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Portuguezes contra o accordo orthographico – Leão Alves

Existem em Portugal movimentos contrários ao acordo ortográfico que pretende unificar nos diversos países lusófonos o modo de grafar as palavras da língua portuguesa. Exclusão de grande parte da sociedade na confecção do acordo, receio da indústria editorial brasileira, estranheza ou discordância com o modo de registrar determinadas palavras, visão sobre o status de Portugal e demais países lusófonos em relação à língua de Caramuru, objeção de que uma unificação ortográfica seja suficiente para resolver a questão da uniformidade da escrita em português em instancias internacionais estão entre as diversas motivações dos movimentos de resistência. Um grupo no Facebook, “Em aCção contra o acordo ortográfico”, p. ex., reúne mais de 50 mil membros.
Fora de Portugal o acordo também gera queixas. O Jornal de Angola publicou um editorial onde afirma que:
“Uma velha tipografia manual em Goa” – uma ex-colônia de Portugal na Índia – “pode ser tão preciosa para a Língua Portuguesa como a mais importante empresa editorial do Brasil, de Portugal ou de Angola”.
Em Macau, uma outra ex-colônia, esta localizada na China, o jornal “Hoje Macau” publicou um artigo com o expressivo título “O acordo e as bestas” no qual se queixa:
“Este facto – a má educação académica – não é novo. O que se passa é que os génios que elaboraram a asneira devem julgar-se protegidos nas suas torres de euros e marfim, demasiado cheios de si para dar importância aos verdadeiros operários da língua, aos que a mantêm viva todos os dias, muitas vezes contra tudo, contra todos e apesar de vocês.”
No Brasil também tem havido descontentamento com o acordo assinado em 2008 pelo ex-presidente Lula da Silva. Badalado por comunistas em diversas universidades européias – inclusive na Universidade de Coimbra, que cometeu a temeridade de lhe conceder o título de doutor Honoris Causa -, o petista realizou com grande alegria e disposição reiteradas limpezas étnicas do povo mestiço – o povo descendente dos colonizadores portugueses que introduziram o idioma no continente americano -, “enxotado-o” de Norte a Sul do Brasil para a criação de bantustões indigenistas, em atendimento ao racismo da academia branca verwoerdista que segura as chaves da antropologia no país.
Este apoio governamental petista à mudança na ortografia não é casual, mas faz parte da sua política entreguista de desconstrução da identidade brasileira, onde desvalorizar a formação mestiça nacional é fundamental. Certa vez assisti a uma palestra de um antropólogo indigenista brasileiro, que se declara branco, no que não se diferencia da maioria dos antropólogos em atuação no Brasil, o qual dizia que nós brasileiros falaríamos a língua dos outros, que esta nos teria sido imposta. Discordei e discordo dele, pelo menos em relação aos descendentes de portugueses, que constituem a absoluta maioria da população do país. A língua portuguesa não nos foi imposta, ela é tão nossa quanto era dos nossos ancestrais portugueses que a criaram – da mesma forma que o sobrenome de um pai não é mais dele do que do filho. O modo como a língua portuguesa é falada no Brasil foi moldado na intensa mestiçagem dos colonizadores brancos com os índios originais e pretos africanos, uma mestiçagem tão ampla que os brancos brasileiros atuais são, salvo alguma raríssima exceção, somente os descendentes de imigrantes que chegaram ao país depois da independência. Mas ele não estaria de todo errado se estivesse se referindo à existência no Brasil, desde o grito do Ipiranga, de projetos dos “outros” sobre “nós” – basta verificar a influência de ONGs e de agências governamentais estrangeiras, como a Survival International, Ford Foundation, Greenpeace, Embaixada da Noruega, GTZ, e de intelectuais incomodados com a mestiçagem, como Arthur de Gobineau e Lévi-Strauss, sobre as políticas étnicas e com foco racial realizadas no Brasil.
A data limite do período de transição de uma ortografia para outra, que encerraria em 2012, foi adiada para 2016; ou seja, ninguém pode ainda dizer que escrever ‘pingüim’ com trema esteja errado.
Da mesma forma que cada torcedor é um técnico, cada falante do português parece ter a sua proposta de ortografia. Um professor brasileiro, Ernani Pimentel, p. ex., argumentando que haveria uma economia no ensino da língua portuguesa, propõe a abolição do uso da letra ‘h’ antes das palavras e da letra ‘u’ após ‘g’ e ‘q’, ou seja, ‘homem’ seria escrito ‘omem’, ‘gagueira’ seria escrita ‘gageira’ e ‘quiosque’, ‘qiosqe’. Uma contestação afirma que isto impediria a unidade da ortografia, haja vista a diversidade de pronúncias existentes entre os falantes da língua portuguesa, o que resultaria na pulverização da escrita, exatamente o inverso do suposto objetivo do acordo.
A estranheza a esta proposta não deve ser muito diferente da causada em muitas pessoas quando aboliram a ortografia clássica. As reformas priorizando o fonético sobre o etimológico começaram em Portugal em 1911, um ano após a implantação da república. Alexandre Fontes, um gramático da época, comentou:
“Imaginem esta palavra phase, escripta assim: fase. Não nos parece uma palavra, parece-nos um esqueleto”.
No Brasil só no inicio dos anos de 1930, após idas e vindas, ocorreu algo similar.
Diferentemente do que fomos acostumados a imaginar, a ortografia portuguesa clássica, de caráter etimológico, que vigorou até o início do século XX, em alguns aspectos é até mais simples do que a atualmente em vigor, na qual se retirou o “ph” mas se introduziu um grande número de acentos, quase inexistentes na ‘orthographia da lingua portugueza’ adotada no ‘Brazil’ até estão. Aproveitando a oportunidade, ‘Brazil’ com ‘z’ não é “coisa de norte-americano”, mas a forma “officialmente correcta” de se grafar o nome do nosso país por mais de 400 anos de sua história.
(Leão Alves é médico e presidente do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro.)

