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Presidente da Libéria promete dupla cidadania para afrodescendentes brasileiros

A Libéria é um país que se originou do projeto dos EUA de enviar pretos e mulatos libertos para a África. Em 1822 chegaram os primeiros colonos e houve a fundação da atual capital do país, Monrovia (nome em homenagem ao ex-presidente dos EUA, James Monroe). Joseph Jenkins Robert, nascido no Estado da Virgínia e governador da comunidade dos libertos norte-americanos, proclamou a independência do país em 1847. Até 1884, o país foi governado apenas por presidentes nascidos nos EUA. Os americano-liberianos (os descendentes dos libertos) tornaram-se a minoria governante da Libéria, diante da maioria da população formada por etnias locais. Até 1951, apenas americano-liberianos podiam votar para governantes. Somente em 1980, após um golpe de Estado que tirou do poder o presidente Willian Tolbert, a Libéria foi governada por um presidente não americano-liberiano, Samuel Doe. Seu grupo étnico, Khran, porém, entrou em conflito com outras etnias e o país entrou em guerra civil. A atual presidente da Libéria foi ministra das Financas do ex-presidente Willian Tolbert e agora promete dupla cidadania aos afrodescendentes brasileiros. Para quê?

Na visita da presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, à Universidade do Estado da Bahia (UNEB), nessa terça-feira, dia 8 de abril, a estadista anunciou duas boas notícias para o povo baiano: a possibilidade de parceria com o país africano nas áreas de agricultura e energia (biodiesel), mineração e petróleo; e o passe livre a afrodescendentes brasileiros para aquisição de dupla cidadania na Libéria.

Johnson-Sirleaf, primeira e única mulher chefe de estado de um país africano, esteve no Museu de Ciência e Tecnologia (MC&T) da UNEB, em Salvador, para ministrar a palestra intitulada Brasil, Libéria, a Diáspora Africana e o Reconhecimento da Diáspora como Extensão do Continente pela União Africana.

Em sua fala, a presidente destacou a necessidade de ampliar o conceito de povo africano e da união afrodescendente para o fortalecimento do legado cultural da África. A atividade, promovida em parceria da UNEB com a Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade (Sepromi), integrou agenda da estadista no Brasil.

“Estamos convocando todos os descendentes africanos a contribuir e ajudar na reconstrução da Libéria e da família África. Agradeço os esforços daqueles que aqui desenvolvem políticas de proteção e capacitação dos afrodescendentes, saudando-os como bons cidadãos brasileiros”, afirmou a presidente da República da Libéria.

O reitor Lourisvaldo Valentim agradeceu a visita de Johnson-Sirleaf e destacou que a “honraria da presença da presidenta certamente irá trazer promissora parceria na área da educação com o país africano”. O reitor lembrou ainda que a liderança da universidade no oferecimento de cotas para negros e nas diversas ações de inclusão sociorraciais devem também beneficiar o povo liberiano.

“A visita pessoal da chefe de estado à UNEB torna mais fácil as conversações para que possamos oferecer cursos de capacitação e qualificação e realizar intercâmbio de professores e estudantes com as universidades desse país africano”, observou o reitor.

De acordo com a vice-reitora Amélia Maraux, a estadista traz à UNEB uma nova oportunidade para “as discussões sobre a equidade dos espaços de poder no Brasil e sobre o fortalecimento da luta feminista na Bahia”.

Além do reitor Valentim e da vice-reitora Amélia, anfitriãos do encontro, e da presidente da Libéria, a mesa de abertura da palestra foi composta pela secretária da Sepromi, Luiza Bairros, pela presidente do Conselho Estadual de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), Wilma Reis, e pela etnolinguista e professora do Programa de Pós-Graduação em Estudo de Linguagens (PPGEL) da UNEB, Yeda Pessoa.

Também prestigiaram o evento a pró-reitora de Extensão (Proex) da UNEB, Adriana Marmori, o diretor do MC&T, Jorge Teixeira, uma comitiva com ministros do governo liberiano, além de lideranças negras e religiosas e representantes de movimentos sociais e da comunidade acadêmica.

Nova família África

Defensora das nações africanas e da proteção e valorização da diversidade das expressões culturais e linguísticas do mundo negro, a estadista liberiana encontrou na UNEB um ambiente apropriado para expor sobre o potencial do povo afrodescendente brasileiro.

Jonhson-Sirleaf destacou o Brasil como um dos futuros líderes no cenário econômico e político internacional, legado que, conforme a estadista, foi conquistado “com o trabalho de milhões de africanos que foram escravos aqui neste país”.

A presidenta disse que sua missão agora é unir as forças internas (nações africanas) e externas (afrodescendentes em todo o mundo), “abrindo a porta do país para todos os irmãos espalhados pelo mundo”.

Luiza Bairros endossou as palavras da estadista, ressaltando a necessidade de reforçar os laços com o Brasil para “promover e fortalecer a existência do povo africano através do desenvolvimento da nação liberiana”.

Ao final do encontro, Ellen Johnson-Sirleaf recebeu uma lembrança da UNEB, entregue pelo estudante do curso de Letras Vernáculas da instituição, o angolano Imissa Gómez, que integra um programa de intercâmbio da universidade.

Embora Johnson-Sirleaf já tenha visitado a Bahia há cerca de 30 anos, essa é sua primeira visita como presidente da República ao país e ao estado, onde teve encontros com autoridades do governo estadual e do município e com empresários. Seu mandato teve início em 2006 e se estenderá até 2011.

Com nova redação a partir de texto de Universidade do Estado da Bahia – UNEB, 09/04/2010.

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2 Responses

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  1. Claudio says

    Essa presidente é da casta afro-americana que governa o país. Ela quer brasileiros lá para manter a casta no poder.

  2. Walkennedy says

    Bom seria se toda nação se unisse com o propósito educaçional! O mundo seria diferente, pena que muitos só buscam interesse próprios e não coletivos.espero um dia um mundo de pessoas honestas, que não se vendam por qualquer que seja a quantia oferecido ou por poder! Bonita atitude da presidente Johnson sirleaf.
    Walkennedy.



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