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O conflito racial entre hutus e tutsis e o genocídio multiculturalista de Ruanda

O conflito entre hutus e tutsis ocorreu principalmente na área dos atuais Ruanda e Burundi, pequenos países localizados no oeste da África. Em apenas cem dias, cerca de 800.000 pessoas foram massacradas pelo ódio racial alimentado por brancos europeus promotores do multiculturalismo – ideologia que no Brasil se manifesta na criação de bantustões indigenistas, imigrantismo, cotas raciais e hostilidade a mestiços e à mestiçagem.

O primeiro povo a habitar essa área de que se tem registro foram os twa. Por volta do séc. XIV a área foi conquistada pelos hutus, provenientes da bacia do rio Congo, que difundiram sua cultura para os twa. No século seguinte os tutsis, uma etnia originada nas cercanias do rio Nilo, invadem também a região, submetendo os hutus à servidão e estabelecendo um reino organizado num sistema feudal e baseado na crença racista da superioridade dos tutsis sobre os hutus.

Em Ruanda praticamente não se davam casamentos entre as duas etnias/castas, os quais eram mais comuns em Burundi. Neste o governo ficava nas mãos do rei, o “mwami”, que provinha de várias famílias nobres, as “ganwa”, conforme o jogo político.

Em Burundi os hutus também tinham maior liberdade econômica do que em Ruanda. Já neste país o poder do rei, o “mwami”, era absoluto e ele era apoiado por um sistema de vassalagem-suserania, pelo qual eram divididos os domínios. Neste sistema, chamado “ubuhake”, os hutus ficavam completamente subjugados política e economicamente aos tutsis.

Por volta de 1880, brancos europeu chegam à área e Ruanda e Burundi são incorporados à África Oriental Alemã. Os tutsis tornam-se colaboracionistas dos alemães e depois dos belgas que passam a ocupar a área durante a I Guerra Mundial (1914-1918). A Liga das Nações concede estes territórios à Bélgica, passando a se denominar Território de Ruanda-Urundi.

Missionários brancos cristãos, católicos e protestantes, durante todo o domínio europeu trabalham junto às populações locais servindo, intencionalmente ou não, como agentes de uma força ideológica desestabilizadora do sistema de casta. Ainda que tendo os tutsis como intermediários de sua dominação sobre os hutus, o governo branco belga se vê constrangido, em 1958, a forçar o governo tutsi de Ruanda a desmontar o “ubuhake”. No ano seguinte os hutus revoltam-se e o governante tutsi e cerca de 200.000 tutsis fogem do país.

Em 1.º de julho de 1962, Ruanda torna-se independente tendo no poder o presidente hutu Grégoire Kayibanda. No mesmo dia, Burundi torna-se independente, porém sob o governo monárquico do rei tutsi Mwami Mwambutsa IV.

Multiculturalismo causa genocídio em Ruanda

As diferença entre tutsis e hutus era mínima e foram artificialmente criada por multiculturalistas brancos belgas em uma tentativa de exercer melhor controle sobre a região através de um sistema de castas sociais.

Em 1989, o preço mundial do café reduziu-se em 50%, e Ruanda perdeu 40% de sua renda oriunda de exportações. Nessa época, com a economia a beira do colapso, o país enfrentou sua maior crise alimentar em 50 anos, ao mesmo tempo que aumentavam os gastos militares em detrimento de investimentos em infraestrutura e serviços públicos.

Em outubro de 1990, a Frente Patriótica Ruandesa, composta por exilados tutsis expulsos do país pelos hutus com o apoio do exército, invade Ruanda pela fronteira com Uganda. Em 1993, os dois países firmam um acordo de paz – o Acordo de Arusha. Cria-se em Ruanda um governo de transição, mediado pela ONU, composto por hutus e tutsis.

Em 1994, as tropas hutus, chamadas Interahamwe, são treinadas e equipadas pelo exército ruandês, em meio a arengas e incitação à confrontação com os tutsis por parte da Radio Télévision Libre de Mille Collines (RTLM), dirigida pelas facções hutus mais extremas. Essas mensagens exaltavam as diferenças que separavam ambos os grupos étnicos e, à medida que os ânimos se exaltavam, os apelos à confrontação e à “caça aos tutsis” tornaram-se mais explícitos, sobretudo a partir do mês de abril, em que se fez circular o boato de que a minoria tutsi planejava o genocídio dos hutus.

De acordo com a jornalista britânica Linda Melvern, que teve acesso a documentos oficiais, o genocídio foi planejado. No início da carnificina, a tropa ruandesa era composta por 30.000 homens (um membro por cada dez famílias) e organizados por todo o país com representantes em cada vizinhança. Alguns membros da tropa podiam adquirir fuzis de assalto AK-47 tão somente preenchendo um formulário de demanda. Outras armas, tais como granadas, nem sequer requeriam esse trâmite e foram generosamente distribuídas.

