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Por que as feministas se recusam a discutir os ataques sexuais em Colônia? – Lara Prendergast

Homens jovens de países que não tratam bem suas mulheres estão entrando em massa na Europa.
Independente da origem dos homens que executaram os ataques em Colônia, Alemanha, na véspera do Ano-Novo, a história é de horror.
Uma série de ataques sexuais ocorreu no centro na cidade, feitos por um grupo de cerca de 1.000 homens. Mais de 150 mulheres prestaram queixa na polícia, três quartos das quais por agressão sexual. Dois casos de estupro foram noticiados. É o tipo de história que deveria virar manchete e fornecer amplo material para autoras que gostam de trabalhar com tópicos feministas. Afinal de contas, essa não é a própria definição de “cultura do estupro”?
E, se os ataques em si não são o suficiente para merecer uma reação, que tal a sugestão da prefeita de Colônia de que as mulheres deveriam adotar um “código de conduta” para prevenir futuras agressões? Essa não é a própria definição de “culpabilização da vítima”?
Mas as manchetes de destacaram pela sua ausência. Até agora este ano, o principal tópico “feminista” coberto pelos colunistas do Guardian é a confusão sexista envolvendo o jogador de cricket Chris Gayle, que teve um bate-papo suspeito com uma jornalista mulher. Não há uma única menção aos ataques de Colônia fora da seção de notícias. Por quê?
Será porque eles não são vistos como importantes? Talvez ataques perversos a frauen alemãs não despertem tanta preocupação? Ou será porque os detalhes da história? – os homens responsáveis parecem ser de “origem árabe ou norte-africana”, não falar alemão ou inglês, e há a possibilidade de que cerca de 1,1 milhões de migrantes terem entrado na Alemanha ano passado – a tornam controversa demais para ser abordada?
Escritoras feministas não são famosas por segurar a língua – como podem comprovar os indivíduos que foram enforcados, arrastados e esquartejados por elas. Mas, em um artigo para a Prospect, Jessica Abrahams oferece essa pobre explicação para o silêncio:
Feministas são necessariamente preocupadas com a proteção de grupos minoritários e marginalizados. Se algumas delas estão achando difícil falar sobre o evento com preocupações de que poderia ser usado para encorajar agressões contra refugiados, não posso dizer que as culpo. A falha não é das feministas, mas daqueles que as estão deixando nervosas exigindo manifestações – e ficam escandalizadas porque elas não se manifestam.
Geralmente é dever das feministas fazer barulho sobre ataques sexuais o bastante para que não sejam ignorados; o ataque em Colônia foi grande o suficiente para receber muita atenção por toda a Europa e além. Agora apenas podemos esperar que a polícia consiga trazer os responsáveis para julgamento e prevenir futuros ataques, e que as mulheres envolvidas tenham o apoio necessário.
Não quero entrar em um debate sobre migração, mas parece justo sugerir que estamos diante de alguns fatos: muitos países norte-africanos e árabes não são famosos por seu tratamento exemplar das mulheres. E muitas das pessoas entrando na Europa são homens jovens desses países, que talvez nunca tiveram contato com o conceito de que mulheres são iguais a homens, e não merecem ser ameaçadas, molestadas ou estupradas.
Se temos medo de dizer isso, por medo de que pareça pouco benéfico aos migrantes, então colocamos a nós mesmos em todo tipo de problema. Em algum momento, no entanto, isso terá que ser dito. Então é melhor que comecemos logo.
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Homens jovens de países que não tratam bem suas mulheres estão entrando em massa na Europa.
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Independente da origem dos homens que executaram os ataques em Colônia, Alemanha, na véspera do Ano-Novo, a história é de horror.
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Uma série de ataques sexuais ocorreu no centro na cidade, feitos por um grupo de cerca de 1.000 homens. Mais de 150 mulheres prestaram queixa na polícia, três quartos das quais por agressão sexual. Dois casos de estupro foram noticiados. É o tipo de história que deveria virar manchete e fornecer amplo material para autoras que gostam de trabalhar com tópicos feministas. Afinal de contas, essa não é a própria definição de “cultura do estupro”?
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E, se os ataques em si não são o suficiente para merecer uma reação, que tal a sugestão da prefeita de Colônia de que as mulheres deveriam adotar um “código de conduta” para prevenir futuras agressões? Essa não é a própria definição de “culpabilização da vítima”?
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Mas as manchetes de destacaram pela sua ausência. Até agora este ano, o principal tópico “feminista” coberto pelos colunistas do Guardian é a confusão sexista envolvendo o jogador de cricket Chris Gayle, que teve um bate-papo suspeito com uma jornalista mulher. Não há uma única menção aos ataques de Colônia fora da seção de notícias. Por quê?
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Será porque eles não são vistos como importantes? Talvez ataques perversos a frauen alemãs não despertem tanta preocupação? Ou será porque os detalhes da história? – os homens responsáveis parecem ser de “origem árabe ou norte-africana”, não falar alemão ou inglês, e há a possibilidade de que cerca de 1,1 milhões de migrantes terem entrado na Alemanha ano passado – a tornam controversa demais para ser abordada?
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Escritoras feministas não são famosas por segurar a língua – como podem comprovar os indivíduos que foram enforcados, arrastados e esquartejados por elas. Mas, em um artigo para a Prospect, Jessica Abrahams oferece essa pobre explicação para o silêncio:
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“Feministas são necessariamente preocupadas com a proteção de grupos minoritários e marginalizados. Se algumas delas estão achando difícil falar sobre o evento com preocupações de que poderia ser usado para encorajar agressões contra refugiados, não posso dizer que as culpo. A falha não é das feministas, mas daqueles que as estão deixando nervosas exigindo manifestações – e ficam escandalizadas porque elas não se manifestam.
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“Geralmente é dever das feministas fazer barulho sobre ataques sexuais o bastante para que não sejam ignorados; o ataque em Colônia foi grande o suficiente para receber muita atenção por toda a Europa e além. Agora apenas podemos esperar que a polícia consiga trazer os responsáveis para julgamento e prevenir futuros ataques, e que as mulheres envolvidas tenham o apoio necessário.”
Não quero entrar em um debate sobre migração, mas parece justo sugerir que estamos diante de alguns fatos: muitos países norte-africanos e árabes não são famosos por seu tratamento exemplar das mulheres. E muitas das pessoas entrando na Europa são homens jovens desses países, que talvez nunca tiveram contato com o conceito de que mulheres são iguais a homens, e não merecem ser ameaçadas, molestadas ou estupradas.
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Se temos medo de dizer isso, por medo de que pareça pouco benéfico aos migrantes, então colocamos a nós mesmos em todo tipo de problema. Em algum momento, no entanto, isso terá que ser dito. Então é melhor que comecemos logo.
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Texto original em Spectator, 01/2016. Traduzido por Daniel Lopes, Revista Amálgama, 07/01/2016.

Posted in Multiculturalismo, Português.

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