orthographia

Existem em Portugal movimentos contrários ao acordo ortográfico que pretende unificar nos diversos países lusófonos o modo de grafar as palavras da língua portuguesa. Exclusão de grande parte da sociedade na confecção do acordo, receio da indústria editorial brasileira, estranheza ou discordância com o modo de registrar determinadas palavras, visão sobre o status de Portugal e demais países lusófonos em relação à língua de Caramuru, objeção de que uma unificação ortográfica seja suficiente para resolver a questão da uniformidade da escrita em português em instancias internacionais estão entre as diversas motivações dos movimentos de resistência. Um grupo no Facebook, “Em aCção contra o acordo ortográfico”, p. ex., reúne mais de 50 mil membros.

Fora de Portugal o acordo também gera queixas. O Jornal de Angola publicou um editorial onde afirma que:

“Uma velha tipografia manual em Goa” – uma ex-colônia de Portugal na Índia – “pode ser tão preciosa para a Língua Portuguesa como a mais importante empresa editorial do Brasil, de Portugal ou de Angola”.

Em Macau, uma outra ex-colônia, esta localizada na China, o jornal “Hoje Macau” publicou um artigo com o expressivo título “O acordo e as bestas” no qual se queixa:

“Este facto – a má educação académica – não é novo. O que se passa é que os génios que elaboraram a asneira devem julgar-se protegidos nas suas torres de euros e marfim, demasiado cheios de si para dar importância aos verdadeiros operários da língua, aos que a mantêm viva todos os dias, muitas vezes contra tudo, contra todos e apesar de vocês.”

No Brasil também tem havido descontentamento com o acordo assinado em 2008 pelo ex-presidente Lula da Silva. Badalado por comunistas em diversas universidades européias – inclusive na Universidade de Coimbra, que cometeu a temeridade de lhe conceder o título de doutor Honoris Causa -, o petista realizou com grande alegria e disposição reiteradas limpezas étnicas do povo mestiço – o povo descendente dos colonizadores portugueses que introduziram o idioma no continente americano -, “enxotado-o” de Norte a Sul do Brasil para a criação de bantustões indigenistas, em atendimento ao racismo da academia branca verwoerdista que segura as chaves da antropologia no país.

