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Motorista sofre preconceito na imprensa após ser acusado de expulsar índio de ônibus

Um motorista de uma empresa goiana de transporte de passageiros foi acusado por um autodeclarado índio xavante de tê-lo obrigado a sair do ônibus meio à estrada e proferido injúrias contra este. Diversos jornais anunciaram o episódio segundo a versão do índio, até o motorista apresentar vídeos que confirmam sua versão.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgou nesta quarta-feira (8) dois vídeos que devem corroborar a versão do motorista acusado por um índio xavante de tê-lo abandonado durante uma viagem interestadual por preconceito. As imagens, gravadas por um passageiro, mostram o índio Sancler Towara Tsorote discutindo com pelo menos uma pessoa dentro do ônibus, trocando ameaças e pedindo para sair do veículo.

No primeiro vídeo, de 51 segundos, Sancler aparece indicando aonde quer ser deixado. “Aí, motorista, quero descer aí”, diz, complementando que faria o resto do trajeto a pé. Em seguida, ele diz a um dos passageiros: “Eu vou te achar em Goiânia. Sabendo que tu vai estar em Goiânia, uma hora eu te bato de frente [SIC].”

A pessoa com quem ele aparentemente teve uma discussão retruca: “Nós se vê por lá [SIC]”, ao que Sancler responde: “Lá é minha área, rapaz”, pouco antes de descer do ônibus. Quem registra as cenas anuncia: “Só lembrando, galera, que ele pediu para descer por livre e espontânea vontade, tá bom?”

O outro vídeo, de cerca de 10 segundos, mostra o xavante caminhando enquanto o ônibus passa por ele. Ele arremessa um objeto contra o veículo antes de a gravação ser encerrada.

Depoimento

As imagens condizem com as declarações do motorista do ônibus que prestou depoimento na noite desta terça (7) à PRF e afirmou que o índio teria discutido com passageiros e saído por vontade própria. Ele foi acusado por Sancler de tê-lo abandonado afirmando que “lugar de índio é na aldeia”.

Na terça-feira (7), Sancler procurou o posto da PRF na BR-153, em Morrinhos, relatando que havia sido expulso pelo motorista depois de ter embarcado em Belo Horizonte (MG) com destino a Goiânia, de onde seguiria para Barra dos Garças (MT), onde mora. Segundo informou à polícia, sem nenhum motivo aparente, o condutor teria parado o veículo na beira da rodovia, pedido para olhar a passagem dele e afirmado que o bilhete era falso, bem como sua carteira de passe livre, emitida pelo Ministério dos Transportes.

O índio contou ainda que, depois de ser acusado de usar a documentação falsa, desceu do ônibus com sua bagagem e seguiu a pé até o posto da PRF onde pediu ajuda. Segundo seu relato, o motorista exigiu que ele descesse do ônibus dizendo que “lugar de índio é na aldeia”.

A versão do índio foi tomada como verdadeira por diversos meios de comunicação. Uma reportagem de TV, encerra com um “desabafo” do índio (vídeo abaixo):

A versão foi contestada pelo próprio motorista em esclarecimento prestado à PRF na noite desta terça. Ele alegou que por volta das 6h30, após uma parada em Goiatuba, todos os passageiros haviam embarcado quando o índio o procurou para informar que gostaria de descer do ônibus. O motorista, então, teria solicitado a presença de algumas testemunhas, para que se resguardasse, entretanto, o índio desistiu do pedido, quando ingressou no ônibus e seguiram viagem para Goiânia.

Segundo a PRF, o motorista informou que após percorrer aproximadamente 5 quilômetros o índio começou a se debater e a incomodar diversos passageiros e que, ao aproximar-se de Morrinhos, começou a implorar para descer. O motorista teria pedido para que aguardasse, pois o deixaria no posto da PRF. Entretanto, como o índio estava em uma forte discussão com outro passageiro, ele optou por parar o ônibus no trevo de acesso a Morrinhos, quando Sancler desceu, pegou um objeto o lançou no ônibus, sem causar danos, conforme registrado no vídeo.

De acordo com a PRF, as imagens por si só não permitem a conclusão de que o índio cometeu uma falsa notificação de crime. “Não sabemos o que ocorreu dentro do ônibus e o que levou o indígena a agir assim. Além disso, conforme dito, o ideal não é abandonar passageiros na rodovia, independente de ser indígena ou não. A Polícia Civil irá apurar”, afirmou o assessor da corporação, inspetor Fabrício Rosa.

A investigação do caso está a cargo da PC de Morrinhos.

Com informações de Mais Goiás, 08/02/2017.

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