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Novozavidovo tem 1º político negro eleito da Rússia

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A população da cidade de Novozavidovo, na Rússia, costumava olhar fixamente para Jean Gregoire Sagbo porque nunca havia visto um negro. Agora, enxergam nele um político honesto. No mês passado, Sagbo tornou-se o primeiro negro eleito para um cargo público na Rússia.

Em um país onde o racismo é arraigado e frequentemente violento, a eleição de Sagbo para ser um dos dez conselheiros municipais da cidade de 10 mil habitantes é um marco. O africano, de 48 anos, nascido em Benin, é visto simplesmente como um russo que se importa com o lugar onde vive. “A pele dele é negra, mas ele é russo por dentro”, diz o prefeito de Novozavidovo, Vyacheslav Arakelov.

Sagbo não é o primeiro negro na política do país. Outro imigrante africano, Joaquin Crima, de Guiné-Bissau, concorreu à chefia de um distrito no sul da Rússia em 2009, mas foi derrotado. Ele era chamado pela mídia de “Obama da Rússia”. Agora, o apelido está sendo repassado para Sagbo, apesar de sua relutância. “Meu nome não é Obama. Isso é sensacionalismo”, disse. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Agência Estado

De JC Online.

Os textos postados assinados por seus autores e os noticiosos e de outros sites lincados são de inteira responsabilidade dos mesmos não representando no todo ou em parte posicionamentos do Nação Mestiça.

Índios querem Estado independente em Roraima, diz Abin

MATHEUS LEITÃO
LEONARDO SOUZA
DE BRASÍLIA

Um relatório da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) revela preocupação com a criação de um Estado indígena independente em Roraima, “com apoio de governos estrangeiros e ONGs”.

O documento, ao qual a Folha teve acesso, foi enviado pelo serviço secreto para o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência em 2010. O texto diz que índios do Estado teriam o desejo de “autonomia política, administrativa e judiciária”.

Em nota, o GSI afirmou que “não se pronuncia sobre atividades de inteligência”.

O relatório diz que o CIR (Conselho Indígena de Roraima) “passou a defender abertamente a ampliação e demarcação de outras terras indígenas” após o julgamento da reserva Raposa/Serra do Sol pelo STF em 2008.

A preocupação da Abin é que o CIR forme “um cinturão de reservas indígenas”. Segundo a Funai, as 32 terras indígenas de Roraima ocupam 46% da área do Estado.

MILÍCIAS ARMADAS

Apesar das rivalidades entre as nove etnias indígenas de Roraimna –que dificultam a criação de um Estado independente– a Abin acredita na existência de milícias armadas. “Revólveres e espingardas foram encontrados e teriam sido contrabandeadas da Venezuela e da Guiana.”

A Abin diz ainda que a advogada licenciada do CIR, Joênia Batista de Carvalho, confidenciou um desejo dos índios junto ao Congresso: a transformação da Raposa/ Serra do Sol no primeiro território autônomo indígena.

A advogada nega e diz que “é absurda a intenção da Abin em procurar o afastamento geral da sociedade contra os índios”.

A agência também se mostra preocupada com a ratificação do Brasil à Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas, assinada em 2007 na ONU. Para a Abin, se confirmado pelo Congresso, torna ineficaz “as restrições elaboradas pelo STF ao usufruto da terra pelos índios”.

As ressalvas impostas pela corte são o marco constitucional para terras indígenas e em futuras demarcações. Elas dão usufruto das terras para os índios, mas as mantêm sob as rédeas da União.

“Nós já fizemos a nossa parte. Que o governo seja digno ao fazer a parte dele”, afirma o ministro Ayres Britto, relator do processo.

OUTRO LADO

Por e-mail, o CIR informou que “nunca propugnou a criação de uma nação independente” e “sempre atuou no sentido de promover a cidadania plena dos povos indígenas como membros do Estado brasileiro”, ajudando “na inclusão de nossos povos como determina a Constituição Federal”.

De Folha de São Paulo, 25/07/2010.