Este apoio governamental petista à mudança na ortografia não é casual, mas faz parte da sua política entreguista de desconstrução da identidade brasileira, onde desvalorizar a formação mestiça nacional é fundamental. Certa vez assisti a uma palestra de um antropólogo indigenista brasileiro, que se declara branco, no que não se diferencia da maioria dos antropólogos em atuação no Brasil, o qual dizia que nós brasileiros falaríamos a língua dos outros, que esta nos teria sido imposta. Discordei e discordo dele, pelo menos em relação aos descendentes de portugueses, que constituem a absoluta maioria da população do país. A língua portuguesa não nos foi imposta, ela é tão nossa quanto era dos nossos ancestrais portugueses que a criaram – da mesma forma que o sobrenome de um pai não é mais dele do que do filho. O modo como a língua portuguesa é falada no Brasil foi moldado na intensa mestiçagem dos colonizadores brancos com os índios originais e pretos africanos, uma mestiçagem tão ampla que os brancos brasileiros atuais são, salvo alguma raríssima exceção, somente os descendentes de imigrantes que chegaram ao país depois da independência. Mas ele não estaria de todo errado se estivesse se referindo à existência no Brasil, desde o grito do Ipiranga, de projetos dos “outros” sobre “nós” – basta verificar a influência de ONGs e de agências governamentais estrangeiras, como a Survival International, Ford Foundation, Greenpeace, Embaixada da Noruega, GTZ, e de intelectuais incomodados com a mestiçagem, como Arthur de Gobineau e Lévi-Strauss, sobre as políticas étnicas e com foco racial realizadas no Brasil.

A data limite do período de transição de uma ortografia para outra, que encerraria em 2012, foi adiada para 2016; ou seja, ninguém pode ainda dizer que escrever ‘pingüim’ com trema esteja errado.

Da mesma forma que cada torcedor é um técnico, cada falante do português parece ter a sua proposta de ortografia. Um professor brasileiro, Ernani Pimentel, p. ex., argumentando que haveria uma economia no ensino da língua portuguesa, propõe a abolição do uso da letra ‘h’ antes das palavras e da letra ‘u’ após ‘g’ e ‘q’, ou seja, ‘homem’ seria escrito ‘omem’, ‘gagueira’ seria escrita ‘gageira’ e ‘quiosque’, ‘qiosqe’. Uma contestação afirma que isto impediria a unidade da ortografia, haja vista a diversidade de pronúncias existentes entre os falantes da língua portuguesa, o que resultaria na pulverização da escrita, exatamente o inverso do suposto objetivo do acordo.

A estranheza a esta proposta não deve ser muito diferente da causada em muitas pessoas quando aboliram a ortografia clássica. As reformas priorizando o fonético sobre o etimológico começaram em Portugal em 1911, um ano após a implantação da república. Alexandre Fontes, um gramático da época, comentou:

“Imaginem esta palavra phase, escripta assim: fase. Não nos parece uma palavra, parece-nos um esqueleto”.

No Brasil só no inicio dos anos de 1930, após idas e vindas, ocorreu algo similar.

Diferentemente do que fomos acostumados a imaginar, a ortografia portuguesa clássica, de caráter etimológico, que vigorou até o início do século XX, em alguns aspectos é até mais simples do que a atualmente em vigor, na qual se retirou o “ph” mas se introduziu um grande número de acentos, quase inexistentes na ‘orthographia da lingua portugueza’ adotada no ‘Brazil’ até estão. Aproveitando a oportunidade, ‘Brazil’ com ‘z’ não é “coisa de norte-americano”, mas a forma “officialmente correcta” de se grafar o nome do nosso país por mais de 400 anos de sua história.

Leão Alves é médico e presidente do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro.

Posted in Artigos, Leão Alves.


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