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Marechal José Pessoa e Brasília – Ernesto Caruso

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…sem ele, talvez o processo tivesse sido cortado e postergado a um outro momento…  Cláudio Queiroz

A construção de Brasília é a consolidação do desbravamento dos Bandeirantes, da exitosa ocupação militar da fronteira e da marcha para o oeste, a coincidir o centro do poder ao centro geográfico do território brasileiro.

Concretização do pensamento estratégico do passado focado nas questões de defesa, que afastando a sede de governo do litoral, o preservava das ações já vividas por ocasião das invasões estrangeiras, bem como nas necessidades de crescimento e desenvolvimento do interior em busca de maior equilíbrio regional e ocupação dos vazios demográficos. Uma lição para a ocupação da Amazônia.

Passados cinquenta anos da sua inauguração, comemorações à parte e exaltação à vontade férrea do seu construtor, presidente da República, Juscelino Kubitschek, dos seus arquitetos Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, não se pode olvidar a participação de alguns militares desde a inserção do registro constitucional de 1891, no seu Art. 3º, (Fica pertencendo à União, no planalto central da República, uma zona de 14.400 quilômetros quadrados, que será oportunamente demarcada para nela estabelecer-se a futura Capital federal.), emenda apresentada pelo engenheiro militar Lauro Sodré, a nomeação pelo Marechal Floriano Peixoto da comissão presidida por Luiz Cruls que a demarcou, a criação da Comissão de Localização da Nova Capital Federal por Getúlio Vargas, presidida pelo Gen Agnaldo Caiado de Castro, que posteriormente é substituído pelo Marechal José Pessoa, já sob a presidência da República de Café Filho.

Como registra a História, José Pessoa e seu ajudante de ordens, Cap Ernesto Silva, reconheceram a área, resultando desse trabalho, rico e minucioso estudo, com sugestão de nome e esboço com as formas que lá estão edificadas no concreto, nas vias e nas superquadras, apresentado de forma pormenorizada na reportagem do jornalista Alexandre Garcia, como se pode comprovar em: http://www.youtube.com/watch?v=DVWfZdLuUqk&eurl=http://www.eltheatro.com/destaque16.htm

As minúcias engrandecem a obra, e o destacam como “precursor do planejamento de Brasília”, inspirador do projeto vencedor, posto em prática, e esquecido como genial autor. Suficiente comparar e comprovar.

O abastecimento das águas advindas do Rio S. Bartolomeu, rede de esgoto, da energia gerada a partir do Rio Corumbá, loteamento, quadras, “tesourinhas”, orçamentos, o “eixão” e o lago, hoje Paranoá, requinte de beleza, aprimoramento da natureza, moldura de mansões, cenário de pinturas e fotos, presença humana, praia, banho de sol, lanchas, jet ski, em uma cidade, que será (?), não lhe devota um monumento, uma placa, um nome.  

O marechal José Pessoa é uma das pessoas que, sem ele, talvez o processo tivesse sido cortado e postergado a um outro momento, porque ele desempenhou um período fundamental da implantação da nova capital e da perspectiva da realização efetiva, quero dizer, de tornar real. (professor da UNB, Arquiteto Cláudio Queiroz)

Nos telejornais, com assistência fiel e audiência elevada não vi referências ao nome do insigne militar, mas que merece sem dúvida a nossa continência e o respeito da sociedade ao seu trabalho, como cidadão e soldado.

Ernesto Caruso, 21/04/2010.

Artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam no todo ou em parte opiniões ou posicionamentos do Nação Mestiça.

Um basta coerente – Ernesto Caruso

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