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E as propostas, caboco? – Leão Alves

Nestas e noutras eleições, diversos candidatos se dizem cabocos. Nesta e noutras eleições, porém, não se vê quase nenhuma proposta específica para mestiços – o que tem especial significado nestes tempos em que cada vez mais os sem-raça vêm sendo marginalizados.
“Eu vi um caboclo navegar sem medo…” Assim começa um jingle de campanha do finado governador Gilberto Mestrinho. A cada eleição que passa, aparecem candidatos identificando-se ou fazendo referência aos cabocos.
Isto é um avanço, considerando que houve uma época onde muitos se sentiam ofendidos quando chamados de cabocos – podia até dar briga. O rei de Portugal, D. José I, chegou a proibir o emprego da palavra “cabocolo” em documentos oficiais.
Isto não ficou, porém, só no passado. Assisti há algum tempo uma ex-primeira-dama criticando uma senhora do movimento mestiço dizendo que as pessoas deveriam se envergonhar de se identificarem como cabocas.
O ex-prefeito de Manaus, Serafim Correa, quando administrava a cidade, vetou dois artigos de uma lei que instituía o Dia do Caboclo e visava evitar a sistemática exclusão de mestiços dos fóruns de debate onde outros segmentos étnicos eram representados. Em suas “razões de veto” o prefeito socialista afirmou que “não existe pertinência em assegurar a participação de representantes dos caboclos em Conselhos municipais, pois tal categoria não possui o reconhecimento público necessário”.
O fato de alguém não ser caboco não significa, porém, que não simpatize com os cabocos e a mestiçagem.
Importante para observar o grau de maturidade da “caboquitude” é buscar as propostas – se existirem – para o povo mestiço vindas de candidatos que se identificam como cabocos.
Dos candidatos ao governo do Estado, somente um identifica-se como pardo, os demais, segundo o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmaram ser brancos – problema nenhum ser branco: os cabocos descendem da miscigenação entre brancos e índios.
Entre os dois candidatos com melhor situação nas pesquisas e que disponibilizaram na internet seus planos de governo, há propostas específicas para quilombolas e índios, mas não para mestiços.
Se há esta falta de atenção e consciência por parte de muitos políticos cabocos que sinceramente identificam-se como tais, em especial para a gravidade da marginalização oficial dos mestiços que se instaurou com a Constituição de 1988, recheada de multiculturalismo, de segregacionismo e de indigenismo, há os candidatos sem qualquer compromisso que desejam somente raspar alguns votos.
Um petista que pleiteia uma vaga de deputado estadual, p. ex., declarou-se “caboclo interiorano” no horário eleitoral. O candidato foi autor em 2004 de um Projeto de Emenda à Constituição do Estado do Amazonas que ampliava a colaboração do Estado para a “efetivação e agilização” da “identificação, delimitação e demarcação de terras indígenas”, o que implica em agilizar a expulsão dos “caboclos interioranos”, uma vez que quando uma “terra indígena” é estabelecida, os “caboclos interioranos” que habitam a área são expulsos.
Para o Partido dos Trabalhadores, importa lembrar, pardos são negros, ou seja, os cabocos pardos são negros. Exagero? Está no Estatuto da Igualdade Racial, lei criada por projeto petista. Qual o problema? Além do fato de desrespeitar o direito dos pardos identificarem-se como mestiços que são, neste Estado brasileiro que distribui direitos em função de raça e de etnia, significa o pardo caboco não ter direito a políticas específicas para ele também.
Na campanha da eleição para presidente passada, a candidata Marina Silva foi apresentada por alguns simpatizantes como “cabocla acreana dos seringais”. A mesma, porém, identifica-se como negra e, nesta eleição, dos onze candidatos a presidente é a única que se identifica como preta, os demais se identificam como brancos. Marina Silva promete que, se eleita, irá avançar com as “demarcações” indigenistas, ou seja, mais limpeza étnica contra cabocos.
Limpeza étnica, ressalte-se, é um dos principais problemas que os cabocos têm enfrentado e de forma desprotegida. Os indigenistas plantaram leis que impedem o povo mestiço sequer recorrerem ao Ministério Público se houver conflito com eles e um povo índio embalado pelo indigenismo.
Ninguém imagine que o indigenismo é a expressão dos interesses índios. Não havia nada de indigenismo quando nossos ancestrais índios romperam espaços raciais, mestiçaram-se voluntariamente e geraram a nós caboclos. Indigenismo é uma invenção de brancos preocupados em evitar a mestiçagem.
Além do Ministério Público, há dezenas de ONGs do Brasil e de outros países, e mesmo agências de governos estrangeiros, em regra europeus e dos EUA, para “defender” os índios – destaque-se: segundo a cartilha indigenista – além de fundações e órgãos públicos que vão da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) à Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (SEIND), mas não há órgão específico para defender o povo mestiço.
O que deve se esperar de um candidato caboco, assim, vai muito além da simples afirmação de ser caboco.
Uma informação para encerrar: o Supremo Tribunal Federal (STF) na ultima semana declarou a inconstitucionalidade do capítulo da Constituição do Pará dedicado aos índios. Segundo o STF, apenas a União pode legislar sobre questões indígenas.
(Leão Alves é médico e ex-presidente do Movimento Nação Mestiça.)

