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“Pagando pode dar o Brasil inteiro”: o branco-indigenismo petista chega ao ruralismo – Leão Alves

Architects_of_apartheidA oposição de determinados líderes ruralistas à criação de territórios indígenas não vai além do financeiro e não enfrenta o racismo petista

O noticiário sobre conflitos de terra entre índios e produtores rurais leva muitos a imaginarem que haja uma oposição ruralista geral ao indigenismo que foi implantado no país e que tem provocado segregação étnica e racial entre brasileiros. Não é esta a realidade.

O indigenismo que vem sendo promovida no Brasil e em outros países latino-americanos com financiamento e apoio político de ONGs e de outras instituições, inclusive governamentais, da Holanda, da Grã-Bretanha, da Noruega, de outros países europeus, e dos EUA, visa criar para os índios territórios étnicos e raciais segregados, assemelhados aos bantustões sul-africanos implantados à época do regime do apartheid.

É o branco-indigenismo desenvolvido pelo holandês Hendrik Verwoerd, o “arquiteto do arpartheid”, que visava estabelecer na África do Sul uma rigorosa divisão étnica e racial entre brancos e indígenas: na África do Sul, entre brancos, indígenas pretos e mestiços; na sua versão brasileira, entre índios e “homens brancos” (expressão que no Brasil também serve para ocultar os mestiços, um povo nativo).

Verwoerd, antes de se tornar primeiro-ministro, foi ministro de Assuntos Nativos, cargo correspondente a presidente da Funai no Brasil atual. Nesta oportunidade, começou a implantar sua política de promoção da diversidade.

Os objetivos do branco-indigenismo, foram, entre outros, evitar a mestiçagem e preservar a supremacia branca – no caso da África do Sul, da minoria africâner, formada por descendentes de holandeses, e dos brancos descendentes de ingleses.

Porém, não houve, como muitos pensam (pois isto não é muito divulgado), somente brancos que apoiaram territórios exclusivos para indígenas na África do Sul; também houve líderes pretos que apoiavam o apartheid e defendiam a preservação dos bantustões, como Mangosuthu Buthelezi, da nobreza africana, que foi primeiro ministro do bantustão de KwaZulu. No bantustão de Bophuthatswana, seu presidente, o enriquecido Lucas Mangope, opôs-se a que fossem realizadas neste território indígena as eleições não-raciais de 1994, que elegeram Nelson Mandela.

Se no verwoerdismo o objetivo era preservar os brancos contra a mestiçagem, e a hegemonia dos africâneres, na América Latina, porém, o branco-indigenismo tem um aspecto a mais: o entreguismo. Na América Latina diversas nações têm sua identidade e unidade baseadas na mestiçagem; combater a mestiçagem faz parte de um projeto maior de eliminação da nacionalidade do povo e do Estado nacional, e por consequência, da soberania e da democracia.

Há meio aos ruralistas aqueles que parecem estar pouco ou nada interessados nestas implicações do branco-indigenismo petista. Para estes, é uma simples questão de indenizações, que tem expressão lapidar na declaração da senadora branca Kátia Abreu, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA),

”Se o Governo Federal quiser dar terra para os índios, não há nenhum problema: compre as terras, desaproprie terras dos produtores, de quem quer que seja; pode dar o Brasil inteiro. Mas compre; desaproprie e pague; indenize quem é o dono da terra”.

A posição da senadora não é isolada. Nem todos os produtores rurais, porém, concordam com o governo usar dinheiro público para criar bantustões e já perceberam que isto não terá fim, exceto se houver uma oposição que não seja casual, que enfrente a natureza ideológica dessa política. Para isso, porém, é necessário enfrentar o próprio petismo, pois o PT não é branco-indigenista por acaso: ele nasceu com esta finalidade. Seus líderes sabem que, abandonando esta linha, os grupos que criaram o petismo irão arranjar um substituto para fazer o trabalho – e não faltam Marinas Silvas e Heloísas Helenas.

Não sou produtor rural; pelo que me lembre, a única semente que plantei e virou uma árvore foi a de um abacateiro que está em meu pequeno quintal e que até hoje não deu um único fruto (deveria ter plantado um jambeiro). Meu interesse está em alertar para o fato desta questão ir muito além da questão fundiária.

A PEC 215, que visa passar pelo Congresso Nacional os processos de criação dos bantustões brasileiros, é um avanço em relação à situação atual, mas não é suficiente. A criação de bantustões é imoral, seja na África do Sul, seja na Namíbia, seja no Brasil, seja qual for o nome dado a estes territórios de segregação. É preciso reconhecer como racistas ideologias que pregam isolamentos étnicos e raciais entre nacionais brasileiros.

Leão Alves é secretário geral do Movimento Nação Mestiça.

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Posted in Apartheid no Brasil, Mestiçofobia | Desmestiçagem, Multiculturalismo, Português, Povo Mestiço, Racismo petista, Verwoerdismo | Indigenismo.

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5 Responses

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  1. Leão says

    Gabriel,

    O NM defende a mestiçagem nacional e os mestiços. Eu, pessoalmente, sou contra a expulsão também de pessoas que se identificam como negras e que estão sob o risco de limpeza étnica pelo branco-indigenismo nas criações de territórios segregados para índios. Você tem informação de algum movimento negro que tenha se posicionado contra os bantustões petistas e contra a expulsão dos negros?

  2. Leão says

    Marco,

    Eu não sou porta-voz do Nação Mestiça, por isso minhas opiniões são apenas minhas.

    A “monocultura latifundiária exportadora” não seria um problema se ela não fosse exportadora?

    O que você pensa sobre os possíveis interesses do agronegócio e da mineração de países europeus e dos EUA neste assunto?

    Sua preocupação é com os índios em si, enquanto seres humanos e nacionais, ou somente com as culturas índias?

    Centralizar a questão dos índios num conflito ‘índios x ruralistas’ é uma estratégia do branco-indigenismo no Brasil para evitar a questão dos mestiços o que, inclusive, é bom para certos grupos ruralistas – há ruralistas na base do governo petista – que também ficam incomodados com a questão mestiça.

    Também agrada ao petismo, pois reduz a questão à economia, seguindo a cartilha marxista.

    Eu, pessoalmente, sou a favor que o Brasil tenha uma agricultura poderosa, avançada, que beneficie todo o povo brasileiro, e não me parece que isto seja incompatível com a preservação da identidade étnica dos índios. Eu sou contra a mentalidade anti-nacional e entreguista do petismo e de certos ruralistas.

  3. Oiticica says

    VOCÊS DOIS ESTÃO DEFENDENDO APARTHEID ?

  4. Gabriel says

    Acho que não existe nenhuma ideia pois…

    “O Nação Mestiça, ou Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro, é uma organização brasileira de mestiços que tem por objetivo defender os interesses desse segmento…”

  5. Marco says

    Queria saber qual a idéia do movimento para defender as culturas indígenas territorializadas do avanço da monocultura latifundiária exportadora e da mineração ?



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