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Apartheid importado – Ernesto Caruso

O líder sul-africano Nelson Mandela morreu; dezembro/2013; 95 anos de idade; 27 anos preso, condenado por ações que entendia necessárias à libertação do seu povo do jugo de colonizadores que impunham abjeto tratamento aos negros na sociedade onde eram a maioria subserviente, miserável e segregada. Compartimentada cuja realidade triste e repugnante transpôs as fronteiras da África do Sul e a fez conhecida no mundo pelo abominável termo “apartheid”.

Imaginar que o negro onde nascera precisava ter um passe para circular em área onde deveria permanecer confinado; preso se não o portasse, como se alguém não pudesse sair do bairro onde mora. Uma ambulância de brancos não transportava negros, que também não podiam ser membros de sindicatos, não podiam possuir terra, ter participação na política, nem acesso às profissões bem remuneradas. As relações sexuais entre pessoas de etnia diferente e os casamentos sob a mesma condição eram proibidos. Praia exclusiva para os de raça branca. Ônibus, escolas, universidades, hospitais, bairros e até bancos de praças. Para uns e outros. Mandela viveu, combateu e venceu. Quando? De espantar, mas nos nossos dias.

No princípio de 1990, sob a presidência de Frederik de Klerk, as leis do apartheid foram abolidas. Mandela é solto. Deixou uma lição: “Durante a minha vida, dediquei-me a essa luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca, lutei contra a dominação negra. Acalentei o ideal de uma sociedade livre e democrática na qual as pessoas vivam juntas em harmonia e com oportunidades iguais.”.

Nos Estados Unidos ainda na década de 1960 os ônibus mantinham assentos reservados aos brancos na frente e aos negros na parte de trás.

E no Brasil?

Assim, como na África havia nativos negros, cá havia nativos índios. Tratados de forma diferente, ainda que conquistados sob o rigor inicial típico da colonização, vencidos eram absorvidos/escravos. Como se pode observar, na África do Sul não podia haver casamento inter-racial e no Brasil, na carta da rainha Dª Maria I ao governador e capitão general do Estado do Pará, D. Francisco de Souza Coutinho, do dia 12 de maio de 1789, consta:… “Iguais os índios em direitos e obrigações com os meus outros vassalos, ainda falta facilitar-lhes alianças com os brancos, como um meio muito eficaz para a sua perfeita civilização: Portanto ordeno-vos, que cuideis muito em promover os casamentos entre índios e brancos (…) conceda a todos os brancos que casarem com índios a prerrogativa de ficarem isentos de todos os serviços públicos…, por um número de anos (…)”. Visão política de longo prazo para integrar e formar uma nação monolítica.

Enquanto o mundo exalta a figura de Mandela pelo poder de lutar, conciliar e unir os cidadãos negros, indianos e brancos, neste lado do Atlântico se colabora para o fracionamento do território e a dissensão entre brasileiros essencialmente miscigenados a serviço do internacionalismo o mesmo que reverencia o líder africano.

Em especial a partir da Constituição de 1988 e dos Poderes mal constituídos, mal intencionados, corrompidos e incompetentes. Haja vista o capítulo VIII, DOS ÍNDIOS, intocável covardemente, a despeito das 75 emendas constitucionais já realizadas. A criação na fronteira (!), com aval do STF, das reservas contínuas Yanomami e Raposa Serra do Sol com quase 50% de Roraima, um Estado reduzido à metade do legado por nossos antepassados. Estupidamente ainda chamam de nações a incentivar a criação de enclaves tipo Kosovo/Sérvia.

Produzem estatutos racialistas, criam comissões para classificação de quem é negro ou branco para ingresso em faculdade, cotas para a política, emprego, etc que desqualificam e rotulam quem as usa. Uma demagogia em busca de voto no bojo do coronelismo institucionalizado através o bolsa família.

Estabeleçam um módulo agrário para todos os brasileiros/índios/brancos/negros/mestiços, produzam ensino e saúde pública de qualidade e emprego. A sociedade clama por viver “em harmonia e com oportunidades iguais.”. Zero para o apartheid racial e social. Invasão, violência inaceitável!

Ernesto Caruso é Coronel RFM do Exército Brasileiro.

De Brasil Acima de Tudo, 17/12/2013.

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