Skip to content


Defensora do apartheid vai ao funeral de Mandela – Leão Alves

O governo brasileiro informou oficialmente que a presidente Dilma Rousseff irá ao funeral do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela. Para o povo sul-africano possivelmente será somente mais uma liderança dentre tantas outras que assistirão ao enterro no dia 15 de dezembro do homem que teve a vida marcada pelo enfrentamento do apartheid.

Um outro homem que teve a vida também marcada pelo apartheid é bem menos conhecido no Brasil: o ex-primeiro ministro sul-africano Hendrik Verwoerd, o “arquiteto do apartheid”. Provavelmente o nome Dilma Rousseff é tão desconhecido na África do Sul quanto o nome Hendrik Verwoerd é desconhecido no Brasil. Embora separadas pelo tempo e pelo espaço, as ideias e políticas raciais dos dois governantes brancos têm muito em comum.
O nome de Verwoerd é pouquíssimo registrado pela grande mídia brasileira, mesmo em reportagens sobre o apartheid sul-africano. Quando há reportagens sobre o nazismo é quase regra ser referido o nome de seu principal ideólogo e líder, Adolf Hitler. Até figuras do segundo escalão do nazismo são mais conhecidas e citadas do que o principal mentor do apartheid sul-africano, apesar da implantação deste regime segregacionista ter ocorrido após a II Guerra Mundial, ou seja, em data mais recente.
A que se deveria isso, que não é de agora? Mesmo quando Mandela estava ainda na prisão e reportagens sobre a África do Sul apareciam com mais frequência na mídia brasileira, o principal ideólogo do sistema racista era quase nunca citado.
Qual o problema disso? Qual seria a importância em se divulgar o nome do racista? O apartheid foi um sistema elaborado, não foi simplesmente uma manifestação desorganizada de ódio transformada em leis. Os defensores do apartheid tentaram justificar suas ideias políticas. Será o fato dos argumentos deles serem muito parecidos com os dos atuais defensores de territórios raciais, de desmetiçagem e de outras políticas multiculturalistas o que leva a um silêncio sobre seus nomes e seus textos?
Mas afinal quem foi, o que defendia e o que fez Hendrik Verwoerd? Ele foi primeiro-ministro da África do Sul de 1958 a 1966. Quando Nelson Mandela foi condenado à prisão perpétua, Verwoerd governava a África do Sul.
Verwoerd foi professor de Psicologia Aplicada e Sociologia na Universidade de Stellenbosch. Em 1950, o primeiro-ministro Daniel François Malan o nomeou ministro de Assuntos Nativos da África do Sul, um cargo assemelhado ao de presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) no Brasil atual. Nesta função começou a implementar medidas do apartheid como a obrigatoriedade de que os habitantes sul-africanos fossem classificados racialmente como pretos, brancos, mestiços ou indianos, a criação de áreas raciais urbanas, leis de passes e outras normas de segregação.
Da mesma forma que a presidente Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), implanta política racista tentando passar a ideia de que está fazendo o contrário, Verwoerd também argumentava que o sistema de apartheid visava beneficiar os pretos sul-africanos – identificados como bantos nesta passagem de uma carta na qual explicava o que seria o apartheid: “Não há política de opressão aqui, mas de criar uma situação que nunca existiu para os bantos, isto é, que, levando em consideração as suas línguas, tradições, história e diferentes comunidades nacionais, eles possam passar por um desenvolvimento deles próprios”.
Verwoerd visava com o apartheid evitar a mestiçagem, advertindo sobre o “problema” da convivência entre brancos e pretos: “Em simultâneo com o desenvolvimento desta demanda, ele [o banto] desejará o mesmo nas esferas social, econômica e em outras esferas da vida, envolvendo, no devido tempo, residência misturada, trabalho misturado, convivência misturada, e, eventualmente, uma população miscigenada – apesar do orgulho bem conhecido de ambos, bantos e europeus, de suas respectivas pureza de descendência.”
No Brasil, a política racial da presidente brasileira é centrada na Desmestiçagem. Com este objetivo, o seu partido conseguiu aprovar uma lei que classifica pardos como negros, o Estatuto da Igualdade Racial. Para a presidente a população brasileira é formada por negros, brancos e índios, mas não por mestiços. Em fevereiro do ano passado, a ministra responsável para a implementação desta política condicionou o atendimento de sua secretaria a caboclos (mestiços de branco e índio) a eles identificarem-se como negros.
Ao tornar-se primeiro-ministro, Verwoerd prosseguiu com a implantação de leis de apartheid como o Ato de Promoção do Auto-Governo Banto, que criava territórios indígenas, os bantustões, e favorecia a expulsão dos brancos – isso mesmo, os defensores brancos do apartheid, como os branco-indigenistas no Brasil, defendiam a expulsão dos brancos dos territórios indígenas. “Na verdade, o centro da política de apartheid está em que, como o banto não precisa mais do Europeu, este tem de ser totalmente removido dos territórios nativos”, defendia Verwoerd.
No Brasil, o Partido dos Trabalhadores apresentou um projeto que visa criar os “territórios brancos”, áreas de preservação da identidade racial e étnica de descendentes de imigrantes, em sua maioria europeus alemães, holandeses e italianos. Se um território, p. ex., for declarado área de preservação de cultura alemã e alguém tentar abrir uma casa de música nordestina poderá ser proibido em nome da preservação da diversidade de línguas, tradições, etc, no território brasileiro. Imagino que Verwoerd aprovaria.
Provavelmente aprovaria também a rigorosa política de criação de territórios raciais empreendida pela presidente, inclusive em ambientes urbanos como no apartheid sul-africano.
No período do Natal de 2012, forças militares enviadas pela presidente Dilma Rousseff realizaram limpeza étnica na região de Suiá Missu, no Estado de Mato Grosso, com a finalidade de criar no local mais um bantustão para índios.
Além das violências morais e materiais cometidas contra os expulsos, há relatos de constrangimentos a casais mistos nas “desintrusões” que ocorrem pelo país.
Nelson Mandela, em carta dirigida a Verwoerd em 1961, na qual também convidava as comunidades indianas e mestiças e os brancos a unirem-se aos pretos contra o regime, demandou uma convenção nacional em “bases indiferentes quanto a raça, cor, credo ou outra limitação”. No sentido inverso da ideia de cidadania desta demanda, no Brasil o partido da presidente Dilma Rousseff apresentou projeto que visa implantar cotas raciais no poder legislativo, do federal ao municipal, almejando ampliá-las a outros setores do poder.
Verwoerd foi morto pela própria ideologia e política que cultivou, apunhalado por um homem descontente por ter sido classificado como branco, o que o impedia de casar com uma namorada mestiça. Defensores da segregação racial lotaram as ruas acompanhando seu funeral – um evento bem mais adequado à presença de pessoas com a mentalidade da presidente que vem avançando com o apartheid no Brasil.
*Leão Alves é médico e secretário geral do Movimento Nação Mestiça.