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Nestas e noutras eleições, diversos candidatos se dizem cabocos. Nesta e noutras eleições, porém, não se vê quase nenhuma proposta específica para mestiços – o que tem especial significado nestes tempos em que cada vez mais os sem-raça vêm sendo marginalizados.

“Eu vi um caboclo navegar sem medo…” Assim começa um jingle de campanha do finado governador Gilberto Mestrinho. A cada eleição que passa, aparecem candidatos identificando-se ou fazendo referência aos cabocos.

Isto é um avanço, considerando que houve uma época onde muitos se sentiam ofendidos quando chamados de cabocos – podia até dar briga. O rei de Portugal, D. José I, chegou a proibir o emprego da palavra “cabocolo” em documentos oficiais.

Isto não ficou, porém, só no passado. Assisti há algum tempo uma ex-primeira-dama criticando uma senhora do movimento mestiço dizendo que as pessoas deveriam se envergonhar de se identificarem como cabocas.

O ex-prefeito de Manaus, Serafim Correa, quando administrava a cidade, vetou dois artigos de uma lei que instituía o Dia do Caboclo e visava evitar a sistemática exclusão de mestiços dos fóruns de debate onde outros segmentos étnicos eram representados. Em suas “razões de veto” o prefeito socialista afirmou que “não existe pertinência em assegurar a participação de representantes dos caboclos em Conselhos municipais, pois tal categoria não possui o reconhecimento público necessário”.

O fato de alguém não ser caboco não significa, porém, que não simpatize com os cabocos e a mestiçagem.

Importante para observar o grau de maturidade da “caboquitude” é buscar as propostas – se existirem – para o povo mestiço vindas de candidatos que se identificam como cabocos.

Dos candidatos ao governo do Estado, somente um identifica-se como pardo, os demais, segundo o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmaram ser brancos – problema nenhum ser branco: os cabocos descendem da miscigenação entre brancos e índios.

Entre os dois candidatos com melhor situação nas pesquisas e que disponibilizaram na internet seus planos de governo, há propostas específicas para quilombolas e índios, mas não para mestiços.

Se há esta falta de atenção e consciência por parte de muitos políticos cabocos que sinceramente identificam-se como tais, em especial para a gravidade da marginalização oficial dos mestiços que se instaurou com a Constituição de 1988, recheada de multiculturalismo, de segregacionismo e de indigenismo, há os candidatos sem qualquer compromisso que desejam somente raspar alguns votos.

Um petista que pleiteia uma vaga de deputado estadual, p. ex., declarou-se “caboclo interiorano” no horário eleitoral. O candidato foi autor em 2004 de um Projeto de Emenda à Constituição do Estado do Amazonas que ampliava a colaboração do Estado para a “efetivação e agilização” da “identificação, delimitação e demarcação de terras indígenas”, o que implica em agilizar a expulsão dos “caboclos interioranos”, uma vez que quando uma “terra indígena” é estabelecida, os “caboclos interioranos” que habitam a área são expulsos.

Para o Partido dos Trabalhadores, importa lembrar, pardos são negros, ou seja, os cabocos pardos são negros. Exagero? Está no Estatuto da Igualdade Racial, lei criada por projeto petista. Qual o problema? Além do fato de desrespeitar o direito dos pardos identificarem-se como mestiços que são, neste Estado brasileiro que distribui direitos em função de raça e de etnia, significa o pardo caboco não ter direito a políticas específicas para ele também.

Na campanha da eleição para presidente passada, a candidata Marina Silva foi apresentada por alguns simpatizantes como “cabocla acreana dos seringais”. A mesma, porém, identifica-se como negra e, nesta eleição, dos onze candidatos a presidente é a única que se identifica como preta, os demais se identificam como brancos. Marina Silva promete que, se eleita, irá avançar com as “demarcações” indigenistas, ou seja, mais limpeza étnica contra cabocos.

Limpeza étnica, ressalte-se, é um dos principais problemas que os cabocos têm enfrentado e de forma desprotegida. Os indigenistas plantaram leis que impedem o povo mestiço sequer recorrerem ao Ministério Público se houver conflito com eles e um povo índio embalado pelo indigenismo.

Ninguém imagine que o indigenismo é a expressão dos interesses índios. Não havia nada de indigenismo quando nossos ancestrais índios romperam espaços raciais, mestiçaram-se voluntariamente e geraram a nós caboclos. Indigenismo é uma invenção de brancos preocupados em evitar a mestiçagem.

Além do Ministério Público, há dezenas de ONGs do Brasil e de outros países, e mesmo agências de governos estrangeiros, em regra europeus e dos EUA, para “defender” os índios – destaque-se: segundo a cartilha indigenista – além de fundações e órgãos públicos que vão da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) à Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (SEIND), mas não há órgão específico para defender o povo mestiço.

O que deve se esperar de um candidato caboco, assim, vai muito além da simples afirmação de ser caboco.

Uma informação para encerrar: o Supremo Tribunal Federal (STF) na ultima semana declarou a inconstitucionalidade do capítulo da Constituição do Pará dedicado aos índios. Segundo o STF, apenas a União pode legislar sobre questões indígenas.

Leão Alves é médico e ex-presidente do Movimento Nação Mestiça.

De Portal do Zacarias, 21/09/2014.

Posted in Artigos, Leão Alves.


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