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Kalergismo: a miscigenação sem mestiçagem e sem Nação

Na mestiçagem, a miscigenação conduz à unificação racial e étnica da Nação, fortalecendo sua soberania e preservação. É o fundamento da identidade brasileira e de de diversas Nações latino-americanas. No Kalergismo, porém, a miscigenação é promovida buscando pulverizar identidades e nações e subordiná-las a uma casta governante globalista neoliberal e esquerdista. 

Richard Nikolaus Eijiro, conde de Coudenhove-Kalergi, nasceu em 16 de novembro de 1894. Foi político e filósofo e pioneiro do projeto político de “integração” europeia. Foi presidente fundador da União Paneuropéia por 49 anos, que seria a base ideológica preliminar da União Europeia.

Era filho de Heinrich von Coudenhove-Kalergi, um diplomata austro-húngaro com origem na nobreza européia, e de Mitsuko Aoyama, japonesa convertida ao Catolicismo Romano, filha de um comerciante de petróleo, antiquário e grande proprietário de terras em Tóquio. Em 1919, tornou-se cidadão da então Tchecoslováquia, país formado por dois povos de etnias diferentes – checos e eslovacos – e que se dividiu posteriormente em dois países.

Coudenhove-Kalergi, mais conhecido simplesmente como Kalergi, obteve seu doutorado em Filosofia, em 1917, na Universidade de Viena, com uma tese Objetivität als Grundprinzip der Moral (Objetividade como Princípio Fundamental da Moral).

Durante seus anos de estudante, Coudenhove-Kalergi casou-se com uma famosa atriz vienense, Ida Roland, em abril de 1915. Seu casamento com uma divorciada treze anos mais velha e plebéia causou uma divisão temporária com sua família. Sua mãe Mitsuko não aceitou Ida, considerando-a uma “mendiga vivendo na margem do rio”. Sua mãe, como chefe da família, o excluiu temporariamente da família, mas recuou quando Coudenhove-Kalergi se tornou famoso por seu conceito pan-europeu.

Coudenhove-Kalergi viria a casar-se mais duas vezes: com Alexandra Gräfin von Tiele-Winkler e com Melanie Benatzky-Hoffmann.

O primeiro livro de Coudenhove-Kalergi, Pan-Europa, foi publicado em 1923, e continha uma forma de adesão para o movimento Pan-Europa, que realizou seu primeiro congresso em Viena, em 1926. Entre as celebridades que participaram dos congressos de Pan-Europa estavam os brancos judeus Albert Einstein e Sigmund Freud e o mulato Thomas Mann.

Coudenhove-Kalergi defendia a social-democracia como uma melhoria da “aristocracia feudal da espada” a fim de criar uma sociedade que substituísse a democracia por uma “aristocracia social do espírito”. Entre suas influências intelectuais estavam Rudolf Kjellén, Oswald Spengler, Arthur Schopenhauer e Friedrich Nietzsche.

Era um partidário entusiasta dos “quatorze pontos” feitos por Woodrow Wilson, em 8 de janeiro de 1918, e iniciativas pacifistas de Kurt Hiller.

Em 1923, ele publicou um Manifesto intitulado Pan-Europa, cada cópia contendo um formulário de adesão que convidava o leitor a tornar-se membro do movimento Pan-Europa.

De acordo com sua autobiografia, no início de 1924, seu amigo Barão Louis de Rothschild apresentou-o a Max Warburg, que se ofereceu para financiar seu movimento para os próximos 3 anos, dando-lhe 60.000 marcas de ouro. Warburg permaneceu interessado no movimento pelo resto de sua vida e serviu como intermediário para Coudenhove-Kalergi com influentes americanos como o banqueiro Paul Warburg e o financista Bernard Baruch.

Em 1926, o primeiro Congresso da União Pan-Europeia foi realizado em Viena e os 2.000 delegados elegeram Coudenhove-Kalergi como presidente do Conselho Central, posição que ocupou até sua morte.