O genocídio teria sido financiado, pelo menos parcialmente, com o dinheiro apropriado de programas internacionais de ajuda, tais como o financiados pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional como Programa de Ajuste Estrutural. As armas vinham principalmente do governo hutu do país, que as havia adquirido de nações ocidentais (especialmente a França) e, principalmente, de outras nações em desenvolvimento (como o Egito). Estima-se que 134 milhões de dólares foram gastos na preparação do genocídio em Ruanda — uma das nações mais pobres da terra — sendo que 4,6 milhões de dólares foram gastos somente em facões, enxadas, machados, lâminas e martelos. Estima-se que tal despesa permitiu a distribuição de um novo facão a cada três varões hutus.

Segundo Melvern, o primeiro-ministro de Ruanda, Jean Kambanda, revelou que o genocídio foi discutido abertamente em reuniões de gabinete, e uma ministra teria dito que ela era “pessoalmente a favor de conseguir livrar-se de todo os tutsis: sem os utsis todos os problemas de Ruanda desapareceriam”.

Na década de 1960, seguindo o processo de descolonização do pós-Segunda Guerra, o território ruandês foi deixado pelos belgas. Em quase meio século de dominação e promoção da diversidade racial e étnica, o ódio entre as duas etnias transformara aquela região em uma bomba prestes a explodir. Cercados por uma série de problemas, a maioria hutu passou a atribuir todas as mazelas da nação à população tutsi.

Pressionados pelo revanchismo, os tutsis abandonaram o país e formaram imensos campos de refugiados em Uganda. Mesmo acuados, os tutsis e alguns hutus moderados se organizaram politicamente com o intuito de derrubar o governo do presidente Juvenal Habyarimana e retornar ao país. Com o passar do tempo, esta mobilização deu origem à Frente Patriótica Ruandense (FPR), liderada por Paul Kagame.

Na década de 1990, vários incidentes demarcavam a clara insustentabilidade da relação entre tutsis e hutus. No ano de 1993, um acordo de paz entre o governo e os membros do FPR não teve forças para resolver o conflito. O ponto alto dessa tensão ocorreu no dia 6 de abril de 1994, quando um atentado derrubou o avião que transportava o presidente Habyarimana. Imediatamente, a ação foi atribuída aos tutsis ligados ao FPR.

Na cidade de Kigali, capital da Ruanda, membros da guarda presidencial organizaram as primeiras perseguições contra os tutsis e hutus moderados que formavam o grupo de oposição política no país.

Em abril de 1994, o presidente ruandês Juvénal Habyarimana, um hutu, foi morto em um atentado contra o seu avião em que viajava. Logo no dia seguinte, o genocídio começou. Sem apresentar provas, as lideranças hutus acusaram os tutsis pelo assassinato do presidente e conclamaram a população a iniciar a matança. Horas depois, as milícias hutus já avançaram contra vilarejos e cidades por todo o país, matando tudo que viam pela frente. Postos de controle foram estabelecidos nas ruas. Pessoas identificadas como membros da minoria tutsi eram sumariamente executados.

O massacre sistemático no país contra os tutsis causou um deslocamento maciço da população para os campos de refugiados situados nas áreas de fronteira, em especial com o Zaire (hoje República Democrática do Congo) e Uganda. Em agosto de 1995, tropas do Zaire tentaram forçar o retorno desses refugiados para Ruanda. Catorze mil pessoas foram então devolvidas a Ruanda, enquanto outras 150.000 refugiaram-se nas montanhas.

Mais de 500 000 pessoas foram massacradas entre 7 de abril e 15 de julho de 1994 (algumas fontes dizem até 1 milhão de pessoas teriam sido mortas). Quase todas as mulheres foram estupradas. Muitos dos 5 000 meninos nascidos dessas violações foram assassinados.

O genocídio só terminou quando a Frente Patriótica Ruandesa derrotou o governo e se instalou definitivamente no poder. Até os dias atuais, o massacre deixa um profundo legado em Ruanda. O país segue enfrentando problemas étnicos e religiosos, ao mesmo tempo que sofre com dificuldades econômicas e corrupção, gerando extrema pobreza entre a população.

Muitos hutus ajudaram os tutsis a escapar das perseguições. Um caso notório foi o do gerente do Hotel Mille Collines, em Kigali, que foi responsável pela salvação de 1 268 tutsis e hutus, abrigando-os no hotel. Paul Rusesabagina ficou mundialmente conhecido ao ser retratado no filme Hotel Ruanda. Rusesabagina, hoje residente na Bélgica, afirma que, se não forem tomadas posturas duras contra o tribalismo em Ruanda, o genocídio poderá voltar a ocorrer, agora pelas mãos dos tutsis, “governantes” do país desde o fim da matança.

Posted in Multiculturalismo, Português.


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