Skip to content


Negrismo: o racismo contra mulatos no Haiti

Na localidade de Jérémie (no sudoeste do país), os soldados do exército liderado pelo tenente Abel Jerome, o tenente Sony Borge, Col. Regala e por macoutes Sanette Balmir e St. Ange Bomtemps matou 27 indivíduos (homens, mulheres e crianças ); quase todos eles pertenciam a famílias educadas mulatos. Todos os autores conheciam bem as famílias executados. Várias famílias de Jérémie (a Sansericq, Drouin e famílias Villedrouin) foram totalmente eliminados. Uma criança de quatro anos, Stéphane Sansericq, foi torturado na frente de seus familiares antes de ser morto. macoutes Sony Borges e Gérard Brunache extinto seus cigarros aos olhos de crianças chorando.
Os sites mencionados lista acima a maioria das vítimas. Estes assassinatos foram ordenados pelo ditador Papa Doc-se como uma parte de represálias contra um grupo guerrilheiro anti-Duvalier embrionário conhecido como Jeune Haiti que tinha aterrado na região (mas nenhum deles estavam em Jérémie). Na verdade, a morte também tinha dimensões ideológicas e raciais, como Duvalier contou com uma ideologia política conhecida como noirisme (“Blackism”), através do qual ele alegou para promover as massas negras contra “elites mulatos”. Por isso, a ditadura Duvalier alvo mulato setores da sociedade, visto como propensa a oposição política, mas também como membros ilegítimos da nação.
Nenhum dos responsáveis ​​pelas mortes e nenhum dos autores foram levados à justiça. Em 1986, após a saída de Jean-Claude Duvalier, o coronel Regala, que enviou a fim de executar a família Sansericq, tornou-se um dos membros da junta no poder. *** (Chassagne, 1999: 235-262; Pierre-Charles, 2000: 94-102)

Durante a ditadura negrista de Duvalier, foi empreendida uma política de discriminação contra a minoria mulata do país. Na foto, Louis Drouin amarrado para execução.

Em agosto de 1964, na localidade de Jérémie, no sudoeste do país, soldados do exército do Haiti liderados pelo coronel Williams Regala, por dois tenentes e dois tontons macoutes mataram 27 homens, mulheres e crianças, quase todos mulatos.

Os tontons macoutes (que significa ‘bichos-papões’) eram milicianos do ditador François Duvalier, apelidado ‘Papa Doc’, que governou o país de 1957 a 1971. O apelido, que poderia ser traduzido por ‘Papai Doutor’, fazia referência à sua profissão, médico.

Todos os autores conheciam bem as famílias executadas. Várias famílias de Jérémie (os Sansericq, Drouin e Villedrouin) foram totalmente eliminadas. Uma criança de quatro anos, Stéphane Sansericq, foi torturada na frente de seus familiares antes de ser morta.

Estes assassinatos, que ficaram conhecidos como ‘Massacre des Vêpres jérémiennes’, foram ordenados por Papa Doc como parte das represálias contra um grupo guerrilheiro em formação conhecido como Jeune Haiti (‘Jovem Haiti’) que tinha aportado na região, embora nenhum deles estivesse em Jérémie.

Dois líderes, Marcel Numa e Louis Drouin, foram capturados, torturados e mortos em Port-au-Prince, na rua, frente a um cemitério em novembro de 1964. Duvalier exigiu a presença de funcionários do Estado, do setor privado, estudantes de todas as escolas (pré-escolar, primário e secundário) e estudantes de várias faculdades no local das execuções. Orquestras populares foram obrigadas a ir ao local para tocar música. Bebidas gratuitas foram distribuídas. Os corpos entraram em decomposição e foram retirados só depois de alguns dias.

Negrismo

O massacre também possuía dimensões ideológicas e raciais. Duvalier tinha uma ideologia política conhecida como noirisme (“negrismo”), que alegadamente visava promover as massas negras contra a “elite dos mulatos”.

Segundo Matthew J. Smith, o negrismo é uma ideologia que defende “o controle total do aparelho do Estado por representantes negros das classes populares”.

Por isso, a ditadura Duvalier tinha como alvo setores mulatos da sociedade, vistos como propensos a oposição política aos negros, mas também como membros ilegítimos da nação haitiana.

Durante o processo de independência do Haiti, ocorreu um intenso conflito racial. Os colonizadores franceses e os brancos haitianos foram massacrados. A Constituição do Haiti de 1805, do autoproclamado imperador Jean-Jacques Dessalines, que era hostil a mulatos, estabelecia que todos os haitianos seriam considerados negros e proibia que brancos tivessem propriedade no país. Após seu misterioso assassinato, o país se dividiu, com o norte sendo governado por um rei negro, Henri Chistophe, e o sul sendo governado por um presidente mulato, Alexandre Pétion.

Nenhum dos responsáveis ​​pelas mortes e nenhum dos autores do ‘Massacre des Vêpres jérémiennes’ foi levado à justiça. Em 1986, após a saída de Jean-Claude Duvalier, filho e sucessor de François Duvalier, o coronel Regala, que deu a ordem de executar a família Sansericq, tornou-se um dos membros da junta no poder.

Posted in Legislação, Mestiçofobia | Desmestiçagem, Português, Pretismo | Negrismo.