualmente, o segregacionismo indigenista convertido em norma constitucional têm sido meios empregados com este fim.

Isto não é de agora; desde o período colonial ocorre; só um exemplo: o aumento da população de mestiços em Cabo Verde foi visto como uma ameaça ao poder branco na ilha. O rei de Portugal, então, o espanhol D. Filipe II, determinou, em 1620, que fosse reduzido o envio de mulheres brancas para o Brasil e passassem a enviá-las àquela ilha, hoje um país de maioria mestiça. O envio de mulheres brancas para o Brasil também visava reduzir as uniões com mulheres índias.

Não soaria bem nos tempos atuais, porém, defender abertamente a preservação de uma raça governante no Brasil, destinada a dirigir a população de maioria mestiça, como faziam determinados acadêmicos como Nina Rodrigues, determinados promotores da imigração europeia, determinados imigrantes hostis aos nativos mestiços e ainda atualmente é feito de forma mais sofisticada pelo petismo, pelo verwoerdismo indigenista e por outras ideologias que colocam a tutela acima da cidadania.

Neste sentido, a propaganda é fundamental.

“A porta da exposição mostra que nossas histórias mestiças são violentas, marcadas antes pela discriminação do que pela harmonia”, afirma uma antropóloga.

Violências de índios contra índias, de brancos contra brancas, de pretos contra pretas, não se sabe se ocorridas de forma mais ou menos frequente e intensa do que nas relações mistas, são menos lembradas.

Não se está aqui tratando de galerosos “arianos” tatuados com suásticas e com poucos anos de estudo no sistema de ensino brasileiro, mas de grupos formados em sua maioria por brancos com significativa formação intelectual, influência política e poder econômico. Não é por acaso que esta propaganda antimestiça tem ocupado tanto espaço e recebido tanta promoção, e de forma impune, no Brasil.

Mas não basta estigmatizar a origem do povo mestiço, interessa também a esta propaganda rotular o próprio mestiço como racista.

“Existe mestiçagem como mistura, mas ela também é separação. Esses discursos mestiços vêm da discriminação e do racismo violento”, afirma uma eminente antropóloga.

“Discursos mestiços”?! Para a Desmestiçagem é um problema quando um mestiço enaltece seus diversos ancestrais e se recusa a “optar” por uma das raças ou etnias onde, inclusive por meio de leis, vêm sendo segregados.

A Desmestiçagem deseja caboclos maldizendo índios, mulatos ofendendo brancos, cafuzos depreciando pretos e de preferência desejando isolar-se ao máximo. O mestiço deve ser rotulado como o mau e o segregacionista deve ser apresentado como o tolerante defensor da diversidade ameaçada pela mestiçagem.

Recentemente um famoso ideólogo indigenista até defendeu uma guerra contra os “neonazistas mestiços”.

O que eles não desejam é que nós mestiços honremos nossos ancestrais índios, pretos e brancos como grandes pessoas que lutaram bravamente para defender seus valores e que pela mestiçagem, incentivada também por nossos antepassados índios e pretos, o povo conquistador branco português foi unificado com os povos que conquistou, desaparecendo à medida que ia dando origem ao povo mestiço e à Nação brasileira.

Isto é muito nacionalista e harmonioso para o estômago comunista e segregacionista de alguns.

Segundo o site do Ministério da Cultura, a exposição contou com o apoio da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). Também afirma que a ministra petista Marta Suplicy esteve na pré-abertura da exposição, em São Paulo, quando teria declarado: “A concepção desta exposição ajudará muito no planejamento do Museu Afro em Brasília. Esta exposição capta que a nossa diversidade é a mestiçagem e é nesse sentido que nós queremos conceber o museu”.

O que harmoniza com a máxima da Desmestiçagem que diz que no Brasil todo mundo é mestiço, exceto quem é.

Leão Alves é médico e ex-presidente do Movimento Nação Mestiça.

De Portal do Zacarias, 17/08/2014.

Posted in Artigos, Leão Alves, Levistraussismo, Multiculturalismo, Petismo, Português, Verwoerdismo | Indigenismo.


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