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A imigração do racismo – Leão Alves

O Estatuto do Estrangeiro, em 1980, encerrou 160 anos de engenharia racial no Brasil. O PL da Lei de Migração, do senador Aloysio Nunes, porém, pretende retomar os projetos dos que nunca estiveram contentes com o Brasil brasileiro.
Nesta época em que os magnatas globalistas pintam as reações a imigrações desordenadas como manifestações de racismo e xenofobia, buscando desmoralizar as resistências, é importante registrar a experiência brasileira, que tem similares em outros países das Américas.

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O Estatuto do Estrangeiro, em 1980, encerrou 160 anos de engenharia racial no Brasil. O PL da Lei de Migração, do senador Aloysio Nunes, porém, pretende retomar os projetos dos que nunca estiveram contentes com o Brasil brasileiro.

Nesta época em que os magnatas globalistas pintam as reações a imigrações desordenadas como manifestações de racismo e xenofobia, buscando desmoralizar as resistências, é importante registrar a experiência brasileira, que tem similares em outros países das Américas.

No Brasil, embora não sendo a motivação única, promover imigração sempre esteve associado a racismo contra a população mestiça local.

No imigrantismo dos séculos XIX e XX era defendido explicitamente que seria necessário trazer imigrantes brancos para “melhorar a raça” do brasileiro. O imigrantismo do século XXI, porém, adota o estilo multiculturalista, que dissimula seu racismo sob a bandeira da promoção da diversidade.  Em ambos, porém, o objetivo é o mesmo: evitar uma maioria mestiça.

Estes dois imigrantismos tiveram a influência de dois intelectuais que residiram no Brasil, ambos avessos à mestiçagem: os franceses Arthur de Gobineau e Claude Lévi-Strauss.

Gobineau, que viveu no Brasil no séc. XIX, como embaixador da França, foi amigo do imperador D. Pedro II. Ele defendia a superioridade da raça ariana, a qual, segundo ele, estaria fadada ao desaparecimento pela miscigenação. Suas idéias influenciaram o nazismo e outros movimentos racistas.

No Brasil, esta ideologia provocou duas respostas principais, ambas favoráveis ao imigrantismo. O historiador Sílvio Romero defendia que seria necessário miscigenar os brancos ao máximo com a população mestiça local, diluindo esta racialmente até formar um branco “adaptado aos trópicos”.

Outra resposta acadêmica foi a do médico Nina Rodrigues que, como Gobineau, não acreditava que a miscigenação pudesse “melhorar a raça”; entendia que a imigração deveria servir para manter uma elite branca para conduzir o país. Chegou a fazer uma proposta que lembra o multiculturalismo atual: defendeu que a aplicação das penas levasse em conta a formação racial do réu, devendo ser mais branda quando, segundo acreditava, houvesse uma maior propensão racial a violência.

Indo contra estas duas ideologias, o sociólogo Gilberto Freyre, no início do século passado, defendia que a mestiçagem não era a causa dos problemas do Brasil, mas sim benéfica: havia servido para unificar o povo e formar a Nação brasileira, evitando conflitos raciais.

As imigrações, porém, já haviam começado bem antes deles, em 1819, com suíços, ainda na época de D. João VI, logo após o Brasil deixar de ser colônia a passar a fazer parte do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Enquanto o escravismo e a importação de africanos iam recuando, a diversidade e quantidade de imigrantes europeus ia aumentando.

Embora grande parte se integrasse e muitos dos seus descendentes viessem mesmo a se tornar nacionalistas, outros encistavam-se odiando os da terra com o mesmo ânimo que provocara muitos dos conflitos europeus que os fizeram vir para o Brasil. Nesta época ainda não havia a dissimulação indigenista e o racismo se mostrava cru.

No final do século XIX, p. ex., um jornal da colônia alemã, Der Urwaldsbote, de Blumenau, no Estado de Santa Catarina, respondeu dessa forma à Liga Patriótica, uma organização que criticava a violência dos imigrantes contra os nativos brasileiros:

“Os bugres atrapalham a colonização e as comunicações entre planalto e litoral. É preciso acabar com essas perturbações de modo total e o mais depressa possível. Pontos de vista sentimentais que consideram injustas e imorais as caçadas movidas aos bugres são inoportunas.”

Em 1872, o censo brasileiro já indicava o aumento da população branca, 38,1%, já se igualando à população parda.

Em 1912, na fronteira dos Estados de Santa Catarina e Paraná, explode a Guerra do Contestado. Entre os motivos do conflito, os privilégios dados aos trabalhadores imigrantes em relação aos brasileiros, atingindo especialmente os caboclos da região. O número de mortos no conflito é incerto; as estimativas variam de 5.000 a 20.000 mortos.

Com a continuidade das imigrações, em 1940 os brancos compunham 63,5% e os pardos 21,2%. Nesta época, o governo do presidente Getúlio Vargas promoveu uma política de nacionalização que limitava as imigrações, especialmente as não-portuguesas, e buscava evitar a formação de cistos raciais e étnicos.

A mestiçagem pouco a pouco foi aumentando a população de pardos e em 1980 os pardos compunham 38,45% e os brancos 54,23%, quando foi sancionado pelo presidente João Figueiredo o Estatuto do Estrangeiro, elaborado durante a presidência de seu antecessor Ernesto Geisel, de pai e quatro avós imigrantes alemães.

A tendência ao aumento da população de pardos continuou até os tempos atuais, exceto no censo de 2000, no segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, quando houve uma elevação percentual de brancos e pretos e redução de pardos, retornando o aumento dos pardos nos censos seguinte.

Gobineau foi embora em 1870 sem levar nem deixar saudade, mas como desgraça pouca é bobagem, em 1935 apareceu por aqui um admirador seu, o antropólogo Claude Lévi-Strauss. Substituindo o discurso da supremacia da raça pelo da supremacia da diversidade, Lévi-Strauss defendia que a diversidade em si seria superior à homogeneidade e que esta levaria à decadência.

Ou seja, mestiçagem levaria à decadência.

O racismo agora tinha o caminho do arco-íris para promover segregação racial afirmando estar protegendo diversidade cultural e étnica. Entre os discípulos de Lévi-Strauss destacam-se o petista Florestan Fernandes e o tucano Fernando Henrique Cardoso, ambos sociólogos da Universidade de São Paulo (USP), ambos políticos constituintes, ambos indigenistas e ambos defensores da imposição da identidade negra aos pardos.

Lévi-Strauss é quase uma santidade no meio antropológico brasileiro e uma referência para organizações internacionais, como a UNESCO, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Sua ideologia anti-mestiça ganhou força após o fim da II Guerra Mundial e conduziu a documentos como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

É neste clima de racismo politicamente correto quo o senador Aloysio Nunes, do PSDB, apresentou seu PLS 288/2013, da Lei de Migração, que visa abolir o Estatuto do Estrangeiro e escancarar o Brasil outra vez para os arquitetos do apartheid.

Leão Alves é médico e ex-presidente do Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro – Nação Mestiça.

Este e outros artigos são também publicados no Portal do Zacarias.

Posted in Artigos, Gobineauismo | Arianismo, Imigrantismo, Leão Alves, Levistraussismo, Mestiçofobia | Desmestiçagem, Multiculturalismo, Racismo petista.


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