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Sem fazendeiros, produção de arroz na Raposa/Serra do Sol retrocede a patamar de oito anos atrás

PL dos “territórios brancos” recebe apoio “white power”

PL dos territórios brancos não passará pelo Plenário da Câmara

Deputado quer criar territórios culturais brancos

ECR-3: a divisão dos brancos – Leão Alves

Confissões à Inquisição mostram os hábitos sexuais dos brasileiros no século XVI – Renato Grandelle

RIO – Autor da certidão de nascimento do Brasil, Pero Vaz de Caminha não se encantou apenas com os dotes da natureza, como o solo fértil ou as águas infinitas. O escrivão português dedicou algumas linhas à nudez das índias, que “de (…) muito bem olharmos não tínhamos nenhuma vergonha”. Morria ali, no berço, qualquer chance de que a nova colônia lusitana fosse conhecida como uma terra de pudores. A liberdade sexual deu o tom de todo o século XVI, surpreendendo até o temido Tribunal da Santa Inquisição, segundo pesquisa do Núcleo de Estudos da Sexualidade (Nusex), da Universidade Estadual Paulista.

O grupo elabora uma historiografia da vida sexual do brasileiro, buscando na Colônia a origem de hábitos e preconceitos que permanecem até hoje . No século XVI, a falta de recato da nova colônia fez corar até um enviado da Igreja acostumado a ouvir barbaridades. Visitador da Inquisição no Nordeste em 1591, onde ficou por quatro anos, o padre Heitor Furtado de Mendoça veio à Colônia com a missão de vigiar os cristãos-novos, acusados de se aproveitarem da distância da Europa para abraçar novamente os ritos judaicos – um crime conhecido como apostasia. Entre as confissões coletadas, no entanto, destacaram-se aquelas envolvendo práticas sexuais condenadas pelo catolicismo.

- O século XVI foi marcado pela ambivalência sexual – avalia o psicólogo Paulo Rennes, coordenador do Nusex, co-autor dos estudos com as pesquisadoras Shirley Romera e Anne Caroline Scalia. – Ao mesmo tempo em que se fazia muito sexo, a Igreja aumentava o controle e as normas proibitivas. O povo queria satisfazer o desejo, e o fazia com muita intensidade, mas vivia com o medo de ser punido ao transgredir as regras católicas. A introjeção da culpa e do pecado levou muito tempo para se cristalizar, e nos anos 1500 este caminho ainda estava sendo trilhado. Principalmente no Brasil, onde, com a distância da metrópole, houve flexibilização das atitudes e do comportamento sexual muito maior do que a religião desejaria.

Fogueira não inibia poligamia
O explorador português, senhor de tantas terras, já não era estranho ao conceito de miscigenação. Uma inicial condenação a índias nuas passava rapidamente à tolerância. Conquistá-las era, inclusive, uma questão estratégica: unir-se a uma mulher garantia a fidelidade de toda a sua família – algo bem-vindo para o marido branco, entre tribos hostis.

A poligamia era popular entre os colonos – muitos já casados na metrópole. Os portugueses não escondiam uma certa admiração por seus inimigos tupinambás, que tinham até 14 mulheres. Quando cansavam de uma, a davam de presente para alguém. A tribo era, também, uma notória adepta da sodomia. Essa prática merecia condenação enfática da Igreja.

Foi, de fato, um século masculino. Os homens escolhiam com quem teriam relações. As índias usufruíam de situação semelhante, embora fossem dominadas pelo pretendente. As negras, escravizadas, não tinham opção.

As mulheres brancas, ainda em baixo contingente, cambaleavam entre manifestações de força e fragilidade. Diversas mandaram cegar as amantes do marido. Mas, de frente para o homem, apelavam a uma simpatia para evitar humilhações: durante o sexo, proferiam, em latim, as mesmas palavras com que os padres ofereciam a hóstia. Assim, segundo a crença, impediriam os maus-tratos.

Texto integral em O Globo.

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Obama fala com funcionária erroneamente acusada de racismo

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conversou por telefone com a funcionária de raça negra do Departamento de Agricultura obrigada a renunciar após falsa acusação de racismo contra um fazendeiro branco.

Segundo o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, a ligação telefônica durou sete minutos, e Obama expressou seu “pesar” pelo fato de a funcionária Shirley Sherrod ter perdido seu posto de trabalho em decorrência do incidente.

