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Comunidade só de brancos luta para preservar segregação na Nação Arco-íris de Mandela

An all-white community less than an hour from South Africa's capital is fighting to hold on to a segregated life.

Uma comunidade só de brancos a menos de uma hora da capital da África do Sul está lutando para manter uma vida segregada.

F. Brinley Bruton, Staff Writer, NBC News

KLEINFONTEIN, África do Sul – Um enclave só de brancos a menos de uma hora da capital da África do Sul está lutando para manter uma vida segregada reminiscente da país anterior à vitória de Nelson Mandela sobre o regimen de apartheid.

“Nós sentimos que nossa cultura está ameaçada e nós desejamos protegê-la, nós desejamos nutri-la”, disse Marisa Haasbroek, uma escritora e mãe que serve como porta-voz voluntária para uma comunidade fechada denominada Kleinfontein.

Kleinfontein não esconde seus vínculos com o passado de divisão da África do Sul, nem sua desconfiança no país atual: em sua entrada há um busto de Hendrik Verwoerd, que é visto como o pai do apartheid.

Um cerca circunda seus quase 2.000 acres e guardas em fatigante policiamento na entrada da comunidade condenada com “racista” por alguns críticos. Entre as razões que Haasbroek e outros na cidade cooperativa citam para prenderem a si mesmos estão o alto índice de criminalidade e a institucionalização de ação afirmativa, que eles dizem resultam nas pessoas brancas ficarem paradas sem emprego e vaga em universidade.

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Antes de se mudarem para a cidade de cerca de 1.000 habitantes, os interessados devem abraçar os “valores centrais” da comunidade, que são ser um cristão protestante, um africâner – o grupo descendente dos colonizadores holandeses – e falar africâner baseado no holandês. Nenhum não-branco ou judeu vive ou trabalha nos seus limites.

Menos de 25 anos após o fim do regime de apartheid governado pelos brancos africâneres, Haasbroek disse que sua identidade específica estava sob ameaça.

“Meu filho é a décima geração com o nome Haasbroek na África do Sul”, disse ela.

“Nós não somos colonos. Nós temos estado aqui por gerações e gerações construindo as ruas, fazendo a infraestrutura”.

“E subitamente nós não nos sentimos mais bem vindos”, ela acrescenta.

Então os moradores de Kleinfontein resistiram e construíram uma comunidade que eles dizem que reflete sua herança. Os moradores têm que ser aprovados por um comitê. Todo o trabalho é feito por africâneres. Placas afirmando “Nós estamos aqui para ficar” em africâner marcam a propriedade.

Mas o assunto sobre quem é permitido viver em Kleinfontein — e quem é excluído — ofende muitos. Seus moradores são da mesma minoria branca que governou o país por décadas, impondo estrita segregação racial e oprimindo a majoritária população não-branca.

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Enquanto a comunidade tem existido no subúrbio de Pretoria desde 1992 – dois anos após o ícone anti-apartheid Mandela ter sido libertado da prisão e dois anos antes dos pretos terem obtido a permissão para votar – a crítica a ela aumentou recentemente.

Em maio último, um homem preto foi impedido de comprar uma casa lá. Manifestantes protestaram do lado de fora de seus portões e funcionários do governo iniciaram uma investigação da comunidade, afirmando que discriminação baseada em língua, raça e cor é ilegal.

Mas ao lado das críticas, tem havido simpatia.

Assinaturas para o seu jornal “Amigos de Kleinfontein” aumentaram 20 por cento nas últimas três semanas, disse Haasbroek. Pelo menos 10 pessoas comunicaram-se com a comunidade dizendo que eles desejam mudar para lá imediatamente.

“A impressão que nós temos de muitos africâneres é que eles apoiam nosso direito de viver da maneira que fazemos, mesmo que eles não desejem viver em nossa pequena e tranquila cidade”, disse Haasbroek.

Mas não é exatamente uma pequena e tranquila cidade.

Enquanto moradores dizem que eles simplesmente desejam preservar sua cultura e língua, críticos argumentam que a mera existência da comunidade é uma rejeição de Mandela e sua visão de uma nação não-racial.

“O fato é que há crianças crescendo lá e sendo doutrinadas com ideologia de ódio que pinta todas as pessoas pretas como criminosas, isto tem a ver comigo”, disse Czerina Patel, uma jornalista sul-africana que é diretora executiva da Yenza, uma instituição caritativa que trabalha com jovens em desvantagem.

“O subtexto é [se um não-branco] de idioma africâner desejar viver lá eles não permitirão”, ela acrescenta.

Moradores de Kleinfontein respondem às críticas dizendo que são eles que estão sendo espremidos para fora da “Nação Arco-íris” de Mandela”.

Johan Foley's home includes the old South African flag (left) and the old Transvaal province flag (right).

Johan Foley, um ex-gerente de banco, não enfeita suas palavras quando fala sobre por que ele mudou para Kleinfontein há cerca de 20 anos atrás.

“Nós estávamos apreensivos com os pretos”, disse Foley, 76.

“Toda vez que eles metem a mão em alguma coisa, fracassa, há problemas”, ele afirma. “Os brancos deram a eles roupas, uma educação”.

Foley disse que ele mudou para Kleinfontein após ele ter construído um “linda casa” em Nylstroom – rebatizada Modimolle pelo governo pós-apartheid.

“Achamos que algo estranho aconteceu – todos os lotes vazios da comunidade subitamente eles construíram com essas casa de 40 metros quadrados. Então nós descobrimos que eles venderam toda Nylstroom para pessoas pretas”, disse ele. “Naquele momento eu decidi que eu tinha que vender minha casa”.

Ele está entrincheirado e nunca irá embora, ele disse, porque sua visão de África do Sul está sendo arruinada.

“Desde 1994, desde quando os pretos governaram este país, tudo deu errado”, disse Foley.

A comunidade é uma sombra da antiga poderosa classe governante do país.

Tendas e casas móveis ficam em parte da propriedade – estes são africâneres que são muito pobres para cooperar, construir ou comprar uma das modestas casas de alvenaria que ponteiam a propriedade.

Identity documents of residents and past residents of Kleinfontein are posted on a wall in the security booth at the entrance to the town.

Uma sensação de crise aparece em qualquer conversa sobre o futuro. Numa eventual morte de Mandela – que conversou com a comunidade branca e indicou um africâner como seu secretário pessoal – as coisas irão provavelmente piorar, moradores dizem.

“(Mandela) conversou, mas eu não penso que seus seguidores ou o povo que veio depois têm o mesmo espírito”, afirma Haasbroek. “Por isso as pessoas estão apreensivas”.

E se os direitos dos africâneres não forem protegidos, as crianças de uma comunidade que o presidente sul-africano Jacob Zuma chamou de “única tribo branca” da África irá desaparecer, ela afirma.

“Eu não imagino que eles terão um futuro aqui. Eles terão empregos?” Haasbroek comenta sobre seus filhos. “Africâneres estão empobrecendo e empobrecendo. Eu posso embalar minhas coisas e fazer o que minha irmã fez e ir para a Austrália”.

“Meu marido é engenheiro, ele pode conseguir emprego em qualquer lugar”, ela acrescenta. “Mas e o meu povo?”

De Worldnews.com, 20/06/2013.

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