Skip to content


O racismo de Engels

FLORIDA
I
O Espírito da Terra fala:
Trezentos anos rolaram desde a hora
Em que o orgulhoso povo branco veio de muito longe
Através dos mares, onde suas grandes cidades se elevam.
As ilhas logo se tornaram a presa dos homens fortes;
Eu levantei meu punho cerrado do oceano para
Ver quão distante seus pés arrogantes puderam vaguear.
Florestas vestiam a terra e flores cresciam em profusão;
Através dos vales profundos vagueavam pelas fendas
Meus fiéis homens tribais da nação de pele marrom.
O doce Pai Eterno achou certo derramar
Abundantes bênçãos. Os Homens Brancos vieram;
Seus navios, em curso errático, aproximaram-se da costa.
A terra pareceu bela a eles. Eles fizeram sua reivindicação,
E apreenderam-na, como às ilhas, em sua ambição,
Semeando entre meu povo a vergonha da servidão.
As fronteiras marcadas por sulcos eles renegaram,
E com seus quadrantes repartiram minha Mão,
Traçando estranhas linhas de lado a lado.
Muito antes disso passar, eles abundavam através da terra;
Somente um dedo eles temiam desafiar.
Aquele que se arriscasse estava condenado a encontrar o seu fim.
Em cima deste único dedo restante, eu
Coloquei um anel que meu povo de pele marrom assentou.
Eles se postaram com arpões aprumados, prontos para lançarem-se.
E embora com seus escudos ajuntados, fileiras cerradas
Caem sobre mim, e embora a arrogância do Homem Branco quebre o anel,
Esta mão, com o Branco e o Marrom, eu então proponho
Mergulhar nas águas em tumulto.
II
O Seminole [índio] fala:
Paz a meus irmãos eu não proclamarei;
A guerra seja minha primeira palavra, a batalha seja minha última.
E quando seus olhos chamejam em repentina flama,
Como o fogo da floresta que é soprado pela rajada de um ciclone,
Então direi que vocês estavam verdadeiramente certos
Em me chamarem o Sol da Palavra, a Noite foge rapidamente.
Anoitece enquanto sua cobiça de caçador brilhou no apuro
De criaturas inocentes que você forçou a fugir
Da seta que segue a seta em rápido vôo,
Assim os Homens Brancos caçariam você brutalmente.
Mas deixe suas setas velozes tornar isso claro
Que eles são a presa, e os caçadores nós.
Eles invejam-nos por nossas peles vermelhas; e têm medo
Que seu nauseoso branco possa ser visto,
Eles envolvem a si mesmos em roupas muito coloridas.
Nosso país eles denominaram praia das flores,
Pois flores aqui cresciam em grande profusão.
Mas azul, ou branco, ou amarelo, através da terra
Em trajes vermelhos logo devem permanecer,
Salpicados com o próprio sangue do Homem Branco.
O flamingo não mais produzirá o brilho vermelho.
Como escravos, nós provamos ser de pouco uso.
Trouxeram os Pretos covardes através do mar.
Aprenderão a força e a coragem de nossa raça!
Venha, então, o homem branco, se é este o seu desejo,
E você conquistará a admiração que lhe é devida.
De cada cama de cana, de cada árvore,
As setas dos Seminole esperam para emboscar você!
III
O Homem Branco fala:
Bem, então! E assim pela última vez eu
Oferecerei minha testa ao cruel Destino
E livremente a voltarei a face ao sanguinário aço!
Oh, vingativo Destino, você me é bem conhecido!
Você sempre mudou meu prazer de viver em tristeza.
Você pensa que eu sempre soube que Amor é êxtase?
Zombando, ela quebrou meu coração, por quem eu
Me apaixonei. Desde então, buscando consolação,
Eu lutei pela liberdade. Os próprios reis todos eles
Tremeram diante de nossa Liga. Em medo,
Príncipes viram como jovens Alemães podem ser
Como um. Em sete dias de expiação
Eu paguei meu preço em ligas de ferro.
Em rápidos navios eles trouxeram-me sobre o mar
Para a Liberdade – porém a uma estranha costa.
O litoral chama! Exceto ao pé do penhasco, veja! –
O navio é destruído. As pessoas a bordo lançam-se todas em saltos
Em espumosas ondas. Uma prancha carrega-me
Com segurança à praia, embora contundido e quebrantado.
Pela primeira vez, minha sorte vai favoravelmente.
Em mares cheios de areia o descanso repousa em tumulto.
Porém, eu posso não escapar de meu destino?
Os selvagens cercam-me, amarram meus membros.
Procuram ganhar a vingança matando me.
Para mim, nova Liberdade, assim eu espero, inicia
Porém os combatentes da liberdade buscam meu assassinato aqui.
Assim eu devo expiar os pecados de meus irmãos.
Mas o que vem flutuando lá para a praia?
Um crucifixo No olho de meu Redentor
Tão suave! Eu perdi Sua Palavra tão querida.
Quando eu aqui descanso sobre as quentes que evaporam.
Enquanto eu me queixo, Deus, com uma aversa fúria do Inferno,
Tornou-se Ele mesmo um cadáver para mim!
Poema enviado em carta de Engels a Friedrich Graeber, em 20 de janeiro de 1839. Vertido do texto em inglês de http://marxists.org/archive/marx/works/1839/letters/39_01_20.htm

