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Jacintha Saldanha, enfermeira, se matou por causa da ‘vergonha’

O que levou uma enfermeira experiente, mãe de família, ao suicídio?  Essa é uma pergunta que muitas pessoas devem está procurando a resposta. Todos que já ouviram falar sobre o caso de Jacintha Saldanha, 46 anos, sabem que ela não cometeu nenhum erro que justificasse um fim tão triste.
No dia 4 de dezembro Jacintha estava no seu plantão, no Hospital King Edward VII, em Londres, quando dois radialistas australianos resolveram passar um trote para conseguir informações sobre Kate Middleton, a duquesa de Cambridge, que estava internada com enjoos de gravidez, e Jacintha só repassou informações por ter certeza que estava falando com a rainha da Inglaterra, mas quando descobriu que foi enganada a enfermeira se enforcou.
A colunista Lúcia Guimarães, do Estadão, entrevistou um especialista que falou sobre o caso. O filósofo Kwame Anthony Appiah disse que  a vergonha e orgulho são emoções centrais da honra. “Se podemos, de fato, partir de um reconhecimento de que a enfermeira se suicidou porque sentiu vergonha, é preciso levar em conta o seguinte: o objetivo desses trotes de rádios é desonrar pessoas com sua exposição ao ridículo. Muita gente tem prazer em assistir aos outros perdendo a dignidade, esse é também o motor da reality TV. E isso mostra que carecemos de sensibilidade sobre a importância de respeitar a honra e a dignidade alheia. A enorme relutância em regular o comportamento da mídia é um sinal disso. Eu não defendo, de forma alguma, criminalizar o comportamento dos radialistas. Mas é preciso que haja uma conversa pública sobre o assunto. Se lutamos pela liberdade de expressão, devemos também lutar pela responsabilidade da mídia, que tem enorme poder, para exercer essa liberdade. Afinal, que chance tinha a enfermeira, diante dos poderes que enfrentou?”  argumentou o professor.
Appiah disse ainda que: “a enfermeira foi envergonhada pelo trote. Ela não fez nada moralmente errado porque estava convencida de que era a rainha do outro lado da linha, e sua obrigação era passar a chamada. Então, sua vergonha teve origem no engano. Ser enganado não é uma ofensa moral. Honra e vergonha são mecanismos usados para reforçar normas sociais. Há duas conexões importantes entre honra e moralidade. Primeiro, desonrar pessoas causa prejuízo moral; e quando a honra corre paralela à moralidade, as pessoas tendem a agir pelo bem comum.”
Momento Verdadeiro| Com informações da colunista Lúcia Guimarães do Estadão.

O que levou uma enfermeira experiente, mãe de família, ao suicídio?  Essa é uma pergunta que muitas pessoas devem está procurando a resposta. Todos que já ouviram falar sobre o caso de Jacintha Saldanha, 46 anos, sabem que ela não cometeu nenhum erro que justificasse um fim tão triste.

No dia 4 de dezembro Jacintha estava no seu plantão, no Hospital King Edward VII, em Londres, quando dois radialistas australianos resolveram passar um trote para conseguir informações sobre Kate Middleton, a duquesa de Cambridge, que estava internada com enjoos de gravidez, e Jacintha só repassou informações por ter certeza que estava falando com a rainha da Inglaterra, mas quando descobriu que foi enganada a enfermeira se enforcou.

A colunista Lúcia Guimarães, do Estadão, entrevistou um especialista que falou sobre o caso. O filósofo Kwame Anthony Appiah disse que  a vergonha e orgulho são emoções centrais da honra. “Se podemos, de fato, partir de um reconhecimento de que a enfermeira se suicidou porque sentiu vergonha, é preciso levar em conta o seguinte: o objetivo desses trotes de rádios é desonrar pessoas com sua exposição ao ridículo. Muita gente tem prazer em assistir aos outros perdendo a dignidade, esse é também o motor da reality TV. E isso mostra que carecemos de sensibilidade sobre a importância de respeitar a honra e a dignidade alheia. A enorme relutância em regular o comportamento da mídia é um sinal disso. Eu não defendo, de forma alguma, criminalizar o comportamento dos radialistas. Mas é preciso que haja uma conversa pública sobre o assunto. Se lutamos pela liberdade de expressão, devemos também lutar pela responsabilidade da mídia, que tem enorme poder, para exercer essa liberdade. Afinal, que chance tinha a enfermeira, diante dos poderes que enfrentou?” argumentou o professor.

Appiah disse ainda que: “a enfermeira foi envergonhada pelo trote. Ela não fez nada moralmente errado porque estava convencida de que era a rainha do outro lado da linha, e sua obrigação era passar a chamada. Então, sua vergonha teve origem no engano. Ser enganado não é uma ofensa moral. Honra e vergonha são mecanismos usados para reforçar normas sociais. Há duas conexões importantes entre honra e moralidade. Primeiro, desonrar pessoas causa prejuízo moral; e quando a honra corre paralela à moralidade, as pessoas tendem a agir pelo bem comum.”

De Momento Verdadeiro, 16/12/2012, com informações da colunista Lúcia Guimarães do Estadão.

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