Ideologia

Em 1925, Kalergi publica Praktischer Idealismus, ironicamente o mesmo ano em que é publicado Mein Kampf, de Adolf Hitler.

Coudenhove-Kalerg planejava um mundo dividido em apenas cinco estados: um Estados Unidos da Europa que ligaria os países continentais com as possessões francesas e italianas em África; uma União Pan-Americana que abarcaria as Américas do Norte e do Sul; a comunidade britânica, que circundaria o globo; a URSS, atravessando então a Eurásia; e uma União Pan-Asiática pela qual o Japão e a China controlariam a maior parte do Pacífico.

Para ele, a única esperança para uma Europa devastada pela guerra era federar-se ao longo das linhas que o romeno de origem húngara Aurel Popovici e outros propuseram para o Império multinacional dissolvido da Áustria-Hungria. Segundo Coudenhove-Kalergi, a Pan-Europa abrangeria e estenderia uma Áustria-Hungria mais flexível e mais competitiva, com o inglês como língua mundial, falada por todos, além de sua língua nativa.

Kalergi acreditava que o individualismo e o socialismo aprenderiam a cooperar em vez de competir e insistia para que o capitalismo e o comunismo se fertilizassem mutuamente, assim como a Reforma Protestante havia estimulado a Igreja Católica a se regenerar.

Nazismo

Embora Coudenhove-Kalergi tenha se sentido incapaz de influenciar Benito Mussolini, suas idéias influenciaram Aristide Briand através de seu inspirado discurso em favor de uma União Européia na Liga das Nações, em 8 de setembro de 1929, bem como seu famoso Memorando de 1930 sobre a Organização de um Regime da União Federal Europeia.

Coudenhove-Kalergi propôs a Ode à Alegria de Beethoven como o Hino da Europa, em 1929. Em 1930, sugeriu um Dia da Europa em maio. Em 1932 propôs celebrar em cada 17 de maio, aniversário do “Memorando” de Aristide Briand publicado em 1930.

No entanto, seu Pan-Europeismo ganhou o ódio de Adolf Hitler, que critiocou seu pacifismo e economismo mecânico e menosprezou seu fundador como “um bastardo”, um termo usado diversas vezes por Hitler para referir-se a miscigenados. A visão de Hitler de Coudenhove-Kalergi era que o “desarraigado, cosmopolita, e mestiço elitista” iria repetir os erros históricos dos ancestrais de Coudenhove que haviam servido a Casa de Habsburgo. Em 1928, Hitler escreveu sobre seu oponente político em seu Zweites Buch, descrevendo como “Aller welts bastarden Coudenhove”.

Após a anexação da Áustria pelo Terceiro Reich em 1938, Coudenhove-Kalergi fugiu para a Tchecoslováquia e, depois, para a França. Como a França caiu diante da Alemanha, em 1940, ele escapou para os Estados Unidos através da Suíça e Portugal.

Desde 1942 até seu retorno à França, em 1945, ensinou na Universidade de Nova York, que o nomeou professor de história em 1944. Na mesma universidade, o professor Ludwig von Mises estudou os problemas de moeda para o movimento de Coudenhove-Kalergi. Em 22 de julho de 1943, os nazistas o privaram do seu grau de Doutor em Filosofia da Universidade de Viena por ser considerado indigno. O grau foi concedido novamente em 15 de maio de 1955.

Em novembro de 1946 e na primavera de 1947, Coudenhove-Kalergi divulgou um inquérito dirigido aos membros dos parlamentos europeus. Este inquérito resultou na fundação da União Parlamentar Europeia (EPU), uma organização nominalmente privada que realizou a sua conferência preliminar em Gstaad, na Suíça, de 4 a 5 de Julho, e a seguiu com a sua primeira conferência plenária de 8 a 12 de Setembro. Falando na primeira conferência da UEP, Coudenhove-Kalergi argumentou que a constituição de um mercado amplo com uma moeda estável era o veículo para a Europa reconstruir o seu potencial e tomar o lugar de destaque dentro do concerto das Nações.