Poema enviado em carta de Engels a Friedrich Graeber, em 20 de janeiro de 1839.

FLORIDA

I

O Espírito da Terra fala:

Trezentos anos rolaram desde a hora

Em que o orgulhoso povo branco veio de muito longe

Através dos mares, onde suas grandes cidades se elevam.

As ilhas logo se tornaram a presa dos homens fortes;

Eu levantei meu punho cerrado do oceano para

Ver quão distante seus pés arrogantes puderam vaguear.

Florestas vestiam a terra e flores cresciam em profusão;

Através dos vales profundos vagueavam pelas fendas

Meus fiéis homens tribais da nação de pele marrom.

O doce Pai Eterno achou certo derramar

Abundantes bênçãos. Os Homens Brancos vieram;

Seus navios, em curso errático, aproximaram-se da costa.

A terra pareceu bela a eles. Eles fizeram sua reivindicação,

E apreenderam-na, como às ilhas, em sua ambição,

Semeando entre meu povo a vergonha da servidão.

As fronteiras marcadas por sulcos eles renegaram,

E com seus quadrantes repartiram minha Mão,

Traçando estranhas linhas de lado a lado.

Muito antes disso passar, eles abundavam através da terra;

Somente um dedo eles temiam desafiar.

Aquele que se arriscasse estava condenado a encontrar o seu fim.

Em cima deste único dedo restante, eu

Coloquei um anel que meu povo de pele marrom assentou.

Eles se postaram com arpões aprumados, prontos para lançarem-se.

E embora com seus escudos ajuntados, fileiras cerradas

Caem sobre mim, e embora a arrogância do Homem Branco quebre o anel,

Esta mão, com o Branco e o Marrom, eu então proponho

Mergulhar nas águas em tumulto.

II

O Seminole [índio] fala:

Paz a meus irmãos eu não proclamarei;

A guerra seja minha primeira palavra, a batalha seja minha última.

E quando seus olhos chamejam em repentina flama,

Como o fogo da floresta que é soprado pela rajada de um ciclone,

Então direi que vocês estavam verdadeiramente certos

Em me chamarem o Sol da Palavra, a Noite foge rapidamente.

Anoitece enquanto sua cobiça de caçador brilhou no apuro

De criaturas inocentes que você forçou a fugir

Da seta que segue a seta em rápido vôo,

Assim os Homens Brancos caçariam você brutalmente.

Mas deixe suas setas velozes tornar isso claro

Que eles são a presa, e os caçadores nós.

Eles invejam-nos por nossas peles vermelhas; e têm medo

Que seu nauseoso branco possa ser visto,

Eles envolvem a si mesmos em roupas muito coloridas.

Nosso país eles denominaram praia das flores,

Pois flores aqui cresciam em grande profusão.

Mas azul, ou branco, ou amarelo, através da terra

Em trajes vermelhos logo devem permanecer,

Salpicados com o próprio sangue do Homem Branco.

O flamingo não mais produzirá o brilho vermelho.

Como escravos, nós provamos ser de pouco uso.

Trouxeram os Pretos covardes através do mar.

Aprenderão a força e a coragem de nossa raça!

Venha, então, o homem branco, se é este o seu desejo,

E você conquistará a admiração que lhe é devida.

De cada cama de cana, de cada árvore,

As setas dos Seminole esperam para emboscar você!

III

O Homem Branco fala:

Bem, então! E assim pela última vez eu

Oferecerei minha testa ao cruel Destino

E livremente a voltarei a face ao sanguinário aço!

