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Os conflitos entre índios e mestiços e a culpa antropológica – Leão Alves

Os assassinatos dos três mestiços no Sul do Amazonas não são um fato isolado, mas propiciado pelo conflito étnico e racial plantado pela antropologia da Desmestiçagem e da segregação que embala academias, ONGs e organizações governamentais no Brasil.
Para esta antropologia, o Brasil deveria se orgulhar de ser um país multiétnico e abandonar sua identidade mestiça.

Os assassinatos dos três mestiços no Sul do Amazonas não são um fato isolado, mas propiciado pelo conflito étnico e racial plantado pela antropologia da Desmestiçagem e da segregação que embala academias, ONGs e organizações governamentais no Brasil.

Para esta antropologia, o Brasil deveria se orgulhar de ser um país multiétnico e abandonar sua identidade mestiça.

Ou seja, o Brasil deveria deixar de se ver como uma Nação mestiça, onde índios, brancos e pretos miscigenaram-se e homogeneizaram-se etnicamente, e passar a se orgulhar de ser um mosaico de povos, raças e etnias distintas segregadas, nos termos do art. 231 da Constituição de 1988 e do verwoerdismo.

Mestiço, destaque-se, não é sinônimo de multiétnico. Na mestiçagem etnias misturam-se e dão origem a uma etnia nova e distinta delas. Assim, um caboclo (ou caboco) não é índio e branco ao mesmo tempo, nem é índio num momento e branco logo depois, como se fosse um vagalume. Caboclo é mestiço e distinto tanto do branco quanto do índio. O mestiço brasileiro não é português, iorubá e tupinambá ao mesmo tempo; ele é somente mestiço brasileiro – um nativo nascido da mestiçagem.

A mestiçagem ocorreu no Brasil de forma espontânea e de forma estimulada tanto por índios quanto por portugueses. No censo de 1872, a população brasileira identificada como parda (mestiça) superava a de brancos e a de pretos. No início do séc. XX, políticos mestiços, como Rodrigues Alves e Nilo Peçanha, já haviam chegado à presidência do Brasil.

A ideologia do supremacismo branco e a visão negativa sobre a mestiçagem, porém, tinha grande influência nas academias – da mesma forma que atualmente. A promoção da imigração européia foi tão intensa que no censo seguinte, de 1890, a população branca já superava em muito a parda.

Além das motivações simplesmente econômicas, alguns políticos e acadêmicos acreditavam na necessidade do país ser governado por uma elite branca.

Em 1869, o deputado Aguiar Witaker, propunha o assentamento em São Paulo de mil famílias brancas provenientes dos Estados Confederados, país escravista derrotado na Guerra da Secessão (1861-1865) que dividiu os EUA. Afirmava o deputado,

“Enxergo toda a felicidade, todo o futuro do meu país, na vinda do estrangeiro.

“Não desespero do presente, não desespero dos nossos, não vou tão longe que queira ser estrangeiro em meu próprio país, não abdico minha nacionalidade, mas noto que a desmoralização lavra em todas as camadas, e principalmente entre os grandes da nação.

“Se assim é, se o defeito está na raiz e não nas folhas, se encontramos decepções a cada momento, se não é possível melhorar esta raça, ao menos procuremos o contato com o estrangeiro”.

A maioria dos imigrantes integrou-se espontaneamente – muitos até com grande entusiasmo – à nacionalidade brasileira. É significativo que o político que é lembrado – com reprovação pelos verwoerdistas da terra – como o principal promotor dessa integração tenha sido o primeiro presidente do país a ter um sobrenome não português, Getúlio Vargas, que era descendente de espanhóis.

Muitos imigrantes, porém, eram hostis à sociedade brasileira e mais ainda à mestiçagem com índios ou com mestiços.

Um autor da época, Robert Gernhard, de Santa Catarina, registra em 1901, “Ao lado dos colonos alemães a existência [dos índios] tornou-se impraticável, eles têm que desaparecer, assim como, paulatinamente, animais bravios têm de ser exterminados”.

Atualmente é o povo mestiço, descendentes destes índios, que está sendo apagado, escorraçado, exterminado etnicamente, moralmente e até fisicamente. O caso de Humaitá não é isolado; suicídio, miséria, alcoolismo, desesperança, prostituição são algumas das mazelas que acometem muitos mestiços expulsos pela antropologia da segregação de Norte a Sul.

O tempo passou, mas o objetivo racista é o mesmo, só que apresentado de forma mais sofisticada e elegante: o apartheid (eles não adotam este termo, mas é disso que se trata) visaria preservar a identidade étnica e cultural dos povos índios.

O antropólogo branco Levi-Strauss, renovando o pensamento do racista Gobineau, plantou na Universidade de São Paulo (USP) a ideologia de que a diversidade é, por essência, superior à homogeneidade – em outras palavras, a pluralidade racial e étnica seria superior à miscigenação e à mestiçagem: mais valeriam a índia Paraguaçu e o branco português Diogo Álvares – de preferência bem separados entre si – do que dois mestiços descendentes da união do casal.

A mestiçagem tornou-se uma “ameaça à diversidade” a ser combatida pelos cavaleiros do multiculturalismo.

Na USP intelectuais brancos e negros de esquerda elaboraram e promoveram a Desmestiçagem. Um dos produtos destes intelectuais foi o Partido dos Trabalhadores (PT).

É importante que todos os que repudiam racismo, e em particular os mestiços, saibam que a insensibilidade demonstrada pelo Governo Federal petista quando promove limpeza étnica de milhões de nativos mestiços para criar territórios exclusivos para índios reflete a ideologia da Desmestiçagem para a qual um índio vale mais do que um mestiço.

Eles conseguem ser pior ainda: para a Desmestiçagem, o mestiço deve ser desumanizado. Os índios são apresentados como guerreiros, seres em harmonia com a natureza, na nobre luta por suas terras, enquanto os mestiços são apresentados como invasores (de suas terras ancestrais), grileiros, desmatadores, etc.

Assim, cabe meditar sobre o que estão ensinando nos cursos de antropologia acerca dos mestiços e da mestiçagem? Quem está ensinando? Quem está bancando este ensino? Estão ensinando que mestiços descendem dos escravos índios? Estão ensinando que mestiço é nativo? Estão ensinando que mestiço não é invasor? Estão ensinando que o povo mestiço tem direito originário sobre a terra?

O florido discurso do multiculturalismo e da defesa das criações de bantustões são a via da aversão à miscigenação, à mestiçagem e ao mestiço, ou seja, a via expressa para a divisão e o conflito.

Leão Alves é médico e secretário-geral do Movimento Nação Mestiça.

De Portal do Zacarias, 12/02/2014.

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