O secretário de Agricultura, Tom Vilsak, já tinha pedido desculpas publicamente a Sherrod na quarta-feira e revelou que tinha oferecido a ela a reincorporação ao Departamento, embora em outro posto diferente ao que ocupava e onde, segundo assegurou, Sherrod poderia pôr em prática “suas capacidades únicas”.

Na conversa telefônica desta quarta-feira Obama assegurou a Sherrod que Vilsak tinha sido sincero em sua oferta e suas desculpas, e pediu para que ela aceitasse a reincorporação, segundo a Casa Branca.

Em entrevista posterior concedida à rede de televisão ABC News, Obama admitiu que o secretário de Agricultura tinha se “precipitado” ao pressionar para que Sherrod renunciasse.

O caso, que despertou uma tempestade política nos Estados Unidos, representa uma situação embaraçosa para a Casa Branca – que quarta-feira reconheceu que a saída de Sherrod foi um “erro” e uma injustiça.

O escândalo surgiu depois que foi divulgado, domingo, em uma página conservadora da internet, um vídeo, gravado em março, que mostrava de forma fragmentada um discurso da funcionária no qual parecia reconhecer que deixou de ajudar um fazendeiro branco por questões racistas há 24 anos.

Segunda-feira, Vilsak anunciou a renúncia de Sherrod em meio a grande confusão, ao declarar que “no Departamento de Agricultura não há tolerância alguma para a discriminação e eu condeno energicamente a discriminação contra qualquer pessoa”.

Entretanto, a funcionária, que desde o primeiro momento alegou que suas declarações no vídeo estavam fora de contexto, afirmou que sua renúncia não tinha sido voluntária, e só foi apresentada por pressões de seus superiores, segundo ela, com participação da Casa Branca.

O governo rejeita taxativamente ter participado do caso, e assegurou que a situação foi tratada unicamente por Vilsak. Obama foi informado sobre a situação depois que a funcionária renunciou, segundo a Casa Branca.

Enquanto isso, foi publicado o vídeo completo, no qual Sherrod deixa claro que ajudou o fazendeiro. O próprio homem, de nome Roger Spooner, saiu em defesa da funcionária e confirmou que graças a sua ajuda pôde manter suas propriedades.

“Não sei de onde saíram estas tolices sobre racismo. Parece que alguém quer fazer alvoroço”, disse Spooner, o fazendeiro, ressaltando que a funcionária é “uma amiga para toda a vida”. EFE

De O Dia.

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No índice da desigualdade, Brasil perde status de alto desenvolvimento

IDH-D é o Índice de Desenvolvimento Humano ajustado pela desigualdade.
Neste índice, Brasil perde 19% e estaria na faixa de desenvolvimento médio.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) lançou nesta sexta-feira (23) o IDH-D, que mede o Índice de Desenvolvimento Humano corrigido pela desigualdade. Por esse parâmetro, o Brasil perde 19% no IDH e deixaria de ser considerado um país de alto desenvolvimento humano.

“As estimativas deste relatório mostram que a desigualdade afasta o Brasil do alto desenvolvimento humano em uma magnitude de 19%”,  explicou Flávio Comim, economista do PNUD no Brasil.

O IDH é uma medida comparativa que engloba três dimensões: riqueza, educação e expectativa de vida ao nascer. É uma maneira padronizada de avaliação e medida do bem-estar de uma população.

O índice varia de zero – nenhum desenvolvimento humano – até 1 – desenvolvimento humano total. Entre 0,5 e 0,8, um país é considerado de desenvolvimento médio. Acima de 0,8, é considerado país de alto desenvolvimento humano. O IDH do Brasil é de 0,813. Porém, no IDH-D, o Brasil tem 0,629. Como o IDH é uma média, o PNUD decidiu criar um novo parâmetro destacando a desigualdade.

De acordo com Flávio Comim, levando-se em conta o IDH-D, o Brasil não apresentaria um alto índice de desenvolvimento humano. “Quando você leva em conta a desigualdade, o Brasil cai 19% no IDH”, explicou o economista. Segundo ele, para diminuir a desigualdade é preciso que os países tenham políticas públicas que promovam educação de qualidade e igualdade de oportunidades.