Oh, vingativo Destino, você me é bem conhecido!

Você sempre mudou meu prazer de viver em tristeza.

Você pensa que eu sempre soube que Amor é êxtase?

Zombando, ela quebrou meu coração, por quem eu

Me apaixonei. Desde então, buscando consolação,

Eu lutei pela liberdade. Os próprios reis todos eles

Tremeram diante de nossa Liga. Em medo,

Príncipes viram como jovens Alemães podem ser

Como um. Em sete dias de expiação

Eu paguei meu preço em ligas de ferro.

Em rápidos navios eles trouxeram-me sobre o mar

Para a Liberdade – porém a uma estranha costa.

O litoral chama! Exceto ao pé do penhasco, veja! –

O navio é destruído. As pessoas a bordo lançam-se todas em saltos

Em espumosas ondas. Uma prancha carrega-me

Com segurança à praia, embora contundido e quebrantado.

Pela primeira vez, minha sorte vai favoravelmente.

Em mares cheios de areia o descanso repousa em tumulto.

Porém, eu posso não escapar de meu destino?

Os selvagens cercam-me, amarram meus membros.

Procuram ganhar a vingança matando me.

Para mim, nova Liberdade, assim eu espero, inicia

Porém os combatentes da liberdade buscam meu assassinato aqui.

Assim eu devo expiar os pecados de meus irmãos.

Mas o que vem flutuando lá para a praia?

Um crucifixo No olho de meu Redentor

Tão suave! Eu perdi Sua Palavra tão querida.

Quando eu aqui descanso sobre as quentes que evaporam.

Enquanto eu me queixo, Deus, com uma aversa fúria do Inferno,

Tornou-se Ele mesmo um cadáver para mim!

.

Traduzido do texto em inglês de Marxists.org (em 16/10/2013).

—-

Resposta de Engels no Nova Gazeta Renana, n. 222, de 15.02.1848 – jornal fundado por ele e Karl Marx – ao Apelo aos Eslavos, de Bakunin, onde este conclama à fraternidade entre os povos e o respeito às fronteiras dos Estados.

“Justiça”, “humanidade”, “liberdade”, “igualdade”, “fraternidade”, “independência”: nada mais encontramos no manifesto pan-eslavista além destas categorias mais ou menos morais que, é certo, soam bem, mas não têm nenhum sentido no domínio histórico e político.  (…)

Apenas uma palavra acerca da “fraternal união universal dos povos” e da atraente “fronteiras estabelecidas pelo desejo soberano dos próprios povos em bases de características nacionais”. Os Estados Unidos e México são dois povos soberanos, duas repúblicas.

Como é possível que entre duas repúblicas que, segundo a lei moral, deveriam estar unidas por elos “fraternos” e “federais”, tenha eclodido uma guerra por causa do Texas, e que, devido a “necessidades geográficas, comerciais e estratégicas”, a “vontade soberana” do povo americano, apoiada pela bravura de voluntários americanos, tenha empurrado uma centena de milhas mais adiante as fronteiras naturais em razão das “necessidades geográficas, comerciais e estratégicas?” Bakunin irá censurar os americanos por fazerem uma “guerra de conquista” que embora seja um duro golpe em sua teoria fundada na “justiça e na humanidade”, era travada completa e unicamente no interesse da civilização? Ou é porventura uma infelicidade que a magnífica Califórnia tenha sido arrancada dos mexicanos preguiçosos que não sabiam o que fazer dela? Que os enérgicos yankees, graças à rápida exploração das minas de ouro da Califórnia, aumentarão os meios de circulação, ou em poucos anos irão concentrar nos mais adequados lugares da costa do Pacífico uma população densa e um comércio em expansão, abrirão linhas marítimas, construirão uma via férrea de Nova York a São Francisco, abrirão pela primeira vez realmente o Oceano Pacífico à civilização e pela terceira vez na história darão uma nova orientação ao comércio mundial? A independência de alguns hispano-californianos pode sofrer com isso, a justiça e outros princípios morais podem ser violados – mas isto conta, diante de tais realidades que são o domínio da história universal?

Traduzido de Marxists.org (16/10/2013).

Posted in Comunismo.


0 Responses

Stay in touch with the conversation, subscribe to the RSS feed for comments on this post.



Some HTML is OK

or, reply to this post via trackback.

Anti-Spam by WP-SpamShield