Um outro homem que teve a vida também marcada pelo apartheid é bem menos conhecido no Brasil: o ex-primeiro ministro sul-africano Hendrik Verwoerd, o “arquiteto do apartheid”. Provavelmente o nome Dilma Rousseff é tão desconhecido na África do Sul quanto o nome Hendrik Verwoerd é desconhecido no Brasil. Embora separadas pelo tempo e pelo espaço, as ideias e políticas raciais dos dois governantes brancos têm muito em comum.

O nome de Verwoerd é pouquíssimo registrado pela grande mídia brasileira, mesmo em reportagens sobre o apartheid sul-africano. Quando há reportagens sobre o nazismo é quase regra ser referido o nome de seu principal ideólogo e líder, Adolf Hitler. Até figuras do segundo escalão do nazismo são mais conhecidas e citadas do que o principal mentor do apartheid sul-africano, apesar da implantação deste regime segregacionista ter ocorrido após a II Guerra Mundial, ou seja, em data mais recente.

A que se deveria isso, que não é de agora? Mesmo quando Mandela estava ainda na prisão e reportagens sobre a África do Sul apareciam com mais frequência na mídia brasileira, o principal ideólogo do sistema racista era quase nunca citado.

Qual o problema disso? Qual seria a importância em se divulgar o nome do racista? O apartheid foi um sistema elaborado, não foi simplesmente uma manifestação desorganizada de ódio transformada em leis. Os defensores do apartheid tentaram justificar suas ideias políticas. Será o fato dos argumentos deles serem muito parecidos com os dos atuais defensores de territórios raciais, de desmetiçagem e de outras políticas multiculturalistas o que leva a um silêncio sobre seus nomes e seus textos?

Mas afinal quem foi, o que defendia e o que fez Hendrik Verwoerd? Ele foi primeiro-ministro da África do Sul de 1958 a 1966. Quando Nelson Mandela foi condenado à prisão perpétua, Verwoerd governava a África do Sul.

Verwoerd foi professor de Psicologia Aplicada e Sociologia na Universidade de Stellenbosch. Em 1950, o primeiro-ministro Daniel François Malan o nomeou ministro de Assuntos Nativos da África do Sul, um cargo assemelhado ao de presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) no Brasil atual. Nesta função começou a implementar medidas do apartheid como a obrigatoriedade de que os habitantes sul-africanos fossem classificados racialmente como pretos, brancos, mestiços ou indianos, a criação de áreas raciais urbanas, leis de passes e outras normas de segregação.