América Latina

O cálculo do indicador de desigualdade varia de acordo com o autor e as fontes e a base de dados utilizados, mas em geral o Brasil só fica em melhor posição do que o Haiti e a Bolívia na América Latina – o continente mais desigual do planeta, segundo o Pnud. No mundo, a base de dados do Pnud mostra que o país é o décimo no ranking da desigualdade. Mas os dados levam em conta apenas 126 dos 195 países membros da ONU, e em alguns casos, especialmente na África subsaariana, a comparação é prejudicada por uma defasagem de quase 20 anos de diferença.

“Dez dos quinze países mais desiguais do mundo estão na América Latina e em função disso você tem uma medida de desigualdade 65% superior a medida de desigualdade dos países mais ricos”, explicou Comim.

Na América Latina, o IDH diminui em média 19% se corrigido pelo grau de desigualdade (IDH-D). A Nicaragua, por exemplo, perde 47%. A Bolivia perde 42% e Honduras, 38%. Chile, Argentina e Uruguai apresentaram as menores perdas.

De G1.

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PL dos “territórios brancos” recebe apoio “white power”

Um site com diversos artigos revisionistas, de elogios ao  nazismo, ao apartheid sul-africano e ao supremacismo branco apresentou seu apoio ao Projeto de Lei (PL) 3056/08 do deputado federal Angelo Vanhoni (PT-PR), que visa instituir territórios que terão entre seus princípios “a preservação dos direitos culturais, o exercício de práticas comunitárias, a memória cultural e a identidade racial e étnica” para descendentes de imigrantes brancos europeus e de asiáticos, assemelhados aos territórios indígenas. O site do Nação Mestiça, por sua vez, foi alvo de crítica. A Internet tem sido usada para a divulgação de comentários e textos hostis à mestiçagem.

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PL dos territórios brancos não passará pelo Plenário da Câmara

Deputado quer criar territórios culturais brancos

ECR-3: a divisão dos brancos – Leão Alves

Nação Mestiça realizará palestras em homenagem ao Dia da Mulata

mulata002O movimento Nação Mestiça está organizando em alusão ao Dia da Mulata (8 de dezembro) palestras nas escolas da rede pública de ensino sobre a ”Mulher mestiça, cidadania e nacionalidade”. As palestras também abordarão assuntos como a Lei Maria da Penha, gravidez na adolescência e DSTs (doenças sexualmente transmissíveis). Como 8 de dezembro é feriado no Estado do Amazonas, as palestras ocorrerão durante a semana. ”O Dia da Mulata tem um grande significado, inclusive por sua origem popular. As mulatas tornaram-se um dos símbolos de beleza da mulher mestiça brasileira, além de sua contribuição na formação do povo brasileiro”, afirma Helderli Castro de Sá, a presidente do Nação Mestiça.

Saiba mais sobre o Dia da Mulata.

Cientistas não conseguem explicar o nascimento de um bebê branco de pais negros

Inexplicável: bebê branco e pais negros

A imagem correu o mundo e intrigou muita gente. É possível que um casal de negros tenha um filho branco? Para os especialistas em genética, a resposta é sim, mas tudo depende de uma série de fatores. No caso da pequena Nmachi, que nasceu com cabelos louros e olhos azuis, a explicação está especialmente confusa. Ambos os parentes afirmam não ter ascendentes brancos, os médicos que cuidam da criança afirmam que ela não é albina, e exames de DNA provaram que a mãe não teve um caso extraconjugal.

Em entrevista ao jornal britânico ‘Daily Mail’, o professor de genética Bryan Sykes, da Universidade de Oxford, afirmou que o caso é “extraordinário”. Ele explicou que quando há a mistura de raças (mãe branca e pai negro, por exemplo), é comum ver este tipo de caso. Isto pode acontecer também se a criança tiver avós ou até bisavós de raças diferentes.

Mesmo que os pais neguem, Sykes afirma que, para a criança nascer de pele clara, ambos os pais necessariamente precisariam ter um ancestral branco.

- As regras da genética são complexas e até hoje não entendemos o que acontece em muitos casos – afirma o médico.

Sykes explica que este tipo de surpresa é mais comum em populações onde há muita mistura de raças, como nas populações latinas ou afro-caribenhas.

De O Dia.