Nos anos da década de 1960,  recomendou que as negociações entre a Comunidade Europeia e a Associação Europeia de Comércio Livre conduzissem à criação de uma “União Aduaneira Europeia”, livre de conexões políticas e militares, mas eventualmente adotaria uma união monetária.

Judaísmo

Em suas atitudes em relação à raça e à religião, Coudenhove-Kalergi continuou o trabalho de seu pai. Em sua juventude, o mais velho Coudenhove-Kalergi era um antisemita. Ele esperava confirmar sua antipatia para com os judeus quando começou a trabalhar em seu tratado Das Wesen des Antisemitism (A Essência do Antisemitismo). Mas Coudenhove-Kalergi chegou a uma conclusão diferente quando publicou seu livro em 1901. Após uma irónica crítica das novas teorias raciais, declarou que a essência do anti-semitismo não era mais crível do que o ódio religioso fanático. Ele rastreou esse fanatismo para o fanatismo religioso que se originou na promulgação da Torá sob Ezra. Segundo Coudenhove-Kalergi, o fanatismo religioso judaico provocou a oposição dos politeístas greco-romanos relativamente tolerantes, causando sua reação antijudaica. Creditou aos judeus a origem da intolerância religiosa e condenou-a como uma violação de princípios religiosos genuínos. Ele classificou todo tipo de anti-judaísmo não cristão.

Apesar de sua oposição à teoria racial simplista, Kalergi defendeu que os judeus são racialmente distintos. Ele também procurou defender os judeus contra acusações de ganância e covardia parasitas com contra-exemplos anedóticos de industriosidade judaica e coragem marcial.

Em 1933, ele respondeu à ascensão do nacional-socialismo ao colaborar com Heinrich Mann, Arthur Holitscher, Leão Feuchtwanger e Max Brod, escrevendo e publicando o folheto Gegen die Frase vom jüdischen Schädling (Contra a Frase “Parasita Judaica”).

Em seu livro Praktischer Idealismus, ele descreve o futuro dos judeus na Europa e da composição racial européia com as seguintes palavras:

“O homem do futuro será de raça mista. As corridas e as classes de hoje desaparecerão gradualmente devido ao desaparecimento do espaço, do tempo e dos preconceitos. A raça eurasia-negróide do futuro, semelhante em sua aparência aos antigos egípcios, substituirá a diversidade de povos por uma diversidade de indivíduos.

Em vez de destruir os judeus europeus, a Europa, contra sua própria vontade, refinou e educou esse povo em uma futura nação líder através desse processo de seleção artificial. Não é de admirar que este povo, que escapou da Prisão do Gueto, se tornou uma nobreza espiritual da Europa. Portanto, uma graciosa Providência proporcionou à Europa uma nova raça de nobreza pela Graça do Espírito. Isso aconteceu no momento em que a aristocracia feudal da Europa se dilapidou e graças à emancipação judaica”.

Miscigenação sem mestiçagem

O Kalergismo contrasta com o Freyreanismo. Enquanto para Gilberto Freyre,

“A mestiçagem unifica os homens separados pelos mitos raciais. A mestiçagem reúne sociedades divididas pelas místicas raciais e grupos inimigos. A mestiçagem reorganiza nações comprometidas em sua unidade e em seus destinos democráticos pelas superstições sociais” (1963),

para Kalergi a miscigenação visa criar identidades individuais, fragmentadas, incapazes de se protegerem enquanto grupo étnico ou nacional contra ideologias antimestiças como o Indigenismo, o Negrismo e o próprio Kalergismo.

No Brasil, a ideologia kalergista tem sido promovida por partidos e governos de esquerda, como os de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e de Lula e Dilma (PT).

Falecimento

Coudenhove-Kalergi faleceu em 27 de julho de 1972, possivelmente por suicídio. No livro de memórias que escreveu, sua secretária disse que sua morte foi mantida em segredo para não decepcionar aqueles que o consideravam o grande visionário da integração européia. Foi sucedida por Otto von Habsburg na presidência da União Pan-Europeia.

Posted in Kalergismo, Português.


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