Da mesma forma que a presidente Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), implanta política racista tentando passar a ideia de que está fazendo o contrário, Verwoerd também argumentava que o sistema de apartheid visava beneficiar os pretos sul-africanos – identificados como bantos nesta passagem de uma carta na qual explicava o que seria o apartheid: “Não há política de opressão aqui, mas de criar uma situação que nunca existiu para os bantos, isto é, que, levando em consideração as suas línguas, tradições, história e diferentes comunidades nacionais, eles possam passar por um desenvolvimento deles próprios”.

Verwoerd visava com o apartheid evitar a mestiçagem, advertindo sobre o “problema” da convivência entre brancos e pretos: “Em simultâneo com o desenvolvimento desta demanda, ele [o banto] desejará o mesmo nas esferas social, econômica e em outras esferas da vida, envolvendo, no devido tempo, residência misturada, trabalho misturado, convivência misturada, e, eventualmente, uma população miscigenada – apesar do orgulho bem conhecido de ambos, bantos e europeus, de suas respectivas pureza de descendência.”

No Brasil, a política racial da presidente brasileira é centrada na Desmestiçagem. Com este objetivo, o seu partido conseguiu aprovar uma lei que classifica pardos como negros, o Estatuto da Igualdade Racial. Para a presidente a população brasileira é formada por negros, brancos e índios, mas não por mestiços. Em fevereiro do ano passado, a ministra responsável para a implementação desta política condicionou o atendimento de sua secretaria a caboclos (mestiços de branco e índio) a eles identificarem-se como negros.

Ao tornar-se primeiro-ministro, Verwoerd prosseguiu com a implantação de leis de apartheid como o Ato de Promoção do Auto-Governo Banto, que criava territórios indígenas, os bantustões, e favorecia a expulsão dos brancos – isso mesmo, os defensores brancos do apartheid, como os branco-indigenistas no Brasil, defendiam a expulsão dos brancos dos territórios indígenas. “Na verdade, o centro da política de apartheid está em que, como o banto não precisa mais do Europeu, este tem de ser totalmente removido dos territórios nativos”, defendia Verwoerd.

No Brasil, o Partido dos Trabalhadores apresentou um projeto que visa criar os “territórios brancos”, áreas de preservação da identidade racial e étnica de descendentes de imigrantes, em sua maioria europeus alemães, holandeses e italianos. Se um território, p. ex., for declarado área de preservação de cultura alemã e alguém tentar abrir uma casa de música nordestina poderá ser proibido em nome da preservação da diversidade de línguas, tradições, etc, no território brasileiro. Imagino que Verwoerd aprovaria.

Provavelmente aprovaria também a rigorosa política de criação de territórios raciais empreendida pela presidente, inclusive em ambientes urbanos como no apartheid sul-africano.

No período do Natal de 2012, forças militares enviadas pela presidente Dilma Rousseff realizaram limpeza étnica na região de Suiá Missu, no Estado de Mato Grosso, com a finalidade de criar no local mais um bantustão para índios.

Além das violências morais e materiais cometidas contra os expulsos, há relatos de constrangimentos a casais mistos nas “desintrusões” que ocorrem pelo país.

Nelson Mandela, em carta dirigida a Verwoerd em 1961, na qual também convidava as comunidades indianas e mestiças e os brancos a unirem-se aos pretos contra o regime, demandou uma convenção nacional em “bases indiferentes quanto a raça, cor, credo ou outra limitação”. No sentido inverso da ideia de cidadania desta demanda, no Brasil o partido da presidente Dilma Rousseff apresentou projeto que visa implantar cotas raciais no poder legislativo, do federal ao municipal, almejando ampliá-las a outros setores do poder.

Verwoerd foi morto pela própria ideologia e política que cultivou, apunhalado por um homem descontente por ter sido classificado como branco, o que o impedia de casar com uma namorada mestiça. Defensores da segregação racial lotaram as ruas acompanhando seu funeral – um evento bem mais adequado à presença de pessoas com a mentalidade da presidente que vem avançando com o apartheid no Brasil.

Leão Alves é médico e secretário geral do Movimento Nação Mestiça.

De Portal do Zacarias, 09/12/2013.

Os vídeos e os textos postados assinados por seus autores e os noticiosos e de outros sites lincados são de inteira responsabilidade dos mesmos não representando no todo ou em parte posicionamentos do Nação Mestiça. É autorizada a reprodução e publicação de textos deste site desde que citada a fonte. Mestiçofobia é racismo / Mestizofobia es racismo. Divulgue este site.

Posted in Artigos, Leão Alves, Português.