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A mulata – Fernanda Huguenin

Vai chegando o carnaval e a mulata globeleza começa a aparecer diariamente nos intervalos da programação. Uma série de concursos é promovida para a escolha de passistas das escolas de samba e, no Saara, em pleno centro do Rio de Janeiro, todo ano é eleita a garota da laje. O que essas personagens podem nos revelar da visão do feminino no Brasil? E o que pode nos ensinar sobre preconceitos raciais e sobre misoginia?

A mulata é um exemplo clássico de transformação de uma categoria racial em categoria ocupacional. Ela é um subtipo específico dos variados espectros de mestiçagem: é a mistura do branco com o negro. Deve ter o corpo volumoso e num formato de curvas tipo violão, e necessariamente saber sambar. Além disso, precisa se apresentar de um jeito que seduza o público, que o faça desejá-la, seja sexualmente, seja como um padrão de beleza. Mas ela não pode ser vulgar. Pelo contrário, precisa demonstrar todo o seu profissionalismo e se desvincular de qualquer associação com a prostituta.  A mulata deve ser simbolicamente um tipo ideal da brasileira.

Até aqui, tudo bem. As mulatas são de fato maravilhosas. E qual é o problema então? É que o samba no pé da mulata é atribuído à sua raça e isso é feito, como no inferno, com a melhor das intenções. É como se sambar fosse um dom natural sem qualquer necessidade de aprendizado. E como determinadas ideologias dominantes estão disseminadas no senso comum, as próprias mulatas reproduzem esse argumento. Mas o que tem demais se a capacidade de sambar é considerada um dom natural?

Aí entra a pedagogia do racismo. É o mesmo que dizer que o negro nasceu pra jogar futebol ou tocar instrumentos de percussão. Se ele nasce com esses dons, isso pode significar que ele não terá talento para outras coisas. Não poderá ser campeão de natação, nem um grande pianista. Ou tudo o mais que quiser. Essa atribuição racial a determinadas ocupações forjam, sob uma roupagem positiva, um imenso racismo. Se a mulata já nasce sambando, pra muita gente isso pode significar que ela não serve pra dançar balé. Esse discurso nega a plasticidade humana e, sobretudo, as construções históricas (e não naturais) de determinados papéis.

Aliás, lembrando um samba antigo que dizia: “o seu cabelo não nega, mulata, porque és mulata na cor. Mas como cor não pega, mulata eu quero é seu amor”, penso no quanto a fabricação social de certos tipos femininos é feita a partir de uma concepção misógina, isto é, com desprezo à mulher. Isso porque elas são tornadas objetos e não sujeitos e, como se sabe, objetos não têm agência, nem ação. São feitos para serem consumidos. No samba, a mulata serve para o “amor”, ou seja, para o sexo e não para o casamento, porque a cor não “pega” como se pegam doenças. Mulheres uvas e melancias existem para ser simbólica, e talvez literalmente, comidas. Essa coisificação da mulher é a constatação mais conspícua da persistência da dominação masculina.

Ao refletir sobre a construção social da mulata, lembro-me de uma Simone de Beauvoir (1908-1986) que dizia em seu livro O segundo sexo: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”. Gostaria de estender a formulação dizendo que “nenhuma mulher nasce mulata, mas torna-se mulata”. É uma pedagogia e não a natureza que a constrói, caso contrário, mesmo sem o menor repertório, tendo avô negro e avó branca, eu bem que poderia me candidatar num desses concursos.

De Folha da Manhã Online.

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Cores Nacionais – Ernesto Caruso

O sentimento de brasilidade explodiu no alvorecer da Independência, ainda que se discuta o grau de ruptura, diverso da norte-americana, no acerto entre pai e filho, D. João VI e D. Pedro, depois I — “Pedro, se o Brasil se separar, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para alguns desses aventureiros”.

Como não poderia deixar de ser, ao se libertar da coroa portuguesa, D. Pedro fez presente o novo simbolismo a representar a nação emergente sob o grito do Ipiranga de “Independência ou morte”, arrancando do chapéu o laço com as cores lusitanas completando a entusiástica exclamação: “Laços fora, soldados. Viva a independência…”, instituindo o laço verde e amarelo, ratificado por ulterior legislação.

Assim, por Decreto de 18/09/1822, do Príncipe Regente, ficou estabelecido:

“Hei por bem, e com parecer do meu Conselho de Estado ordenar o seguinte: o Laço ou Tope Nacional Braziliense, será composto das cores emblemáticas — Verde de primavera, e amarello de ouro na forma do modelo annexo a este meu Decreto. A flôr verde no braço esquerdo, dentro de um ângulo de ouro, ficará sendo a Divisa voluntária dos Patriotas do Brazil, que jurarem o desempenho da legenda — Independência ou Morte — lavrada no dito ângulo.”

Em outro decreto na mesma data, “Dá ao Brasil um escudo de Armas” e uma nova Bandeira com preponderância das cores verde e amarela. Em consequência, os uniformes militares sofreram modificações. O Decreto de 24/09/1822 declara que “Tendo o Príncipe Regente dado um novo Laço Nacional para o Reino do Brazil Resolveu igualmente que o Exército do mesmo Reino houvesse de mudar as plumas dos chapéos e penachos das barretinas, que d’ora em diante deverão ser para a Tropa de 1ª Linha  todos de cor verde de primavera com olho amarello, e para o da 2ª, metade verde e outra sobre pasta amarella,…”

Com o advento da República, o Decreto nº 4, de 19/11/1889, do Governo Provisório, determina: 

“Considerando que as cores da nossa antiga bandeira recordam as lutas e as vitórias gloriosas do exército e da armada na defesa da Pátria;

“Considerando, pois, que essas cores, independentemente da forma de governo, simbolizam a perpetuidade e integridade da Pátria entre as outras nações;

“Decreta: 

“Art. 1º. – A bandeira adotada pela República mantém a tradição das antigas cores nacionais – verde e amarelo – do seguinte modo: um losango amarelo em campo verde, tendo no meio a esfera celeste azul, atravessada por uma zona branca, em sentido oblíquo e descendente da direita para a esquerda, com a legenda – Ordem e Progresso – e pontuada por vinte e uma estrelas, entre as quais as da constelação do Cruzeiro, dispostas na sua situação astronômica, quanto a distância e ao tamanho relativos, representando os Vinte Estados da República e o Município Neutro, tudo segundo o modelo debuxado no anexo 1″.

Atualmente a Lei nº 5.700, de 01/09/1971, a versar sobre Símbolos Nacionais, trata “Das Cores Nacionais”:

“Art. 28. Consideram-se cores nacionais o verde e o amarelo.

“Art. 29. As cores nacionais podem ser usadas sem quaisquer restrições, inclusive associadas a azul e branco.”

Isto posto. Há que se cumprir a lei.

Os partidos políticos de um modo geral adaptaram os seus emblemas, empregando as cores nacionais, enfatizando o cunho patriótico nas suas campanhas eleitorais.

O PMDB sublinhou a sigla com uma faixa verde e amarela. O PDT, cujas cores são a vermelha (a rosa, seguindo a tradição da Internacional Socialista), azul e branca (folha e mão), apresenta a sua bandeira sobre um estandarte verde e amarelo. O PT na campanha do Duda Mendonça colocou uma faixa horizontal nessas cores ladeando a estrela e dividindo o campo branco da bandeira do partido, que é vermelha na origem.

No entanto, a recíproca descumpre o mandamento legal.

Não se pode introduzir o simbolismo de um partido em qualquer criação artística representativa da nação brasileira, como na recente logomarca da Copa do Mundo de 2014, com destaque desse ano em vermelho, em clara desatenção à lei:

“As cores nacionais podem ser usadas sem quaisquer restrições, inclusive associadas a azul e branco”.

Porém, não ao vermelho, prevalecendo o simbolismo pessoal, partidário em detrimento do simbolismo maior da nacionalidade.

No passado, as cores, desenhos e escudos, adotados pelos monarcas e desbravadores, definiram fronteiras e formaram nações, sob o sacrifício das guerras e algumas gerações.

Não pela vontade momentânea e mesquinha de políticos.

Ernesto Caruso, 17/07/2010.

Os textos postados assinados por seus autores e os noticiosos e de outros sites lincados são de inteira responsabilidade dos mesmos não representando no todo ou em parte posicionamentos do Nação Mestiça.

Marechal José Pessoa e Brasília – Ernesto Caruso

Um basta coerente – Ernesto Caruso